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Está difícil para algumas pessoas entenderem o que significa o termo “negacionismo”. Então, como sou um cara legal, lindo, gentil e, principalmente, modesto (percebam o sarcasmo de alguém que está desesperadamente tentando inflar a própria autoestima a todo custo), decidi explicar com exemplos práticos do dia a dia o que esse termo realmente significa para cada um de nós.

 

 

 

O QUE É NEGACIONISMO?

 

É quando você encontra a sua linda mulher, sugestivamente de quatro e languidamente nua, sendo possuída da forma mais depravada possível pelo negão que trabalha como auxiliar de pedreiro na reforma que você mandou fazer na sua casa (aliás, parabéns pelo bar americano que levou oito meses para ficar pronto…), cujo apelido é Motumbo, em uma cena que faria inveja a qualquer filme pornô que você assiste escondido da esposa e, com um acesso de revolta, você manda embora o sofá onde o casal praticava o ato.

É quando você acredita cegamente que o seu filho aborrecente, feio que dói (que mais parece uma placenta cagada), afirma para você que “pegou metade das mulheres do condomínio”. Esse mesmo filho que você acredita ser um “gênio brilhante e incompreendido”, mas que não passou de ano na escola por ser burro a ponto de não conseguir amarrar os cadarços dos tênis ou fritar um ovo.

É quando você acredita que aquele amigo que está passeando para tudo quanto é lugar com a sua esposa é “apenas um amigo especial, alguém com quem ela pode se confessar, um ombro amigo para chorar”.

É quando você vê o quinto gol da Alemanha em 29 minutos do primeiro tempo e grita, em plenos pulmões, exalando aquele bafo de cerveja quente misturada com a cachaça “Lágrimas de Belzebu” e quase entrando em coma alcóolico por causa dessa combinação indigesta: “Vai, Brasil! Vamos virar essa p***ra! Vai, Fred! Confio em você!”.

É quando você sabe que ficou impotente por causa de problemas cardíacos, diabetes ou diversas DSTs que adquiriu na vida, mas acredita cegamente que o seu carro conversível ano 1993, sua camisa pólo com cavalinho, seu penteado cheio de gel fixador e a colônia que você colocou até no saco vão convencer qualquer mulher a ignorar o fato que você não passa de um velho de 73 anos que só sabe dizer “no meu tempo é que era bom”.

É quando você acredita que a sua esposa, depois de 45 anos de casamento, ainda sente tesão por você, e ignora que ela está de olho no caixa de supermercado, aquele cara negro de 20 e poucos anos que você desprezou nas compras do mês de março, mas que, curiosamente, tem o apelido de Denzel, por ser a cara do ator (e sua esposa é muito fã do Denzel Washington).

É quando você não se importa com mais nada a não ser com o seu umbigo horroroso, fruto de uma barriga estufada de velho que bebeu cerveja a vida inteira, e não consegue enxergar a realidade ao seu redor, pois a fantasia que você vive coloca você em uma bolha (ou em um apartamento no Leblon).

É quando você se recusa a enxergar que está caindo um avião Boeing por dia no Brasil, e que o próximo a entrar no avião da morte pode ser você. Ou a sua esposa. Ou um dos seus filhos. Ou até mesmo a sua netinha, uma das últimas fontes de alegria nessa sua vida miserável e patética.

É quando você deixa de ter empatia com quem está em uma situação pior do que a sua, porque respeito é uma palavra que não faz parte do seu dicionário. É quando você é tão burro, que não percebe que a ciência sabe mais que você. É quando esfregam merda na sua cara, e você acredita que é chocolate meio amargo.

É quando você acredita que tudo o que está acontecendo agora “é só uma gripezinha”. É quando você pensa em fazer churrasco durante uma pandemia. É quando você não usa máscara facial e se mete em aglomerações. É quando você não sente a dor daqueles que perderam as pessoas que amam por causa de um vírus que não pode ser controlado.

“Negacionismo” é uma doença pior do que a COVID-19. É a ignorância humana em estado bruto.

Desculpa. Era para ser engraçado. Mas não consigo ter humor com tanta gente imbecil me irritando!


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