Não existe almoço grátis. Nunca existiu, e nunca vai existir. Alguém sempre vai pagar a conta. E você já deveria saber disso. Ou até sabe. Mas… você, que está no fundo da fila e tenta passar na frente dos outros com um carrinho de compras em um local onde só aceitam cestinhas com até 15 itens… esse post é para você.

Eu acompanhei de longe o “caso Bettina”, a moça da propaganda da Empiricus que acabou viralizando no YouTube pela proposta mais que tentadora para muita gente e pelo insuportável abuso de veiculação da mesma no YouTube. Na ação, Bettina afirma (palavras dela, não minha) que é possível transformar R$ 1.520 em R$ 1 milhão. Até porque ela fez isso aos 22 anos de idade. E investindo pouca grana. E em tempo recorde.

A Bettina não é uma traficante de drogas, nem é filha de algum político famoso, muito menos e stripper/prostituta de luxo no Leblon. Ela é uma garota aparentemente comum, que decidiu seguir os passos da Empiricus. E tudo leva a crer que, se uma garota comum como a Bettina consegue ficar milionária com um investimento baixo e em pouco tempo, qualquer mero mortal consegue.

Não é bem assim. Não existe almoço grátis, eu insisto. Alguém tem que pagar a conta.

Nesse caso, a própria Bettina e a Empiricus terão que pagar.

A Fundação Procon de São Paulo vai multar a Empiricus em nada menos que R$ 9 milhões por propaganda enganosa, uma vez que a fundação entende que a campanha pode induzir o consumidor ao erro, pois nem mesmo o melhor curso de educação financeira do mundo poderia oferecer tal perspectiva de lucro ou renda em tão pouco tempo e com tão baixo investimento.

A Empiricus quer vender o mundo perfeito. Algo que, como bem sabemos, não existe.

Mas o que mais chama a atenção nessa história é que o cenário promovido pela Empiricus só reforça algumas teorias que eu tenho sobre o brasileiro médio.

Não me entenda mal. Eu amo dinheiro. Gosto de ganhar dinheiro e gastar dinheiro. Eu sou um capitalista convicto. Se eu pudesse, eu morava em um shopping center, sem o menor pudor. Eu sou feliz sendo um consumista.

Porém, eu tenho plena consciência que eu só consigo dinheiro para gastar se eu trabalhar. E trabalhar MUITO. Eu fico pelo menos seis horas por dia na frente do computador, digitando posts que contam com pelo menos 300 palavras (a não ser que seja uma hard news, que é bem mais curta), e isso demanda tempo da minha vida. Por outro lado, o tempo me ensinou a dar valor ao trabalho e ao dinheiro que eu recebo em função dele.

Por outro lado, eu entendo que casos como a da Empiricus só existem porque tem muito brasileiro por aí achando que pode ganhar dinheiro “do nada”, na maciota, na maior facilidade. Nem traficante de drogas consegue dinheiro fácil. Tudo bem, você pode até argumentar que a oferta em si era de um curso de educação financeira. Porém, eu repito que nenhum curso pode garantir o enriquecimento fácil e na escala apresentada do caso Bettina.

Obviamente, a campanha só existiu para enganar os trouxas que acham que são espertos por entenderem que podem enriquecer rapidamente e com o menor esforço.

Achou errado, otários!