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O problemas das férias silenciosas

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A prática de funcionários tirarem folga sem informar a chefia, especialmente em modelos de trabalho remoto e híbrido, é uma nova tendência que se relaciona com o “quiet quitting”.

Cerca de 40% dos Millennials e 24% da Geração Z já fizeram isso, segundo um levantamento do Business Insider com 1.170 americanos empregados. E isso é, literalmente, algo que posso dizer, com toda a tranquilidade do mundo, que entra no modo “no meu tempo, isso não existia”, revelando a minha idade.

Quem sou eu para julgar as regalias das gerações mais novas. Mas sinto que sou o cara que precisa mencionar os problemas implícitos nessa prática laboral.

 

Entendendo as férias silenciosas

Algumas questões implícitas da prática das férias silenciosas são pouco abordadas e até mesmo discutidas entre patrão e empregado, gerando os problemas neste relacionamento empregatício.

A falta de transparência e a possibilidade de microgerenciamento são apenas dois dos pontos que precisam ser encarados como problemáticos nessa relação.

A confiança entre gestor e colaborador começa a se quebrar, já que o patrão não sabe quando o seu funcionário decidiu tirar uma folga do trabalho.

É meio bizarro, mas as gerações mais jovens decidem tirar pausas para descansar “do nada” e sem aviso prévio, deixando os chefes falando sozinho (em alguns casos, literalmente) em boa parte do tempo.

Esse comportamento pode resultar em uma pressão excessiva e potencial desgaste da relação entre empregador e empregado.

 

Efeitos do home office

Dá para dizer que as férias silenciosas são filhas do home office e do trabalho remoto.

Quem trabalha de casa (e posso falar sobre o assunto com enorme propriedade) possui uma maior flexibilidade de tempo, apesar de precisar de uma certa organização pessoal para cumprir com todas as tarefas designadas.

O problema é que os profissionais que estão no remoto decidem também tirar as tais férias silenciosas, afetando negativamente a sua relação com os seus chefes.

Muitos funcionários entendem que, por poderem fazer o trabalho quando querem, podem atender as demandas no tempo deles, que (em regra) não necessariamente é o mesmo tempo da empresa.

Agora, some tudo isso, e assista ao cenário de caos.

 

Como resolver a questão

Com duas palavras bem simples e, ao mesmo tempo, complexas nessa relação (e em outras que não vou mencionar aqui): transparência e comunicação.

Transparência é fundamental. Tanto gestores quanto colaboradores precisam deixar bem claro quais são as regras, objetivos e propostas de trabalho em conjunto, com discussões prévias sobre as folgas, entradas, horário de saídas e ausências.

Nenhum gestor é obrigado a aceitar as férias silenciosas de um funcionário que não se dá ao trabalho de comunicar à empresa que paga o seu salário de que vai dar uma pausa no seu trabalho.

Comunicar ao chefe é o mínimo necessário para garantir uma relação funcional entre todos os envolvidos. Os chefes precisam ser muito claros nas regras, e os funcionários tão claros quanto sobre o seu envolvimento nas empresas.

Por outro lado, essa mesma prática de férias silenciosas pode levar a mudanças no modelo de trabalho, como o retorno obrigatório ao modelo presencial, já que um dos argumentos dos chefes está justamente na procrastinação dos funcionários.

E quem trabalha em modo remoto de forma correta são os prejudicados pelas ações dos “sem noção” que abusam do fato de poder trabalhar com horário mais flexível.

Ou seja, não é por acaso que tem tanta empresa pregando a morte do trabalho remoto e do home office.

As férias silenciosas estão fazendo a cabeça dos gestores de empresas, que não estão gostando nada de serem os últimos a saber das pausas dos seus funcionários.


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@oEduardoMoreira