
Como portador de diabetes tipo 2, essa notícia me interessa. E como descendente de parentes com diagnóstico de Alzheimer dos dois lados da família (avó paterna e mãe), o assunto me interessa ainda mais, pois pode significar uma sobrevida mais saudável.
Um novo estudo revelou que a metformina atua também no cérebro, abrindo caminhos para tratamentos mais eficazes contra o diabetes. Isso, e a possibilidade de poder raciocinar melhor sobre a vida no futuro.
É claro que tudo o que vou escrever a partir de agora está no campo do estudo científico, e sequer posso ter a chance de ter um medicamento no futuro que vai me entregar resultados práticos positivos.
Mas ao menos posso sonhar com uma mente mais saudável quando chegar aos 80 anos, não é mesmo?
O que descobriram?
Todos os bons medicamentos passam por rigorosos testes antes de chegar ao mercado, mas muitas vezes a compreensão sobre o real motivo de seu funcionamento leva décadas para ser desvendada.
Com a metformina, usada há mais de 60 anos contra o diabetes, descobriu-se que seu efeito não se limita ao fígado e aos intestinos, mas também envolve o cérebro, o que abre novas possibilidades terapêuticas, que podem tornar o tratamento da doença mais preciso e eficaz.
O estudo concentra-se na proteína Rap1, presente no hipotálamo ventromedial (VMH). A metformina age nessa região desligando a função dessa proteína.
Experimentos com camundongos geneticamente modificados mostraram que, sem a proteína Rap1, a metformina perde sua eficácia na redução da glicose, enquanto outros tratamentos continuam funcionando.
Outro teste mostrou que, ao injetar pequenas doses de metformina diretamente no cérebro de camundongos diabéticos, os níveis de açúcar no sangue caíram de forma significativa. O que, de alguma forma, contraria o mito de que a substância não é eficiente para o combate da doença.
Sério… eu já ouvi isso algumas vezes.
O primeiro remédio que tomei para combater a diabetes foi justamente o cloridrato de metformina, e durante um bom tempo obtive uma boa qualidade de vida com o medicamento.
Agora, descobrir que o remédio tem ação mais eficiente quando aplicado diretamente no cérebro é uma novidade mais do que interessante.
Mas não estou dizendo que você deve preparar a seringa e esquecer os comprimidos. Tudo foi um experimento com camundongos. O cérebro da maioria dos humanos funciona de forma diferente.
Algumas exceções pensam e se comportam como ratos mesmo.
O que aprendemos com tudo isso?
Os estudos revelam que os mecanismos de ação da metformina são mais complexos do que se pensava, atuando em diferentes partes do corpo, inclusive no cérebro. E tais descobertas podem estimular estudos em diferentes campos, justamente para aumentar a eficácia do medicamento para outras enfermidades.
É importante deixar registrado que o efeito cerebral da droga exige doses muito menores do que as necessárias para agir no fígado ou nos intestinos, o que pode redefinir as estratégias terapêuticas.
Quem sabe os portadores de diabetes podem passar por tratamentos menos invasivos, com doses mais moderadas e com menores efeitos colaterais.
A expectativa é que essa descoberta leve à criação de novos medicamentos para o diabetes, com base na ação cerebral, embora ainda haja riscos como a acidose láctica, um efeito adverso raro, mas grave.
A oportunidade está aberta a partir de agora. Que a medicina evolua em função disso.
Via Sicence.org, ScienceAlert
