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A BlackBerry sempre foi sinônimo de excelência em segurança nos dispositivos móveis. Suas soluções não eram utilizadas por altos executivos e chefes de estado apenas pelo design compacto e teclado físico QWERTY muito confortável, mas sim porque garantia uma proteção considerada vital para as informações dessas pessoas.

Dois exemplos disso? Pois não: na ocasião do vazamento dos dados da Sony, executivos e funcionários da empresa pegaram os seus velhos e empoeirados BlackBerrys das gavetas e estoques da empresa para estabelecerem uma comunicação mais segura. Além disso, todo mundo sabe que o smartphone preferido do presidente dos Estados Unidos Barack Obama é um BlackBerry.

Porém, o tempo passou, e BlackBerry não viu o tempo passar. Ficou para trás, onde o Android e o iOS dominaram o mercado. Em especial, o sistema da Apple conseguiu se estabelecer como solução corporativa mais interessante e completa, mesmo não oferecendo uma segurança de dados tão eficiente. Agora, os canadenses tentam de todas as formas um espaço no mercado, especialmente no mercado empresarial, que era o que eles dominavam há 10 anos.

O “tiro de misericórdia” da BlackBerry é o BlackBerry Priv, o primeiro smartphone da empresa com o sistema Android, mas que está customizado com as suas soluções de segurança. Eles esperam dessa forma atrair de volta a atenção daqueles usuários que buscaram uma plataforma mais universal, com um maior arsenal de aplicativos.

John Chen, CEO da BlackBerry, tem pressa nesse lançamento. E ele tem razão. O BlackBerry Priv está chegando ao mercado bem tarde. Esperar até 2016 pode ser um problema ainda maior para os canadenses. E esse problema só fica pior com o lançamento do Blackphone 2.

Blackphone 2-01

O Blackphone 2 vem da relativamente desconhecida Silent Circle, e apesar de ser apenas o segundo smartphone da empresa, ela já faz barulho por também oferecer uma proposta de smartphone Android 100% seguro. O dispositivo usa o sistema operacional Silent OS, um fork do Android compatível com a Google Play, cujo principal predicado é oferecer diferentes perfis de uso, cujos dados não se cruzam em momento algum, além de soluções complementares de proteção de dados.

A BlackBerry ofereceu algo semelhante no BlackBerry OS, lançado ainda nessa década, mas que não vingou, apesar de oferecer uma compatibilidade com aplicativos Android (através de um port via software). Os canadenses entenderam que as pessoas queriam mesmo usar o Android, e não soluções adaptadas. E eles decidiram apostar naquilo que eles já tinham como diferencial: a segurança de dados.

Mas agora, a BlackBerry não está sozinha. O Blackphone 2 pode não ter o mesmo potencial de distribuição da empresa de Waterloo. Por outro lado, o porte das duas empresas hoje no mercado é semelhante. A visibilidade da BlackBerry é maior por conta dos anos de tradição, mas já está mais que provado que a fidelidade dos seu usuários acabou a algum tempo. Logo, nada impede que uma marca menor ocupe o seu espaço em uma batalha direta.

De qualquer forma, temos duas empresas se enfrentando em um propósito muito específico: oferecer a segurança máxima em smartphones Android. Bem sabemos como o sistema da Google e suscetível às diversas ameaças de software. Se uma delas vai alcançar esse objetivo, é cedo para dizer. Mas se conseguir, consegue um filão de mercado que não deve ser desprezado jamais.