
O pastor de calcinha.
Para começo de conversa: pessoas, não sejam homofóbicas!
Tem gente querendo ridicularizar o pastor pelo motivo errado. E o motivo é o fato dele ter enfiado uma calcinha no rabo, usar uma blusinha colada em um corpo que evidencia que ele engoliu uma melancia inteira e colocar na cabeça uma peruca loira que deixou ele com uma cara de tia velha travesti.
Ter preconceito com homem que se veste de mulher mostra que a sua mente está na década de 1970 ou 1980. O problema passa bem longe de ser esse.
Até acho que o pastor tem que ser muito zoado por se vestir de mulher, mas usar um mocassim masculino, mostrando que o senso estético dele é algo nulo.
O problema não é esse.
O problema sempre é a hipocrisia
O grande problema é que o protagonista dessa história pecou pela soberba e arrogância. E combinou essas duas características para abraçar com força uma das grandes doenças da humanidade: a hipocrisia.
Como ele estava na posição de conduzir ao seu rebanho para o fosso do preconceito, defendeu de peito aberto que ser homossexual era muito pior do que bater na própria mãe.
Pautou sua visão ideológica em discriminar quem era diferente. Demonizou um grupo que apenas queria ser livre para ser quem se é na essência.
Fez um monte de gente (trouxa) acreditar que ele era o arauto da coerência.
Só que não.
Acabou caindo na própria armadilha. Acreditou que Goiânia era grande demais, e que ninguém iria desconfiar que um homem com o seu biotipo vestido de mulher e com movimentação suspeita na área dos motéis da cidade não iria chamar a atenção de populares.
E depois o pastor ainda alega que “a exposição foi ilegal”.
Por que, pastor?
Não queria que todo mundo soubesse da tal “investigação”?
Falando nisso…
Que p0rr4 de investigação é essa?
Confesso que não estou dormindo direito com esse lance da investigação do pastor com a calcinha enfiada no rabo.
Essa é a única coisa que quero saber a essa altura do campeonato: que diabos o pastor estava investigando na rodovia que é conhecida por ser a área dos motéis em Goiânia?
Mais do que isso: que investigação é essa que exige que o pastor, vestido desse jeito, fique passando a mão nos mamilos e seduzindo de forma constrangedora, no meio da rua, altas horas da madrugada?
Nem Fernanda Montenegro faria uma composição de personagem tão bem feita!
Será que ele estava investigando se existia um cartel de preços dos estabelecimentos? Ou de cobrança das “meninas do job” da área, se é que vocês me entendem?
Ou ele estava investigando o potencial lucrativo que ele mesmo teria se decidisse entrar no ramo?
Sério… eu estou muito curioso para descobrir se ele concluiu que poderia fazer o famoso “bola gato”* cobrando R$ 100 dos caminhoneiros.
Essa é a única grande questão não respondida sobre o caso, e é a que mais deveria interessar ao grande público. Todo o resto? Sinceramente? Não importa!
“Ah, mas a esposa, como ela fica nessa?”
Ao lado do marido, como sempre. Afinal de contas, muitos adeptos desse segmento religioso entendem que podem mentir, trair, prevaricar e até cair em contradição, desde que estejam com a esposa do lado na hora da declaração em modo “quem me conhece sabe”.
Até porque… “é tudo em nome de Deus”, não é mesmo?
O que aprendemos com tudo isso?
Que esse crosdresser maldito de tentativa mal-sucedida de Julia Roberts em “Uma Linda Mulher” estava possuído pelo demônio quando teve essa ideia infeliz.
Também aprendemos que a hipocrisia do pastor consegue ser mais constrangedora do que as roupas que ele veste. E está tudo certo, é normal que seja assim.
Nós somos o que nós fazemos, pois as palavras voam ao vento. E quando revelamos quem realmente somos através de posturas e atitudes, não das palavras ditas durante um sermão.
E o mais importante: quanto mais uma pessoa prega que “o diabo são os outros”, mais essa pessoa está doida para liberar seus demônios internos.
Ou, neste caso em particular, colocar uma peruca, enfiar uma calcinha no rabo e sair por aí, seduzindo caminhoneiros e transeuntes “em nome de uma investigação pessoal”.
Todo mundo podia dormir sem essa.
Mas o pastor queria provar um ponto que só importava à ela.
Que Deus o perdoe por tudo isso.
