Compartilhe

Eu tenho uma pergunta.

Por que diabos o brasileiro médio está discutindo a credibilidade de um jornalista vencedor do Prêmio Pulitzer de jornalismo?

Muito provavelmente porque o brasileiro médio entende tanto de jornalismo, que procura se informar com a tia do ZapZap. O mesmo brasileiro médio que, não satisfeito em se informar por fake news, compartilha as mesmas fake news de forma livre, indiscriminada e despudorada.

A esmagadora maioria das pessoas que vivem no país chamado Brasil não faz a mais vaga ideia sobre qual é o principal objetivo do jornalismo. Muita gente ignora casos como Watergate, Panama Papers, WikiLeaks. Nem mesmo se preocuparam em assistir filmes sobre o assunto. Filmes que poderiam ser a desculpa dos mais preguiçosos ou analfabetos funcionais.

Logo, o brasileiro médio quer vir cagar regra sobre o que é ou não jornalismo? Ah, dá um tempo!

Só hoje eu vi o Roda Viva com o jornalista, advogado e vencedor do Prêmio Pulitzer Glenn Greenwald. Independente do meu posicionamento político, eu posso falar com propriedade sobre tudo o que ele disse sobre o papel do jornalismo na sociedade. Afinal de contas, eu escrevo sobre o mundo da tecnologia há 11 anos, e os princípios básicos sobre a relação com a informação e a relevância dessa informação são os mesmos.

E eu concordo com Glenn em 100%.

No jornalismo, duas perguntas são fundamentais para publicar uma informação:

 

 

1) Ela é autêntica?

Ou seja, ela vem de fontes confiáveis e todas as verificações foram feitas para comprovar se aquilo que será divulgado é a verdade.

 

 

2) Ela é de interesse público?

Ou seja, aquela informação é fundamental para todas as pessoas, para assim estabelecer os fatos como eles são para o grande público.

 

 

Trazendo a questão para o mundo da tecnologia.

Quando o Evleaks publica imagens oficiais de um produto que ainda não foi lançado, ele respondeu SIM para as duas perguntas levantadas. O material é autêntico, e é de interesse público.

Agora, você acha que aqueles que compartilharam as imagens oficiais com ele não cometeram (no mínimo) uma quebra de acordo de sigilo com o fabricante, antecipando informações antes do anúncio oficial?

Olhando para um viés mais sério: a fonte pode muito bem ter roubado o material promocional, e compartilhado com o Evleaks. Certo?

Alguém questiona sobre as práticas do Evleaks? Não vai todo mundo ver as fotos que o cara compartilhou?

Se você respondeu SIM para todas as perguntas que envolvem o Evleaks, eu digo: você é um baita de um hipócrita, tá?

Eu já escrevi sobre isso aqui. Não importa a via obtida. Quem vai responder pelo crime é quem hackeou os telefones. Mas Greenwald, por publicar informações que são autênticas e de interesse público, jamais pode ser punido, pressionado, ameaçado ou sofrer qualquer outro tipo de retaliação ou ameaça.

Aliás, jornalista não acusa ninguém. Ele apresenta fatos.

E, no caso da Vaza Jato, os fatos nem são negados mais.

Recomendo a todos que assistam com atenção ao Roda Viva com Glenn Greenwald para aprender um pouco sobre como o jornalismo realmente funciona. Mesmo que você não concorde com ele, acho que você só tem a crescer ao ouvir uma aula de um Prêmio Pulitzer.

É de graça. Você não paga nada.

 


Compartilhe