
Quando vi o preço do Galaxy Z Fold8 Ultra na sua versão de 1 TB no Brasil, alguns gatilhos inevitáveis vieram à tona. Afinal de contas, vamos combinar que a grande maioria dos brasileiros passa bem longe de contar com R$ 20 mil livres para investir no dispositivo.
Algumas reflexões vieram à mente.
Fiquei pensando no que isso representa no dia a dia de quem ganha em real. Em como esse dinheiro poderia fazer uma enorme diferença na renda mensal do trabalhador médio, que tenta sobreviver com dois salários-mínimos por mês aqui no Brasil.
Ou no meu caso, que ganha um pouco melhor do que isso, mas que poderia investir pesado em tecnologia de ponta para produzir mais e melhor para quem acompanha meu conteúdo.
No parcelado, o Galaxy Z Fold8 Ultra de 1 TB pode sim ter o custo de um salário-mínimo por mês para ser pago em um ano. E em apenas um smartphone.
R$ 20 mil passa bem longe de ser um valor simbólico. É o preço de uma moto zero quilômetro ou de uma entrada num imóvel modesto.
E olha que eu adoro tecnologia, mas esse tipo de cifra me faz parar e avaliar se a novidade realmente vale o esforço financeiro.
Só existe uma forma de descobrir a dimensão dessa aventura financeira: tentando descobrir o que é possível comprar com o valor cobrado por esse produto no Brasil.
A primeira impressão que fica
Percorri fóruns e comentários de canais especializados em tecnologia no Brasil, e vi que não estou sozinho nessa estranheza.
O que mais aparece é um tom de sarcasmo nos comentários, pois nessas horas, é melhor fazer piada do que protestar contra o preço absurdo na Paulista. O pessoal compara o aparelho a bens muito mais tangíveis, como uma CG 160 ou até um Celta usado.
Parece que, para o consumidor brasileiro, a ideia de desembolsar tudo isso num único equipamento que pode amassar ou arranhar com o uso comum, soa quase como loucura.
E, na verdade, é bem louco mesmo. Mas se você acredita que vale a pena gastar R$ 20 mil no Galaxy Z Fold8 Ultra, vá em frente.
Quem sou eu para te impedir?
O receio que todo mundo compartilha

E não é só o preço de entrada que assusta.
A diferença de quase cinco mil reais entre o modelo de 1 TB e as versões com menos memória é algo que me soa como puro exagero. Serviços de nuvem resolveriam a hipotética escassez no espaço de armazenamento por fração desse custo.
Tudo bem, estou falando de uma realidade em que o dinheiro não é um problema para quem vai comprar.
Mas certamente é algo um pouco mais racional considerar a compra do Galaxy Z Fold8 Ultra com 512 GB de armazenamento. Ele entrega exatamente a mesma experiência de uso que você vai encontrar no modelo com 1 TB.
Fora que a tela dobrável, com aquela película e a dobradiça que, goste você ou não, pode se quebrar ou se desgastar com o tempo, me faz imaginar o sufoco quando der problema depois da garantia.
Lembrando sempre que o reparo desse dispositivo custa mais de R$ 4 mil. É dinheiro demais para um coração que bate mais rápido a cada abertura e fechamento.
O que eu prefiro fazer com o mesmo dinheiro

Pensando melhor, com esse orçamento eu montaria um conjunto muito mais seguro e produtivo. Mas leve em consideração que sou pobre, e estou brincando de investir com o dinheiro dos outros.
Eu pegaria um celular top de linha comum, como um Galaxy S25 Ultra com 512 GB de armazenamento, que tem câmera excelente e S Pen, mas sem o risco mecânico do dobrável. Até posso considerar um Galaxy S26+, só para pegar um modelo mais atualizado.
Juntaria o novo smartphone com um notebook ultrafino com boa bateria, para o meu trabalho diário com produção de conteúdo. E um tablet para ler, armazenar as minhas partituras e rabiscar documentos maiores.
E ainda sobraria grana para um bom fone com cancelamento de ruído e um relógio inteligente. Ou seja, um ecossistema completo que, não necessariamente, seria da Samsung.
Muito provavelmente investiria em produtos de diferentes marcas para compor esse combo tech.
Cada coisa no seu lugar, sem depender de uma peça única que, se falhar, me deixa a ver navios.

Se a ideia for trabalhar pesado (editar vídeo, programar ou desenvolvimento de software), aí que a aposta no Galaxy Z Fold8 Ultra de 1 TB perde força de vez.
Com o mesmo valor, dá para comprar um notebook gamer ou workstation com placa de vídeo dedicada, um monitor ultrawide enorme, um celular bom e ainda acessórios ergonômicos de primeira linha.
A produtividade real, no fim do dia, está em cada ferramenta fazer bem o que se propõe, e não em tentar juntar tudo numa tela de oito polegadas.
O que realmente importa (para mim)
Não produzi este artigo para advogar contra um excelente smartphone. Mas preciso oferecer um pouco de racionalidade para o preço do produto.
Reconheço que o Z Fold8 Ultra tem seu apelo para quem quer status ou adora ser o primeiro a testar novidades. E não vou negar que gostaria de ter um smartphone dobrável para chamar de meu.
Mas, para mim, que preciso que cada real conte, a conta não fecha. A desvalorização é alta e o risco de defeito, preocupante.
Prefiro espalhar o investimento em vários equipamentos que, juntos, entregam mais segurança e desempenho no dia a dia. E se fosse para comprar um dobrável da Samsung hoje, minha escolha seria o novo Galaxy Z Fold8, com formato passaporte.
É um modelo que me atrai mais pela proposta. E, mesmo assim, seu preço está bem salgado para a minha realidade.
No fim, gastar quase R$ 20 mil num celular parece mais um luxo emocional do que uma escolha racional.
E, pelo menos no meu caso, a razão ainda pesa mais.
