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O que acontece quando 10 adolescentes trocam o smartphone por um celular básico

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Não é de hoje que estamos falando de tempos em tempos sobre a dependência das pessoas aos smartphones, principalmente nos mais jovens. É esse o grupo etário mais envolvido com as redes sociais e comunicadores instantâneos.

A BBC conduziu recentemente um experimento onde adolescentes substituíram seus smartphones por telefones básicos por cinco dias. Os resultados mostraram melhorias na sociabilidade, redução da ansiedade e aumento da qualidade do sono entre os participantes.

Ou seja, não precisa ir muito longe para compreender que precisamos rever com urgência a nossa relação com os dispositivos eletrônicos, e esse estudo é mais uma prova disso.

 

Precisamos de dopamina para combater o FOMO

A constante necessidade de buscar estímulos nos smartphones leva à dependência das notificações e ao uso compulsivo das redes sociais. Isso é impulsionado pela liberação de dopamina no cérebro, criando um ciclo de recompensa e satisfação temporária.

Plataformas que adotaram o formato de feed com conteúdo infinito (como são o TikTok e o Instagram) atuam como autênticos fornecedores de drogas para os usuários. As pequenas doses de satisfação de conteúdos virais o tempo todo faz com que todos fiquem presos nessa dependência, em busca do maior tempo possível com pequenas doses de felicidade artificial.

Essa dependência tem um efeito colateral.

O medo de perder algo importante (FOMO) é um fenômeno crescente entre os usuários de smartphones, principalmente entre os jovens. Este comportamento se manifesta na verificação compulsiva de notificações e atualizações, gerando ansiedade e interferindo nas atividades diárias.

Estudos mostram que adolescentes são especialmente vulneráveis aos efeitos negativos do uso excessivo de smartphones. Essa exposição constante aos conteúdos virais nas redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas pode aumentar a ansiedade, prejudicar o sono e reduzir o bem-estar geral.

E estudos como esse conduzidos pela BBC mostram claramente que essa questão precisa ser melhor trabalhada entre os adolescentes e até mesmo com os adultos, pois não são poucas as pessoas com 25 anos ou mais com os mesmos sintomas de dependência das redes sociais.

 

Redescobrindo o mundo offline

O estudo da BBC concluiu que, sem acesso às redes sociais e aplicativos, os adolescentes redescobriram atividades offline e passaram mais tempo em interações presenciais. Os momentos de lazer na vida real e tarefas que estimulam o criativo foram destacados como benefícios significativos da desintoxicação digital.

Estudos científicos amplos corroboram os resultados observados pela BBC, destacando a importância de limitar o uso de smartphones para melhorar a saúde mental. Intervenções como a redução do tempo de tela são recomendadas para minimizar os impactos negativos na vida dos adolescentes.

Na prática, é possível observar que um grupo considerável de adolescentes ao redor do mundo (incluindo no Brasil) estão buscando os seus próprios meios de desconexão do mundo digital.

A volta das câmeras fotográficas compactas e o aumento de popularidade dos celulares básicos são dois indícios dessa transformação de comportamento.

É possível perceber que os adolescentes estão fazendo isso não apenas para redescobrir a tecnologia e abraçar o movimento retrô no mundo tech. Também o fazem para receber uma menor pressão das plataformas digitais.

E não estão errados em buscar uma maior saúde mental do seu próprio jeito.


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@oEduardoMoreira