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Steve Jobs era uma pessoa peculiar. Todos que acompanharam a sua história e viram ele fazer da Apple o que ela é hoje sabe disso. Suas atitudes diante da vida e dos negócios fizeram com que ele alcançasse grandes sucessos, mas também teve um “lado obscuro”, que o arrastou para notáveis fracassos. Além do desenvolvimento tecnológico que tem a sua pessoa como principal responsável até quase o momento de sua morte, Jobs deixou para o mundo uma série de frases célebres. Algumas são inspiradoras. Outras, beiram o gosto duvidoso.

Em uma dessas frases, Jobs garantiu que na maioria das vezes as pessoas não sabem o que querem, até que alguém mostre para elas o que elas querem. É evidente que essa frase estava associada à capacidade da Apple em criar tendências. De fato, ele conseguiu definir novos mercados (players de música, smartphones, tablets, etc), mas nem todas as profecias de Jobs se cumpriram.

Uma dessas profecias revelava que seus engenheiros estavam convencidos que o tamanho ideal para iPhones e iPads era 3.5 polegadas, e criticou os smartphones Android com 4 polegadas. Porém, o tempo mostrou coma a Apple mudou a sua forma de ver esse aspecto.

Em 12 de setembro de 2012, Tim Cook apresentou ao mundo o iPhone 5, o primeiro smartphone da Apple com tela de 4 polegadas. Mas essa não é a única mudança liderada por Cook. Muitos usuários da empresa estão convencidos que coisas como o Siri e o novo iOS jamais teriam sido aprovadas por Steve Jobs. E é possível que eles tenham razão.

 

O que a Apple guarda escondido na manga?

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O iPhone 6 vem aí, e os inúmeros vazamentos antecipam isso. Podem ser dois modelos, um com tela de 4.7 polegadas, e outro, com 5.5 polegadas. Dois números que passam longe da profecia de Steve Jobs.

Boa parte dos vazamentos procedem das fábricas que a Foxconn possui em algumas cidades chinesas. Fotografias dos primeiros protótipos reforçam os rumores, mas não garantem que tudo o que vazou será confirmado no produto final. Pelo menos até agora, tudo parece ser muito confiável, tal como aconteceu no passado. Além disso, várias fontes norte-americanas de peso (Bloomberg, Wall Street Journal) afirmam que a Apple vai apresentar os seus novos produtos no próximo dia 9 de setembro.

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A saída de Steve Jobs não serve como justificativa para que Tim Cook ignore as convicções do seu antigo chefe. Há muito mais por trás dessas decisões. Os usuários sabem sim o que querem, e a Apple não pode mais ignorar isso. E o próprio mercado mostra claramente quais são os tipos de produtos que vendem mais, mostrando esse poder de decisão dos usuários. E isso explica melhor por que a Apple está tomando hoje decisões que, em 2011, jamais fariam parte da estratégia da marca.

 

Um terço dos smartphones contam com 5 polegadas ou mais

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Aqui, Steve Jobs errou. Errou feio. Errou rude.

Um relatório recente da consultora Canalys mostra que 1/3 dos smartphones distribuídos no mundo contam com uma tela de 5 polegadas o mais. É um volume de gente que não pode estar errada para gastar tanto dinheiro em um produto que não os satisfaça. Obviamente, é tão correto escolher um modelo com 5 polegadas como comprar um modelo entre 4 e 4.5 polegadas. A decisão é muito em função do gosto e preferências de cada um, mas é algo mais ou menos acertado.

Fato é que a maioria dos modelos top de linha dos principais fabricantes contam com 5 polegadas ou mais. E vendem muito bem, mostrando claramente o interesse das pessoas por esses modelos.

Se a Apple finalmente se render ao iPhone com tela de 5.5 polegadas (o que parece ser algo cada vez mais provável), não vai deixar dúvidas de que a empresa não está disposta a desaparecer para esse terço de mercado dos smartphones, além de esquecer de uma vez por todas as filosofias defendidas por Steve Jobs no que se refere às telas de 3.5 polegadas como sendo a medida ideal.

 

Retificar é um sinal de inteligênca

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Outra decisão interessante pode ser o lançamento de duas versões diferentes para o próximo iPhone. No ano passado, a Apple fez algo parecido ao anunciar os modelos iPhone 5s e iPhone 5c, mas se os dois modelos com tamanhos diferentes forem anunciados, fica clara a aposta na diversificação da oferta, uma estratégia que se consolidaria pela tendência apresentada em 2013.

A maioria dos seus concorrentes conta com um catálogo de smartphones muito mais amplo, permitindo alcançar uma gama de usuários muito maior. É pouco provável que a Apple surpreenda com um vários dispositivos (principalmente modelos de entrada) nos próximos anos, mas não resta dúvidas que o lançamento de smartphones com telas de diferentes tamanhos deve atrair mais usuários, principalmente os descontentes com um iPhone com tela de 4 polegadas.

O mais curioso é o aspecto “radical” da Apple nessa nova aposta. O salto das 3.5 para as 4 polegadas dado com o iPhone 5 foi importante, mas deixar o seu smartphone com 4.7 polegadas é uma ruptura clara, não apenas na estratégia defendida por Steve Jobs, mas também com uma filosofia que a empresa respeitou até hoje.

Por enquanto, tudo não passa de conjecturas (bem fundamentadas). A boa notícia é que 9 de setembro não é uma data muito distante em nosso calendário, e as dúvidas serão eliminadas em poucas semanas. Finalmente saberemos se a Apple entra na festa dos smartphones com telas grandes, como parece que fará.

Até porque reconhecer erros  é algo que só os nobres são capazes de fazer.