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O Zenfone morreu, e foi melhor assim

Algumas coisas precisam morrer para que outras possam nascer. Esse é o ciclo da vida e, no mundo da tecnologia, isso não é diferente. Mesmo que isso represente o fim de duas linhas de smartphones, o que não deixa os fãs da ASUS muito contentes.

A fabricante taiwanesa anunciou oficialmente o encerramento de sua divisão de smartphones, atingindo tanto a família Zenfone quanto a linha ROG Phone voltada para gamers. O presidente da empresa, Jonney Shih, confirmou que não haverá mais lançamentos de novos modelos de celulares no futuro.

A essa altura dos acontecimentos, qualquer pessoa antenada sobre o mundo da tecnologia já fez as contas, e pensou: “a culpa é (de novo) da inteligência artificial”. Mas há quem diga que essa morte da ASUS na telefonia móvel aconteceu em nome de um “bem maior”.

 

Fim de um ícone (para muita gente)

A família Zenfone era conhecida por oferecer especificações topo de linha e uma interface semelhante à dos dispositivos Google Pixel. Apesar da qualidade técnica dos produtos, a linha nunca conseguiu alcançar sucesso comercial significativo no mercado de smartphones.

De fato, modelos como o Zenfone 3, Zenfone 5 e até o compacto Zenfone 10 foram muito elogiados por serem dispositivos bem completos e ajustados aos seus respectivos preços. Porém, nunca chegaram perto de convencer o grande público a abandonar marcas maiores como Samsung, Motorola e Xiaomi.

Os usuários atuais de dispositivos ASUS permanecerão cobertos pela garantia e suporte técnico da fabricante. A empresa garantiu que continuará oferecendo assistência para os celulares já existentes no mercado, mesmo sem planos para novos lançamentos.

 

Por que a ASUS fez isso?

A decisão estratégica busca redirecionar os recursos da companhia para áreas emergentes de inteligência artificial. A receita do grupo com servidores de IA dobrou as expectativas, sinalizando um caminho mais promissor do que o mercado de smartphones.

As principais beneficiadas pelo fim da linha Zenfone serão as divisões de robótica e óculos inteligentes da ASUS. A empresa identifica nestes segmentos oportunidades maiores de crescimento e inovação com base em tecnologias de inteligência artificial.

Na prática, a ASUS está fazendo o que é melhor para ela, indo para os setores mais lucrativos da tecnologia e apostando no que sabe fazer de melhor. O problema é que os clientes de smartphones perdem mais uma alternativa para sair do lugar comum estabelecido pelas marcas que permanecem no mercado.

 

Uma competição cada vez mais fechada

O movimento da ASUS reflete a dificuldade de competir no mercado de smartphones dominado por gigantes como Google, Samsung e Apple. Com o Android sendo distribuído pelo Google e o Gemini se consolidando como referência em IA móvel, sobra pouco espaço para fabricantes menores se destacarem.

Samsung e Apple dominam o setor de telefonia, e outras marcas de smartphones não conseguem furar esse duopólio. A Motorola resiste com a Lenovo, a Xiaomi virou uma potência e a Huawei dominou o seu mercado local.

Do mais, nada mais para as demais.

O negócio de telefonia móvel sempre representou uma parcela muito pequena da estratégia geral da ASUS. Os smartphones da marca eram produtos de nicho que nunca conquistaram efetivamente o público em massa, justificando a decisão de abandonar este mercado.

 

Outros setores que a ASUS pode conquistar

Uma vez que os recursos vão para os setores computacionais e de inteligência artificial, existem outros campos em que a ASUS pode avançar na relevância e lucratividade, o que pode garantir para a empresa uma sustentabilidade financeira de longo prazo.

O mercado de óculos inteligentes apresenta condições mais favoráveis para novos competidores. Enquanto Meta e Google desenvolvem suas próprias soluções, ainda existe espaço para empresas que queiram criar tecnologias proprietárias neste segmento.

A robótica emerge como outro campo de batalha promissor para a ASUS investir seus recursos. O setor apresenta competição intensa, mas oferece mais oportunidades de diferenciação do que o saturado mercado de smartphones.

Ou seja, pode ser triste o fim das linhas Zenfone e ROG Phone para os fãs das marcas e, principalmente, para quem investiu dinheiro nos dispositivos e, infelizmente, viram o seu dinheiro sendo desvalorizado pela empresa.

Por outro lado, é digno de se perguntar: “o quão popular era a linha Zenfone entre os usuários de smartphones?”.

Pensando de forma fria e racional, foi melhor assim.