
A personagem Odete Roitman, interpretada por Débora Bloch no remake de “Vale Tudo”, tem protagonizado cenas românticas com homens muito mais jovens, evidenciando uma tendência comportamental emergente que vem transformando o panorama dos relacionamentos na sociedade brasileira contemporânea.
A vilã icônica da teledramaturgia nacional, conhecida por sua personalidade forte e recursos financeiros abundantes, mantém relacionamentos com parceiros de duas a três décadas mais novos, todos caracterizados por atributos físicos atraentes e corpos bem definidos, situação que não apenas serve aos propósitos dramáticos da trama, mas também espelha dados estatísticos concretos sobre mudanças s nos padrões de relacionamento no país.
Esta representação ficcional ganha relevância particular quando analisada sob a perspectiva de transformações sociais reais.
A escolha dos roteiristas em destacar os relacionamentos intergeracionais da personagem não constitui apenas um elemento de entretenimento, mas reflete uma compreensão aguçada das mudanças comportamentais que permeiam a sociedade brasileira atual, especialmente no que se refere à evolução dos papéis femininos e às novas dinâmicas de poder em relacionamentos afetivos.
Uma pesquisa abrangente realizada pelo site de relacionamentos MeuPatrocínio, conduzida em parceria com o renomado Instituto QualiBest, revela dados surpreendentes: 30% dos jovens da Geração Z, nascidos entre 1997 e 2012, demonstram interesse genuíno na chamada hipergamia ou relacionamento Sugar.
O percentual representa uma parcela da população jovem brasileira, indicando uma mudança paradigmática nas expectativas e preferências relacionais desta geração.
Esse tipo de relação afetiva caracteriza-se fundamentalmente pelo envolvimento entre pessoas com diferentes níveis socioeconômicos, onde uma das partes possui status econômico e social substancialmente superior ao do parceiro.
Tal superioridade manifesta-se através de diversos indicadores: maior renda mensal, posição de influência em sua área profissional, posse de uma rede de contatos mais ampla e estratégica, e consequentemente, a capacidade e disposição de proporcionar apoio financeiro direto ou indireto ao parceiro com menor poder aquisitivo.
A dinâmica estabelecida transcende o aspecto meramente financeiro, envolvendo também questões de mentoria, acesso a oportunidades profissionais e exposição a círculos sociais mais privilegiados.
Personagem como reflexo social

Em entrevista ao programa Fantástico, Débora Bloch ofereceu insights valiosos sobre a construção da personagem para a versão contemporânea da novela:
“A ideia era fazer uma mulher de 60 em 2025, desejável e ainda ‘pra jogo’. Acho interessante que ela não seja só a vilã, ainda que ela seja uma personagem que fala coisas horríveis”.
A declaração da experiente atriz evidencia não apenas a intenção consciente dos roteiristas de apresentar uma mulher madura, financeiramente independente e sexualmente ativa, mas também revela uma compreensão sofisticada das transformações sociais contemporâneas que redefiniram os conceitos tradicionais de feminilidade, poder e desejo na sociedade brasileira.
A escolha de retratar Odete como uma mulher de 60 anos que mantém vitalidade sexual e romântica representa uma quebra de estereótipos etários profundamente enraizados na cultura brasileira.
Tradicionalmente, mulheres dessa faixa etária eram representadas na mídia como figuras maternais ou avós dedicadas, raramente como protagonistas de tramas românticas intensas.
A personagem desafia essas convenções ao apresentar uma sexualidade madura, confiante e descomplicada, características que resonam com uma parcela crescente de mulheres brasileiras que rejeitam limitações impostas pela idade.
O aspecto “ainda ‘pra jogo'” mencionado pela atriz refere-se não apenas à disposição romântica da personagem, mas também à sua capacidade de competir em diversos âmbitos da vida social e profissional.
Essa característica reflete uma realidade estatística: segundo dados do IBGE, o número de mulheres brasileiras economicamente ativas acima dos 50 anos cresceu 23% na última década, indicando uma transformação no perfil da mulher madura brasileira.
Relacionamentos na trama

Na complexa narrativa televisiva de “Vale Tudo”, Odete Roitman mantém um histórico extenso e estrategicamente construído de relacionamentos com homens substancialmente mais jovens, cada um selecionado não apenas por atributos físicos, mas também por características que complementam diferentes aspectos da personalidade multifacetada da empresária.
Entre seus parceiros mais significativos estão Marlon, interpretado pelo ator Ricardo Vianna, conhecido por sua presença marcante em produções dramáticas; e Igor, vivido por Ricardo Velasco, que trouxe à personagem uma dinâmica de sedução mais intensa e arriscada.
Atualmente, a personagem mantém um romance consolidado com Walter, interpretado pelo ator Leandro Lima, conhecido por sua versatilidade em papéis dramáticos e pela capacidade de transmitir tanto vulnerabilidade quanto força masculina. Este relacionamento tem sido desenvolvido pelos roteiristas como o mais estável e duradouro da personagem, sugerindo uma evolução em sua abordagem aos relacionamentos amorosos.
Baseando-se na estrutura narrativa da versão original da novela, que serviu como referência fundamental para o remake, especula-se que novos desenvolvimentos românticos estão previstos para os próximos capítulos, incluindo um possível e altamente aguardado envolvimento com César, personagem interpretado pelo renomado ator Cauã Reymond.
A especulação fundamenta-se no fato de que, na versão original exibida entre 1988 e 1989, a personagem de Odete desenvolveu uma relação complexa e tempestuosa com César, que se tornou um dos pontos altos da trama.
Cada um desses relacionamentos é cuidadosamente construído para servir não apenas aos propósitos de entretenimento, mas também para ilustrar diferentes aspectos da dinâmica Sugar Mommy, desde relacionamentos mais casuais até envolvimentos emocionais mais profundos e complexos.
Dados sobre benefícios percebidos
A pesquisa conduzida pelo MeuPatrocínio identificou e categorizou minuciosamente os principais benefícios relatados por mulheres brasileiras que optam conscientemente por relacionamentos com homens mais jovens.
Os dados, coletados através de metodologia rigorosa baseada em depoimentos detalhados de usuárias ativas da plataforma, apresentam uma distribuição reveladora que contradiz muitos estereótipos associados a este tipo de relacionamento:
- Mais motivação: 31% das entrevistadas apontam este como o principal benefício, sugerindo que parceiros mais jovens proporcionam maior energia, entusiasmo e vigor para atividades diversas, desde práticas esportivas até aventuras profissionais e pessoais. O dado indica que a vitalidade física e mental dos parceiros mais novos funciona como um catalisador para que as mulheres se mantenham ativas e engajadas em diversos aspectos da vida.
- Companheirismo: 22% das participantes destacam especificamente a qualidade superior do companheirismo oferecido por parceiros mais novos, indicando maior disponibilidade emocional, temporal e psicológica. Este percentual sugere que homens mais jovens tendem a dedicar mais tempo e atenção às necessidades emocionais das parceiras, possivelmente devido a menores responsabilidades familiares ou pressões profissionais consolidadas.
- Bom humor: 18% das mulheres valorizam mente o aspecto lúdico, descontraído e positivo que homens mais jovens introduzem no relacionamento. Esta característica parece estar diretamente relacionada à menor carga de experiências negativas acumuladas e à tendência de abordar conflitos com maior leveza e criatividade.
- Segurança emocional: 14% das entrevistadas reportam experimentar maior estabilidade emocional neste tipo de relacionamento, um dado particularmente interessante que contradiz a expectativa comum de que relacionamentos com diferenças etárias s sejam mais instáveis ou problemáticos.
- Status social: Apenas 3% mencionam questões de status ou prestígio social como motivação primária, contrariando dramaticamente os estereótipos mais comuns sobre essas relações e evidenciando que a busca por benefícios sociais externos representa uma motivação marginal comparada aos benefícios emocionais e pessoais.
Análise especializada
Caio Bittencourt, especialista em relacionamentos do MeuPatrocínio e consultor com vasta experiência em dinâmicas interpessoais contemporâneas, oferece uma perspectiva técnica e aprofundada sobre o fenômeno:
“O relacionamento Sugar é formado pessoas que priorizam relações sem pressões e sem joguinhos. A proposta é que tudo seja leve, com transparência e base no diálogo. A Sugar Mommy é uma mulher experiente e próspera que procura um parceiro mais jovem porque, sendo muito ativa, deseja alguém que possa acompanhar a disposição que ela tem.”
A análise do especialista destaca características fundamentais que diferenciam este tipo de relacionamento de arranjos afetivos tradicionais: transparência nas expectativas desde o início da relação, ausência deliberada de manipulação emocional ou jogos de poder psicológicos, e principalmente, compatibilidade energética entre os parceiros como critério prioritário de seleção.
Segundo esta perspectiva profissional, mulheres bem-sucedidas financeira e profissionalmente buscam ativamente parceiros que possam não apenas acompanhar seu ritmo de vida acelerado e sua disposição para atividades diversas, mas também complementar suas necessidades emocionais específicas.
Bittencourt acrescenta que o perfil típico da Sugar Mommy brasileira inclui mulheres entre 35 e 65 anos, com renda mensal superior a R$ 8.000, formação superior completa e posições de liderança em suas áreas profissionais.
Essas mulheres, segundo o especialista, valorizam particularmente a honestidade relacional e a ausência de expectativas matrimoniais imediatas, preferindo relacionamentos que se desenvolvam organicamente sem pressões externas.
O especialista também destaca um aspecto psicológico importante:
“Muitas dessas mulheres já passaram por relacionamentos tradicionais, casamentos, maternidade, e agora buscam experiências que priorizem seu bem-estar pessoal e realização individual. Elas não estão procurando alguém para ‘completá-las’, mas sim para complementar uma vida já plena e bem-estruturada”.
Contexto sociocultural

O fenômeno representado pela personagem Odete Roitman e corroborado pelos dados estatísticos da pesquisa insere-se em um contexto muito mais amplo e complexo de transformações fundamentais nos padrões de relacionamento no Brasil contemporâneo.
As mudanças refletem transformações socioeconômicas, culturais e demográficas que vêm remodelando a sociedade brasileira nas últimas três décadas.
A crescente independência financeira feminina constitui um dos pilares centrais desta transformação. Dados do IBGE indicam que a participação das mulheres na população economicamente ativa cresceu de 52,8% em 2012 para 61,9% em 2022, representando um aumento significativo na autonomia financeira feminina.
Paralelamente, a proporção de mulheres em cargos de liderança empresarial cresceu 34% no mesmo período, consolidando uma geração de mulheres com recursos financeiros próprios e poder de decisão econômica.
As mudanças nos valores sociais sobre idade e relacionamentos também desempenham papel crucial neste processo.
A sociedade brasileira vem gradualmente abandonando conceitos rígidos sobre “apropriação etária” em relacionamentos, influenciada por movimentos globais de empoderamento feminino e pela crescente visibilidade de casais com diferenças etárias sem contextos midiáticos e sociais.
A maior aceitação de arranjos afetivos não tradicionais representa outro fator determinante. Pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que os arranjos familiares tradicionais (casal heterossexual com filhos) representam hoje apenas 42% dos domicílios brasileiros, comparado a 58% na década de 1990. A diversificação inclui maior tolerância a relacionamentos com dinâmicas de poder econômico diferenciadas.
O impacto das redes sociais e plataformas digitais também não pode ser subestimado. Aplicativos e sites especializados em relacionamentos Sugar facilitaram mente o encontro entre pessoas interessadas neste tipo de arranjo, normalizando práticas que anteriormente dependiam de círculos sociais muito restritos ou encontros casuais.
A diferença fundamental entre a representação ficcional e a realidade prática destes relacionamentos reside na complexidade dramática necessária para sustentar uma narrativa televisiva envolvente.
Enquanto Odete Roitman apresenta características deliberadamente exageradas, manipuladoras e controversas típicas de uma vilã clássica de novela – incluindo traições, vingança e comportamentos sociopáticos – mulheres reais que optam por relacionamentos Sugar buscam, segundo a pesquisa e análises especializadas, simplicidade, leveza, transparência e bem-estar emocional genuíno.
Esta distinção é crucial para compreender que a dramatização televisiva, embora baseada em tendências sociais reais, amplifica aspectos negativos para fins de entretenimento, podendo perpetuar estereótipos que não correspondem à realidade da maioria dos relacionamentos Sugar praticados no Brasil.
