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Os tablets. Parece que foi ontem que a Apple apresentou o iPad, que a Samsung respondeu com o Samsung Galaxy Tab, e pouco tempo depois, Google e Motorola faziam o mesmo em uma parceria que resultou no Motorola Xoom. Todos esses gadgets tinham uma característica em comum: o seu preço elevado (acima de US$ 500 lá fora, mais de R$ 1.500 na época de seu lançamento no Brasil). Todos, exceto o iPad, foram um fracasso, até certo ponto.

Com o passar do tempo, empresas como Barnes & Nobble, Amazon e vários fabricantes chineses deixaram claro que, para a maioria dos usuários, importava muito pouco as extravagâncias das especificações técnicas. Muitos não se permitiam os preços proibitivos dos produtos, e por conta disso, o mercado acabou sendo dominado pelos tablets econômicos.

E essa não é uma tendência passageira. Os últimos trimestres mostram claramente que o caminho tomado por todos os fabricantes é apresentar dispositivos competitivos no quesito preço. Acer, HP e até a Intel apresentaram novos produtos com preços reduzidos, e a toda poderosa indústria chinesa de tablets começa a ver uma série ameaça aos seus interesses, com tantos terminais com preços risíveis e qualidade duvidosa.

As vendas de SoCs chinesas aumentam

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O tempo onde Qualcomm, Texas Instruments e NVIDIA eram as únicas alternativas pra o mercado mobile ficou para trás. Aos poucos, vemos outras empresas se destacando, ao ponto de uma Intel – que não figurava nesse mercado – buscar a sua fatia do bolo.

A principal ameaça para as tradicionais no segmento de SoC móvel é a chinesa MediaTek. A empresa surgiu do nada para buscar uma considerável fatia do mercado, com uma estratégia de desenvolvedor processadores destinados aos modelos top de linha com preços relativamente baixos, na esperança de convencer muitos fabricantes a deixar de lado os processadores tradicionais.

Mas nem tudo é destinado ao segmento de linha alta. É nos modelos de entrada que os chineses encontraram o seu sucesso. Fabricantes como Rockchip e Allwinner também fazem o seu nome, conquistando mercado com consistência.

Recentes relatórios da IDC revelam que no último trimestre de 2013, a Allwinner colocou 18.5 milhões de processadores no mercado. Em contraste, as projeções mais otimistas da Intel para todo o ano de 2014 são de 40 milhões de processadores vendidos. Ou seja, a Allwinner vendeu no final de 2013 metade de toda a projeção da Intel para um ano.

Já a Rockchip tem 9 milhões de processadores distribuídos entre os fabricantes de tablets no último trimestre de 2013, colocando a empresa no mesmo nível da Intel em termos de vendas unitárias.

Mas nem todos os holofotes estão na China.

Empresas como Acer, HP e Dell (enter outras) começam a apresentar tablets com processadores da Rockchip e Allwinner. Esse é o sinal que a estratégia já não está completamente calcada na ideia de reduzir custos, mas também oferecer nos razoavelmente decentes SoC chineses, que são mais baratos, mas igualmente competitivos na relação custo/benefício.

Isso tende a deixar o mercado de tablets de entrada cada vez mais competitivo e atraente para o consumidor. 2014 será um ano de comprovação de todos esses conceitos, onde a tendência é não só um aumento nas vendas, mas também da qualidade desses produtos, que podem finalmente se transformarem no “bom, bonito e barato” do mundo da tecnologia.