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De acordo com o dicionário:

Censura
substantivo feminino

1.
ação ou efeito de censurar.
2.
análise, feita por censor, de trabalhos artísticos, informativos etc., ger. com base em critérios morais ou políticos, para julgar a conveniência de sua liberação à exibição pública, publicação ou divulgação.

 

De acordo com a Wikipedia (que nem é a melhor fonte de informação desse mundo, mas nesse caso está valendo):

Censura é a desaprovação e consequente remoção da circulação pública de informação, visando à proteção dos interesses de um estado, organização ou indivíduo. Ela consiste em toda e qualquer tentativa de suprimir a circulação de informações, opiniões ou expressões artísticas.

 

Já que as definições são semelhantes, eu posso entrar no tema.

Uma coisa que é importante deixar muito clara é que você tem o direito de consumir DENTRO DA SUA CASA o que quiser, e até mesmo IMPOR AOS SEUS FILHOS O QUE ELES DEVEM VER. É direito seu, está na Constituição Federal, e até acredito que é a sua obrigação em alguns casos, pois você é o responsável direto pela criação e educação do seu filho. Se você vai criar os seus filhos da forma certa ou errada, é muito mais um problema seu do que do estado.

Agora…

Você querer me dizer o que eu devo ou não ler, assistir ou consumir? Aí não, queridão! Você está pensando que você é quem? Tá pra nascer quem vai tirar de mim o direito legítimo de consumir pornografia, literatura homo-afetiva, assistir novela da Globo e, em alguns casos, ouvir um CD do Los Hermanos e gritar em alto e bom som as letras “motivadoras” do álbum Bloco do Eu Sozinho!

E se você não tem o direito de se meter no conteúdo que eu vou consumir, que dirá o estado!

O estado tem que servir ao povo, e não o povo se curvar ao estado. A partir do momento em que o estado quer tapar a boca de alguém, comece a se questionar sobre os motivos, pois o estado só vai censurar aquilo que pode incomodar, ofender ou ameaçar ao próprio estado. E não ao povo.

Em pleno 2019, vivemos em um país onde, de forma assustadora e ameaçadora, a censura volta a ganhar força. E uma boa parte da população pseudo conservadora (mas, na prática, um bando de hipócritas que fazem um monte de imoralidades por debaixo dos panos) apoia a ação do estado nessa censura.

E eu não estou falando apenas de HQs da Marvel que sofrem de ameaça de exclusão de uma Bienal. Exposições de charges, literaturas com um discurso de crítica severa ao atual governo, obras audiovisuais cujo plot principal é a diversidade sexual, palestras e cursos sobre ideologia de gênero e tantas outras narrativas que, antes de qualquer coisa, pregam a compreensão do diferente.

Sinceramente? Pra mim, já deu.

Não dá mais para aceitar o brasileiro médio querendo cagar regra na cabeça dos outros, impondo pensamentos autoritários e retrógradas, com um discurso que impõe o atraso cultural, social, filosófico e moral do coletivo. Não dá mais meia dúzia de gente atrasada querendo dizer o que o coletivo deve ou não ler, assistir ou consumir.

Eu não vivi até aqui para ver pessoas que deveriam estar cuidando da própria vida atuando como palmatória da vida alheia. As mesmas pessoas que furam fila de banco, deixam carrinho de supermercado no estacionamento, traem os seus maridos brochas ou que transam com as amigas das filhas porque assistiram Beleza Americana em 1999.

Do que depender de mim, todas as tentativas de censura serão duramente denunciadas e castigadas. Precisamos nos livrar desse câncer ideológico que tenta contaminar a população. O estado não vai dizer o que devemos ou não ler, assistir ou consumir. Essa decisão é nossa. Ao mesmo tempo, nenhum pai babaca vai me dizer se eu devo ou não escrever ou comentar sobre coisas que ele não quer que o seu filho leia. Se você não dá conta de dar educação e princípios (certos ou errados – de novo, o problema é seu) para o seu filho, a culpa não é minha, não é da mídia e nem da banda Los Hermanos.

A culpa é só sua, seu pai incompetente!

Estamos em 2019. Não em 1964.

Censura? No Brasil?

NUNCA MAIS!


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