Inimigo do meu inimigo é meu amigo!

Foi mais ou menos assim que o Spotify pensou quando decidiu se unir à Samsung para expandir a sua presença nos dispositivos móveis e inteligentes. E o alvo não poderia ser outro: a Apple, e o seu Apple Music.

A Apple queria o mercado do Spotify e neutralizar o crescimento da Google Play Music. Mas em três anos, o Spotify cresceu exponencialmente, porém, com menos da metade de seus usuários como pagantes. Para sustentar o seu crescimento, entrou para a bolsa e obteve um sócio estratégico, a Samsung, em um “acordo a longo prazo”.

A seu favor, o Apple Music vem pré-instalado em milhões de smartphones, algo que o Spotify vai neutralizar (em partes) com os dispositivos Samsung Galaxy. E essa é uma vantagem valiosa para quem souber adotar tal estratégia. Vide a Google, que domina vários segmentos integrando seus aplicativos em milhões de smartphones (mapas, e-mails, busca, browser, etc).

Todo mundo sabe que os smartphones da família Galaxy são os mais vendidos do mundo (mais de 300 milhões de unidades vendidas em 2017), e o acordo com o Spotify se estende a todos os dispositivos da empresa. O que será ótimo para o serviço de streaming.

Porém, muitos se perguntam: por que não uma parceria com o YouTube Music?

A resposta: grana.

Samsung e Google vivem entre tapas e beijos. Hoje, o casamento vai melhor do que nunca, mas uma parceria com o YouTube Music poderia não ser um elemento singular para os coreanos, e o Spotify parece ser uma opção mais flexível e de maior reputação. Afinal de contas, é uma referência dentro dos serviços de streaming de músicas.

Os detalhes do acordo não foram revelados, mas podemos imaginar que os dois lados estão bem satisfeitos com essa parceria. Se um terço dos novos usuários (e estou contando apenas os novos usuários, e não aqueles que já contam com um smartphone) da Samsung aderirem ao Spotify, já são aproximadamente 100 milhões de novos ouvintes. Se um terço deles se tornarem pagantes (não precisa nem ser quase a metade, como acontece hoje), já são mais 33 milhões de usuários pagando para ouvir música.

É… as chances dessa parceria dar errado são pequenas. Bem pequenas.