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Os 4 segredos polêmicos do Edge 70

A Motorola resolveu entrar na moda dos celulares ultrafinos, aqueles que parecem uma folha de papel sulfite e prometem revolucionar o mercado. O novo Edge 70 chega com míseros 6 mm de espessura e um peso que quase faz você esquecer que ele está no bolso.

Ele é bonito, é leve, vem em cores da Pantone que mais parecem cartela de tinta, mas… será que isso é suficiente para convencer o consumidor?

A grande questão é que, por trás desse corpo esbelto e das certificações militares (sim, ele é resistente acima da média), esconde-se uma alma de gama média com preço de flagship de estimação. A Motorola pede nada menos que R$ 4.499 por ele aqui no Brasil, e essa pilha de dinheiro é desculpa mais do que suficiente para que você queira destrinchar, sem dó nem piedade, os quatro pontos mais controversos dessa ficha técnica que promete muito e entrega… bem, vamos ver.

 

O poder do processador… é tanto poder assim?

Você olha para a ficha e vê um Snapdragon 7 Gen 4. Aí você olha para o preço e vê que ele custa o mesmo que um carro popular usado.

A conta não fecha, e a Motorola parece ter errado feio nos cálculos.

Em um mercado onde você encontra smartphones com um processador Snapdragon 8 Elite (de gerações anteriores – mas que são mais potentes do que esse aqui) e outros chips monstruosos da MediaTek por valores similares, insistir em um processador de gama média em um chip com aspirações de luxo é, no mínimo, uma piada de mau gosto.

Claro que, no dia a dia, abrir o WhatsApp e rolar o feed do Instagram é uma tarefa que até uma calculadora científica faria com sucesso. O problema começa quando você decide testar os limites do dispositivo.

Para jogos mais pesados, prepare-se para rodar os títulos com gráficos no “médio” ou “baixo” enquanto seu amigo com um concorrente da mesma faixa de preço está no “ultra”.

A experiência é fluida para 90% dos usuários? É. Mas pagar essa quantia de dinheiro por algo que entrega abaixo de vários outros modelos da concorrência soa como um tapa na cara da lógica.

Sua fluidez geral é elogiável, mas o preço em função do processador escolhido é sim alvo de algumas críticas.

É como comprar um apartamento de luxo na cobertura e descobrir que o elevador é um monovolume. O design é lindo, a vista é maravilhosa, mas a funcionalidade básica de te levar para casa é uma canseira.

A PurePC, em seus benchmarks, mostra que, embora o chip seja eficiente, a performance bruta deixa a desejar quando comparada à concorrência direta que entrega muito mais por menos. A Wired italiana também aponta que o processador é de “fascia media”, e que você paga o preço de um topo de linha por um meio-termo.

No final, o Motorola Edge 70 soa como um smartphone fino e caro, e podem existir maneiras melhores para você gastar o seu suado dinheiro.

 

A farsa da câmera tripla

Vamos combinar: colocar dois olhos de verdade e dois pintinhos desenhados na traseira do celular deveria ser crime.

Dito isso, a Motorola achou um jeito engenhoso de fazer você acreditar que está levando para casa um monstro da fotografia, quando na realidade são apenas duas câmeras funcionais e um monte de enfeite.

Os dois sensores de 50 MP (principal e ultrawide) até que entregam um resultado competente nas fotos do dia a dia. Mas… cadê a lente teleobjetiva?

Na hora de dar aquele zoom para fotografar um passarinho no topo da árvore ou ler a lousa na última fila da faculdade, você vai sentir falta do que realmente importa. O zoom digital chega a 20x, mas o resultado parece uma pintura expressionista, borrada e sem definição.

A Motorola vende a ideia de “três câmeras de 50 MP” como se fosse um diferencial, mas esquece de mencionar que a terceira “câmera” não passa de um sensor de luz ou um flash fancy.

Estamos diante da velha tática de “enfeita o peru” para parecer mais suculento.

O consumidor médio vê três olhos na traseira e já pensa “nossa, deve tirar umas fotos incríveis”. A verdade é que a qualidade das fotos é boa, mas não excepcional, e você fica limitado a dois modos de disparo. Se você é daqueles que adora uma foto versátil, prepare-se para a frustração.

Olhando friamente, são duas câmeras traseiras na realidade prática. O que, convenhamos, soa como um marketing enganoso.

 

A bateria, que é uma caixinha de surpresas (ruins)

A tecnologia de silício-carbono é a nova queridinha da indústria, prometendo mais capacidade em menos espaço. E, de fato, a Motorola conseguiu enfiar 4800 mAh em um corpo de 6 mm, o que é uma pequena vitória da engenharia.

O problema aqui é o seguinte: colocar uma bateria maior não significa necessariamente que ela vai durar mais, e é aí que a casa cai. Os testes da PurePC mostram um resultado decepcionante no benchmark PCMark, que simula o uso do dia a dia.

O Edge 70 simplesmente não otimiza bem o consumo de energia para tarefas cotidianas, como navegar na web ou usar redes sociais. O resultado é uma autonomia que é considerada pelos especialistas como “grande decepção” do dispositivo, ficando atrás de concorrentes com baterias menores.

É o fim da linha para quem esperava um herói da resistência.

Por outro lado, em jogos pesados, a coisa muda de figura e a bateria até que vai bem.

Ou seja, ele economiza onde não precisa e gasta onde deveria poupar. É o completo oposto do que se espera de um celular moderno. É uma surpresa positiva a autonomia do dispositivo em alta demanda, mas é bom lembrar que a percepção de “uso real” pode variar em função do tipo de uso que você dá para o dispositivo.

Para quem vive na correria, depender de um celular que tem um consumo errático é praticamente uma roleta-russa.

 

O design: belo, frágil e meio desengonçado

Não há como negar: o Motorola Edge 70 é um celular lindo. E eu seria um imbecil se eu não considerasse a sua estética como um ponto positivo do dispositivo.

Com apenas 5,99 mm de espessura e 159 gramas, ele desliza no bolso como se fosse um cartão de crédito. A textura da parte traseira, validada pela Pantone, é um show à parte e não acumula digitais, o que é um alívio.

A resistência então, é impecável: certificação IP68 e IP69 (aguenta jatos d’água quente!) e padrão militar MIL-STD-810H.

Ou seja, ele é fino, mas é duro na queda… pelo menos na teoria.

Na prática, a obsessão pela magreza cobrou seu preço.

O leitor de impressões digitais, por exemplo, foi colocado tão embaixo da tela que você precisa fazer um malabarismo com o polegar para alcançá-lo. É desconfortável, anti-ergonômico e parece um erro de projeto amador.

Além disso, a finura extrema fez com que o som dos alto-falantes ficasse “abafado”, como se o áudio estivesse preso dentro do celular. O som estéreo com Dolby Atmos está lá, mas sem corpo, sem graves, parecendo um radinho de pilha.

O botão dedicado de IA foi uma ideia legal, mas foi posicionado tão no alto que você raramente vai usá-lo sem ter que remarcar a pegada. Parece que os designers se empolgaram tanto em fazer o celular mais fino do mundo que esqueceram que os dedos dos usuários precisam alcançar as coisas.

Dá até a impressão de que o Motorola Edge 70 existe mais para ser visto, e não para ser usado.

 

Vale a pena?

O Motorola Edge 70 não é um smartphone ruim. Mas pode ser considerado superestimado pelos usuários mais exigentes.

Cobrar R$ 4.500 por um smartphone ultrafino pode ser considerado algo justo quando olhamos para o desafio do design. Porém, muitos usuários vão olhar para a usabilidade do dia a dia quando a bateria acabar, e não para a beleza do dispositivo em cima da mesa do jantar ou dentro do bolso da calça.

Para quem se interessou pelo Edge 70, a receita é quase a mesma que recomendo para 90% dos smartphones Android lançados no mundo: espere o preço do dispositivo cair, pois ele vai ficar menos caro com o passar do tempo.

Tudo bem, o Galaxy A57 da Samsung deve custar mais ou menos a mesma coisa quando for lançado, e não vai entregar o mesmo design ultrafino desse modelo. E pode ter certeza que estarei aqui, falando o que penso sobre ele, sem medo de ser feliz.

Mas acredito que o novo modelo de linha média da Samsung deve compensar a estética com uma potência maior no hardware, muitos anos de atualizações no software e um ecossistema consolidado que pode expandir as possibilidades para o usuário.

E tudo isso, o Edge 70 deixa um pouco a desejar.

No final, a escolha é sua.

 

Especificações técnicas do Motorola Edge 70

  • Processador: Qualcomm Snapdragon 7 Gen 4
  • Memória RAM: 12GB
  • Armazenamento: 512GB
  • Tela: 6,67 polegadas P-OLED, resolução 2712×1220 pixels, 120Hz
  • Bateria: 4.800mAh silício-carbono, carregamento 68W com fio e 15W sem fio
  • Câmera traseira: 50MP principal f/1.8 com OIS + 50MP ultrawide f/2.0 com macro
  • Câmera frontal: 50MP
  • Dimensões: 159 x 74 x 5,99mm
  • Peso: 159 gramas
  • Resistência: IP68/IP69 e MIL-STD-810H
  • Sistema operacional: Android 16
  • Cores: Pantone Bronze Green, Lily Pad, Gadget Grey