A gente não deveria ligar para os adolescentes. Eles acham que sabem tudo (quando não sabem nem a tabuada do 7), são individualistas (apesar de andarem em grupos dos seus iguais igualmente sem personalidade), são arrogantes (até demais), são prepotentes (querendo cagar regras nas redes sociais) e não fazem nada.

Mas o tempo (e os boletos de cobrança chegando) farão com que eles mudem de opinião.

Mas a realidade é que os jovens e adolescentes tem uma atenção especial de todo o mercado consumidor, em praticamente todos os segmentos. É um público que se prepara para ser o mercado alvo de todos os anunciantes, que basicamente é aquele compreendido pelas pessoas com a faixa etária entre 18 e 49 anos. Na TV, chamamos esse grupo de ‘faixa demográfica’, e é esse público que mais consome os produtos anunciados nas diferentes mídias. É o principal grupo de consumidor existente.

Por conta disso, os jovens e adolescentes são importantes. E, na internet, mais ainda. Eles são a mola propulsora de qualquer plataforma de interação social, promovendo a discussão sobre diferentes temas (mesmo que eles façam isso da forma errada), impulsionando os seus gostos e preferências e mobilizando os seus iguais em torno de uma causa.

Isso fica bem claro quando vemos como os jovens abraçam os seus artistas preferidos, ou séries e filmes cuja afinidade vai além do que simplesmente consumir os conteúdos. Eles querem que outras pessoas saibam disso. Querem conversar com aqueles que gostam da mesma coisa que ele. Quer se sentir como parte de um grupo conectado, que é tão ativo quanto ele.

E, ao que tudo indica, o jovem e adolescente encontra tudo isso nas demais plataformas… menos no Facebook.

Estudos diversos mostram como a rede social de Mark Zuckerberg perdeu a popularidade entre os mais jovens, e o Facebook com isso vai ficando uma coisa “de velho”. Eu e muita gente já percebeu esse tipo de comportamento dos mais novos, e já percebeu também que aquelas pessoas que tem mais tempo nesse mundo acabam ficando na plataforma, pelos mais diversos motivos.

Seja porque encontrou amigos dos tempos de outrora, porque é fácil compartilhar as fotos de ‘bom dia’ ou mensagens religiosas, seja para conversar com parentes e familiares através da câmera, ou porque a interação da rede social com o seu mundo não afeta tanto o seu dia a dia.

Já no caso dos adolescentes, tudo acontece ao mesmo tempo e agora, e o Facebook não é capaz de oferecer isso. O sistema de atualizações de conteúdo do feed de notícias da rede do menino Zuck deixa a desejar há muito tempo. E é indiscutível que, nesse momento, existem formas mais dinâmicas de interação nas redes sociais (Twitter, WhatsApp, Snapchat, etc).

Para o Facebook, perder os jovens é um problema. Perde o potencial de agregar valor para os anunciantes, que querem os jovens. Perdem a possibilidade de, a longo prazo, aumentar as receitas através da publicidade e pelos ganhos indiretos que esses jovens poderiam produzir dentro da plataforma.

Esse é um dos motivos pelos quais o Facebook está doido para iniciar uma modalidade paga dentro da plataforma. Já que não vão ver o dinheiro dos mais jovens, que pelo menos façam as pessoas pagarem para não ver mais publicidade dentro da plataforma. O que é um problema de qualquer maneira: como convencer os mais velhos, que sempre tiveram o serviço de graça, que agora vale a pena pagar apenas para não ver propagandas?

Então… alguém liga para os adolescentes. O Facebook, pelo menos. Ele precisa dos jovens no futuro. Irremediavelmente.