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Foi um ano de uma importante e necessária transição para a Microsoft e, principalmente, para o Windows Phone. A aquisição da Nokia impôs mudanças na estratégia de uma divisão móvel que está se preparando para o futuro. E é disso que quero falar nesse post: o que esperar da Microsoft em 2015?

A concorrência com o duopólio Android/iOS segue pesado, mas a aposta da Microsoft está centrada em um único nome: Windows 10.

 

Se esqueça do termo ‘Phone’ do Windows Phone

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A Microsoft está avisando a meses que vai fazer mudanças importantes na nomenclatura de sua plataforma móvel. Em setembro, eles abandonaram a marca Nokia para os smartphones, e indicaram que o termo ‘Windows Phone’ também não seria mais utilizado.

Por enquanto, temos que usar o Windows Phone, mas sabemos que isso vai mudar em 2015. Ou seja, nada de Windows Phone 8.2, 9.0 ou 10.0. No lugar, vamos assistir o nascimento do promissor Windows 10, cuja base será compartilhada por todas as plataformas utilizadas pela Microsoft. A filosofia ‘One Windows’ pregada por Satya Nadella será a pedra angular de uma ambiciosa estratégia.

 

Mobile First, Cloud First

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O novo mantra da Microsoft deixa claro como será o futuro da Microsoft. A estratégia agora tem como pilares fundamentais os dispositivos móveis e a nuvem. Essas duas grandes divisões repartem o protagonismo no futuro, deixando em segundo plano aquilo que dá dinheiro hoje (as licenças de software) e as demais divisões de hardware (responsáveis pelo Surface Pro 3 e Xbox).

Os resultados financeiros apresentados no final de outubro mostram que a Microsoft está bem nesse aspecto: US$ 23.3 bilhões de ingressos (contra US$ 18.53 bilhões em 2013), mas com queda sensível nos lucros líquidos (de US$ 5.24 bilhões do primeiro trimestre fiscal de 2014 para US$ 4.5 bilhões do primeiro trimestre fiscal de 2015).

O motivo? Os gastos de reestruturação para assimilar a aquisição da Nokia.

Na divisão mobile, os resultados foram decentes: 9.3 milhões de smartphones com Windows Phone foram vendidos, um aumento de 5.6% – quebrando o recorde de 8.8 milhões de unidades vendidas no mesmo trimestre de 2013.

Um dado curioso: a Microsoft conseguiu crescer na divisão mobile, mesmo com o duro ano de 2014. Os lançamentos de modelos como Lumia 930, 630 ou 530 se somaram aos curiosos Lumia 730/735 e 830, que apostavam no segmento de linha média, o que para muitos não estava clara a sua razão de ser.

 

Modelos top de linha, por favor!

2014 foi um ano bem meia boca para os dispositivos com Windows Phone. Nenhum lançamento mereceu um grande destaque, e a evolução das linhas foi conservadora. Não dava para pedir muito da Microsoft em um ano de adaptação, mas esperamos muito mais da empresa em 2015.

De fato, podemos esperar por modelos muito mais ambiciosos. Dois dispositivos são muito esperados para 2015: o sucessor do quase mítico Lumia 1020 (modelo cujos rumores já aparecem há muito tempo), que pode dar uma nova dimensão ao conceito de fotografia móvel, e um novo modelo top de linha, que seja um substituto definitivo para os atuais Lumia 925/930.

No segundo caso, existe um plano B, porque além de poder oferecer um modelo da linha 9×0, a Microsoft pode anunciar o sucessor do Lumia 1520, phablet muito bem intencionado, e que pode representar uma revolução para a empresa.

Também não podemos nos esquecer dos modelos de entrada. O recém lançado Microsoft Lumia 535 (o primeiro que substituiu o termo ‘Nokia’ por ‘Microsoft) segue a linha do Lumia 520, mas a Microsoft ainda tem um grande potencial para expandir esse segmento.

Não é de hoje que o Windows Phone se mostra um sistema muito fluído mesmo com um hardware mais modesto, e a empresa deveria aproveitar isso tanto com terminais compactos como com phablets acessíveis – na linha do Lumia 1320 -, e avançar nesse conceito que interessa a muita gente.

 

Windows 10 é a grande incógnita

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Porém, os smartphones serão uma parte pequena da equação. 2015 é o ano do Windows 10, uma nova versão do sistema operacional da Microsoft, que vai povoar todos os seus dispositivos e plataformas.

A convergência está garantida através de um núcleo comum a todos os produtos de hardware, onde cada família de dispositivos contará com módulos e componentes específicos para ela. O objetivo: esses aplicativos universais serão uma regra no sistema, e não uma exceção.

Isso vai simplificar a vida dos usuários e desenvolvedores, que poderão acessar a uma loja universal de aplicativos que podem se adaptar às necessidades de cada dispositivo. A interface desses aplicativos deve ser ‘adaptável’, mudando de acordo com o dispositivo que é executado.

A ideia pode ser ainda mais ambiciosa: o smartphone pode se transformar em um PC, literalmente. Conectado ao monitor, um teclado e um mouse, podemos ter acesso à uma seção de trabalho parecida com aquela oferecida por um desktop ou notebook com Windows, e essa pode ser a característica que define de vez o Windows 10, que no papel é muito promissor, mas terá que demonstrar suas virtudes no segmento mobile, e em poucos meses.

 

Conclusão

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O competitivo mercado mobile fez com que hoje em dia seja muito difícil competir com o duopólio Android/iOS. Ainda que as recentes previsões da IDC indiquem para um ganho de cota de mercado pelo Windows Phone nos próximos anos, pode ser que esse crescimento não seja aquele que a Microsoft espera.

Com isso, a empresa pode ficar sozinha na fabricação de dispositivos com Windows (Phone), já que os demais fabricantes podem preferir apostar no Android, que é sinônimo de lucratividade garantida. A Microsoft recentemente levou um golpe com a decisão da Huawei em abandonar a fabricação de dispositivos com o seu sistema operacional, e outros fabricantes podem repetir o mesmo no futuro.

Isso é algo que a Microsoft precisa trabalhar, e rápido. As intensões parecem claras: a gratuidade da plataforma para dispositivos com tela abaixo de 9 polegadas e os acordos com vários fabricantes devem impulsionar o catálogo de dispositivos. Por outro lado, poucas novidades sobre esses movimentos apareceram na mídia, onde a de maior destaque é a aparição de um atraente HTC One M8 for Windows Phone.

Está é uma das chaves do futuro de uma Microsoft que aposta ambiciosamente no mercado mobile. Vamos ver ao longo de 2015 se a aposta foi certeira ou não.