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O McDonald’s quer o fim das gorjetas!

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Existe uma piada um tanto quanto nefasta que faço de tempos em tempos com os atendentes do McDonald’s, que são chamados carinhosamente de “McEscravo Feliz”. O que soa irônico, já que estamos falando de escravos brancos, algo que, obviamente, não existe.

O que eu não poderia imaginar é que o próprio McDonald’s nos Estados Unidos quer transformar a piada em realidade, acabando com a cultura da gorjeta em suas unidades.

Um dos piores empregos do mundo está ameaçando retirar o elemento que garante um salário melhor para uma galera que rala muito em uma função que praticamente ninguém quer fazer.

 

O que o McDonald’s pensa sobre as gorjetas?

O peso cultural da gorjeta nos EUA é comparado a um ritual obrigatório, já que muitos trabalhadores recebem apenas US$ 2,13 por hora de salário e dependem do complemento pago pelos clientes para ter um ganho minimamente digno.

Então… o McDonald’s acha que isso está acabando com as redes de fast food, pois é um lucro que deixa de entrar na contabilidade dos executivos.

O CEO do McDonald’s, Chris Kempczinski, criticou abertamente o sistema de gorjetas, afirmando que a prática transfere a responsabilidade salarial para o consumidor.

E ele só falou isso depois que o “Big Beautiful Bill” do atual governo norte-americano entrou em vigor.

A lei isenta gorjetas de impostos, beneficiando restaurantes tradicionais e aumentando a desigualdade frente às redes de fast food.

 

Cansados de pagar gorjetas

O modelo baseado em gorjetas se expandiu para outros setores, como entregadores de aplicativos e prestadores de serviços localizados, mas práticas como o “tip baiting” (em que um consumidor promete uma gorjeta alta para incentivar a entrega rápida e depois a retira) têm desgastado a relação entre clientes e trabalhadores.

Há um certo cansaço social entre os norte-americanos diante da pressão para dar gorjetas em múltiplos contextos, colocando em xeque a sustentabilidade desse modelo.

Kempczinski defende que todos os restaurantes paguem o mesmo salário mínimo, sem depender de gorjetas, como já acontece em estados como Califórnia e Minnesota.

Para o executivo, esse modelo reduziria a pobreza e nivelaria a competição, enquanto o sistema atual cria uma “economia de dois níveis” que exclui consumidores de renda média e baixa.

 

A queda de braço com a inflação

A inflação e o aumento de preços nos cardápios transformaram o fast food em um luxo ocasional para muitas famílias norte-americanas, algo que já acontece no Brasil desde que a marca chegou em nosso mercado.

Todo o cenário econômico levou o McDonald’s a lançar pacotes de refeições a preços reduzidos. E a rede entende que o desnivelamento tributário combinado com o menor valor pago por cliente pode comprometer todo o modelo de negócios.

Os franqueados temem o impacto financeiro das promoções em meio a custos crescentes de salários, aluguéis e insumos. E tudo isso está acontecendo (muito em partes) por causa das decisões do atual governo norte-americano.

E quem se lasca com isso é o funcionário chapeiro ou atendente do caixa, que corre o risco de, literalmente, virar um “McEscravo Feliz”. Porque receber um salário-mínimo para tudo o que se passa como soldado raso do McDonald’s é algo próximo à escravidão.

Bom… escravos não recebiam salários e direitos trabalhistas… logo, trabalhar no McDonald’s ainda é melhor do que isso.

E quem poderia imaginar que o direito à isonomia fiscal se transformaria em um choque cultural e social.

E a pergunta que fica é: até que ponto o consumidor deve ser responsável por financiar o trabalho nos EUA?

 

Via CNBC


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@oEduardoMoreira