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O saldo final da Copa do Mundo de Clubes

Então vocês acharam MESMO que eu ia ficar calado sobre o título mundial do Chelsea?

Francamente, vocês me subestimam.

A única razão pra esse vídeo não ter saído antes é que eu estava ocupado — sim, com música, em Florianópolis, como todo cidadão multitarefa com bom gosto.

Vi o jogo em VT e estou aqui para cornetar sobre essa vitória do Chelsea sobre o todo poderoso PSG na final dessa primeira edição da Copa do Mundo de Clubes que, para surpresa geral, deu certo.

Muito certo, aliás.

 

Vitória surpreendente

Nem o mais otimista torcedor do Chelsea acreditou que seria dessa forma: com um 3 a 0 contundente em cima do melhor time de Europa na temporada.

E podem agradecer ao Botafogo por isso.

Aquele 1×0 do Glorioso contra o PSG parece ter dado um nó na cabeça dos franceses — e um mapa para os ingleses.

O Chelsea estudou aquele jogo e repetiu a fórmula do Botafogo para vencer o PSG: marcação alta, sufoco na saída de bola, e contra-ataque afiado como faca de churrasco no domingo.

Cole Palmer foi eleito (e com justiça) o melhor jogador do torneio, e sua atuação na final coroou isso.

Por outro lado, o Paris Saint-Germain meio que sentiu a temporada mais longa, o calor anormal em Nova Jersey e a intensidade do jogo.

Não dá para culpar o Luis Enrique nessa. O cara montou um time competitivo, fez uma fase final de Champions Legue espetacular e só tomou um gol até a final dessa Copa do Mundo.

E é aqui que entra a zica botafoguense.

Vocês vão dizer que é coincidência, mas depois daquele jogo contra o Botafogo, o PSG só desandou na final.

 

Chelsea teve dopping psicológico

A imprensa mundial, como sempre, fez o papel de fã-clube europeu: pintou o PSG como favoritíssimo, e o Chelsea como coadjuvante simpático.

Os ingleses decidiram levar a final a sério, e amassaram o PSG em campo.

Passar por Palmeiras e Fluminense deu ao Chelsea uma perspectiva diferente do torneio, e o time passou a jogar como se fosse a Premiere League.

Já o PSG, por sua vez, tirou o Real Madrid em reconstrução, e isso pode ter modificado a real percepção sobre o desempenho do time francês para a final.

 

Saldo positivo para os brasileiros

O Brasil mandou bem na Copa do Mundo de Clubes.

Artilharia recheada de brasileiros — 31 gols marcados por pés verde-amarelos, os quatro times passando para a fase final, com pelo menos um representante nas semis.

O continente europeu até se doeu, porque o Brasil meteu quatro representantes no torneio. E por que isso? Porque ganhou a Libertadores quatro vezes seguidas.

Simples.

O problema é que agora a FIFA vai ter que explicar direitinho esse critério, já que o Brasil basicamente monopolizou a brincadeira. Mas Gianni Infantino está rindo até agora de tudo isso, e parece não estar preocupado com a chiadeira europeia.

O torneio gerou rios de dinheiro. Ingressos esgotados, transmissões globais, patrocínios enormes.

Deu tudo certo.

A Copa do Mundo de Clubes da FIFA funcionou. Doeu pros europeus, mas funcionou. E mais: vai deixar saudade.

O futebol brasileiro se destacou. A torcida deu show. E até as tretas nos estádios foram moderadas (com uma ou outra exceção, claro, porque isso é Brasil).

E o mais curioso: o torcedor que foi assistir nos EUA fez um carnaval digno de final de Libertadores.

Vai que a próxima edição vem pro Brasil. Temos estádios prontos desde 2014. A Copa Feminina de 2027 já é nossa. Nada mais lógico do que usar a estrutura, aquecer a economia e receber de braços abertos a versão testosterona da competição.

Parabéns, Chelsea. O título foi merecido. Principalmente pelo futebol jogado na reta final. Quando precisou, jogou sério. Esqueceu a pose, esqueceu o status, e virou time competitivo. E aí, meu amigo, nem o PSG resistiu.

Fim de papo. Copa do Mundo de Clubes: sucesso.

E que venha a próxima edição. De preferência aqui, com caipirinha, pão de queijo e torcedor gritando no ouvido de europeu mimado.

A FIFA acertou a mão, por incrível que pareça. O torcedor aprovou. Até os clubes europeus — que andavam torcendo o nariz pra esse torneio — agora vão ter que engolir seco.

Porque vai ter mais. Muito mais.

E se vai ser no Brasil? Quem sabe.

Boatos existem, especulações também, e como todo bom brasileiro, a gente torce pra que venha, nem que seja só pra ver gringo suando em Manaus.