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O metaverso não é um lugar nem produtivo, nem agradável para trabalhar (por enquanto)

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Muito se fala sobre o metaverso, mas pouco avançamos neste sentido. Talvez porque a grande maioria das pessoas e empresas não estejam acreditando que apostar nessa proposta neste momento não é a melhor escolha, pelos mais diversos motivos. Um deles é o próprio Meta entender que a tecnologia de presente ainda não é boa o suficiente para construir esse mundo virtual tão complexo.

Agora, um estudo chega para questionar o óbvio: será que o metaverso será tão bom assim nos ambientes de trabalho?

E a resposta para essa pergunta é ainda mais óbvia: é claro que não.

O metaverso não é nem agradável, nem produtivo para os empregados, que ficam mais estressados pela jornada de trabalho com telas em forma envolvente e imersiva. Ou seja, vamos abandonar essa ideia enquanto ainda há tempo para isso.

 

 

 

O que mais o estudo revela?

O estudo foi realizado com um pequeno grupo de 16 pessoas, que tiveram que trabalhar em um ambiente de realidade virtual utilizando o Oculus Quest 2 durante uma semana 8 horas por dia com uma pausa de apenas 45 minutos para alimentação. Nesse período, foi solicitado que cada funcionário avaliasse a sua experiência, comparando com o trabalho em um ambiente físico.

Os elementos analisados no estudo incluíam a produtividade, bem-estar ou estresse, entre outros. Além disso, eles tiveram que responder algumas perguntas relacionadas com a experiência de realidade virtual, incluindo os efeitos colaterais dessa experiencia, tais como dores nos olhos e enjoos.

Os resultados mostraram que os participantes do estudo percebiam que tinham mais trabalho no metaverso que no mundo real, apesar de serem as mesmas tarefas. Além disso, a ansiedade e o cansaço aumentaram, a queda de produtividade foi de 14%, e o aumento da frustração foi de 40%.

Tudo isso resultou em uma queda geral do bem-estar mental dos participantes, um importante aumento da fadiga visual e das náuseas. Dois deles inclusive abandonaram o experimento por conta das fortes dores de cabeça, enjoos e desorientação experimentados durante a pesquisa.

Além do Oculus Quest 2, os participantes do estudo utilizaram softwares baseados no Chrome Remote Desktop, e os investigadores não descartam que os resultados poderiam ser mais positivos se eles utilizassem um conjunto de hardware e software mais completo. Por outro lado, as escolhas para o estudo foram propositais, já que a maioria das empresas não tem condições de realizar nesse momento grandes investimentos em equipamentos para obter melhores resultados no metaverso.

 

 

 

As limitações ainda existentes

O estudo entrega conclusões que podem ser consideradas contundentes. Por outro lado, os resultados ainda são muito limitados, uma vez que esse experimento aconteceu com um grupo muito pequeno de pessoas, por um curto período.

Seus autores reforçam que o objetivo aqui não era obter resultados definitivos, mas sim oferecer um ponto de partida para futuras pesquisas que venham a aprofundar as consequências que o trabalho no metaverso pode ter nos profissionais.

O estudo foi desenvolvido por investigadores das universidades de Ciências Aplicadas de Coburg (Alemanha), Cambrigde (Reino Unido) e Primorska (Eslovênia), em parceria com a Microsoft Research.


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