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Os segredos para vencer no “jan ken po”

Depois que escrevi um artigo inteiro sobre a Copa do Mundo do “Pedra, Papel e Tesoura”, decidi pesquisar um pouco mais sobre um aspecto desse jogo: ele não tem absolutamente nada de aleatório.

Para vencer com eficiência no também conhecido como “jan ken po” (por conta da presença da comunidade japonesa no Brasil), é preciso compreender os padrões comportamentais e estratégicos que podem aumentar as chances de sucesso no jogo.

Pesquisas científicas, principalmente aquelas conduzidas pelo matemático chinês Zhijian Wang, da Universidade de Zhejiang, mostram que o jogo não é apenas uma questão de sorte, mas envolve estratégias baseadas em tendências humanas previsíveis.

E eu nem acredito que um matemático sério perdeu o seu precioso tempo pesquisando isso aqui.

Mas ao menos isso vai me render um bom artigo.

 

Estratégia “Ganha-continua, perde-muda”

Wang e sua equipe observaram que os jogadores vencedores tendem a repetir o mesmo gesto na rodada seguinte, enquanto os perdedores mudam para o próximo gesto na sequência cíclica pedra → papel → tesoura → pedra.

Por exemplo, se um jogador perdeu usando pedra, ele provavelmente usará papel na próxima rodada, tentando mudar a estratégia para vencer. Já o vencedor, ao repetir o gesto, cria uma previsibilidade que pode ser explorada pelo adversário mais atento.

Nem precisava de pesquisa sobre isso. Quem brincou de “jan ken po” a vida inteira tende a ter esse comportamento, na esperança de enganar o adversário vencedor na rodada anterior.

Essa dinâmica cria um padrão chamado “fluxo cíclico persistente”, onde o perdedor muda de tática seguindo uma sequência previsível, enquanto o vencedor mantém a mesma jogada.

Isso permite que um jogador que compreenda essa tendência possa antecipar o movimento do adversário e escolher a jogada que vence a próxima rodada.

Na teoria, é tudo muito perfeito. Mas na prática acabamos nos afobando tanto, que ignoramos a lógica que o matemático encontrou no jogo.

Porque tudo o que nós queremos é ganhar e nada mais. Não racionalizamos o método para vencer porque, afinal de contas, quem precisa de método quando podemos improvisar no “Pedra, Papel e Tesoura”?

 

A aleatoriedade como melhor defesa

Mesmo com os padrões previamente estabelecidos e a possibilidade de previsibilidade do movimento do adversário, a melhor forma de evitar ser previsível é adotar uma estratégia verdadeiramente aleatória.

Wang destaca que o equilíbrio teórico do jogo (Equilíbrio de Nash) sugere que a melhor tática é escolher pedra, papel ou tesoura com igual probabilidade (1/3 cada), tornando impossível para o adversário prever seu próximo movimento.

É claro que o adversário pode eventualmente perceber que você está colocando qualquer coisa para tentar derrota-lo e, em contrapartida, fazer exatamente o mesmo que você.

Porém, as chances de um descobrir o que o outro vai colocar despencam, o que aumenta as chances de quem PERDEU na rodada anterior, já que a inconsistência de resposta favorece a quem está tentando vencer.

É o tal do fator de improviso que precisa ser levado em consideração no “jan ken po”.

O grande problema (e que resulta em perdas constantes para quem já está perdendo) é que a maioria dos jogadores não consegue manter essa aleatoriedade perfeita, o que abre espaço para estratégias baseadas em padrões psicológicos.

 

A influência da psicologia nas escolhas do jogo

O “Pedra, Papel e Tesoura” passa bem longe de ser uma brincadeira estritamente matemática, e como você já entendeu se chegou a esse ponto do artigo, a psicologia humana vai influenciar na hora de determinar vencedores e perdedores.

Estudos indicam que as pessoas tendem a repetir movimentos vencedores por conforto e confiança, enquanto mudam após perder para tentar “enganar” o adversário.

Sabe aquela frase “em time que está ganhando não se mexe”? Então…

Também há um viés cognitivo que faz com que jogadores escolham mais frequentemente pedra ou tesoura na primeira jogada, influenciados pela ordem das palavras no nome do jogo.

Os especialistas recomendam que os jogadores observarem sinais não verbais do adversário sempre que possível, como gestos antecipados ou padrões de comportamento, para tentar prever sua próxima jogada.

Isso inclui perceber se o oponente tende a repetir ou mudar a jogada após vitória ou derrota, ou até mesmo quais são as expressões faciais que aparecem antes de uma determinada escolha a cada lance.

Isso não quer dizer que o Metaforando está certo. Porém, é fato que a face de qualquer pessoa denuncia padrões e mudanças no seu comportamento e pensamento.

O que é mais fascinante nessa pesquisa sobre o inocente jogo do “Pedra, Papel e Tesoura” é que entendemos que a brincadeira é um modelo útil para estudar o comportamento competitivo e a tomada de decisões do ser humano.

A pesquisa de Wang (e de vários outros especialistas que dedicaram o seu tempo para entender o que se passa na nossa cabeça quando estamos brincando disso) mostra que o jogo pode revelar mecanismos básicos de decisão no cérebro e padrões sociais de competição.

Além disso, a compreensão desses padrões pode ser aplicada em outras áreas que envolvem estratégias e decisões rápidas, como negociações empresariais e jogos de estratégia mais complexos.

Quem poderia prever que uma brincadeira de criança poderia estar tão relacionada com a complexidade de raciocínio de um indivíduo.

Não… espera…

Estudos semelhantes foram feitos com quem jogava videogames. Mas não deram muita bola para isso na época, porque o videogame “era coisa de criança”.

Agora, começam a levar mais a sério os estudos sobre o “jan ken po” porque, de forma quase inacreditável, os campeonatos oferecem prêmios em dinheiro que são bem interessantes.

Tá, eu sei que estou exagerando.

Mas nem a correlação entre os dois mundos, muito menos o interesse dos especialistas por algo que virou um esporte profissional podem ser encarados como obras do mero acaso.