HTC

Eu me lembro. Foi em 2012 que a Google comprou a Motorola. Durante dois anos, brincou de “fabricante” de smartphones, colocando a empresa como mais um dos seus eternos experimentos. Depois, vendeu a Motorola para a Lenovo para fabricar os seus dispositivos com outros fabricantes.

No final das contas, a Google fez o mesmo que a Microsoft quando esta comprou a Nokia: ficou com as patentes que lhe interessavam da empresa, e descartou o resto. Foi uma estratégia pensada e até inteligente, porque, a longo prazo, tanto Nokia como Motorola se mostraram financeiramente prejudiciais para Microsoft e Google, respectivamente.

Agora, temos rumores que a HTC estaria muito próxima de concluir uma eventual venda para a mesma Google.

Será que a história vai se repetir?

Nada é muito certo nesse momento. Estamos apenas nas especulações, e o negócio nem pode vingar. Porém, fazendo um exercício de futurologia, podemos dizer que, para a HTC, pode ser sim a sua salvação.

O segmento de smartphones da HTC caiu no limbo quando eles tomaram a infeliz decisão de desistir de vários mercados ao redor do planeta (incluindo o Brasil), para priorizar poucos mercados específicos, na esperança que sua margem de lucro aumentasse.

Foi um erro que custou caro para a HTC. A marca foi engolida por fabricantes asiáticos, que focaram suas vendas nos seus países de origem ou no mercado do continente, sem falar que outros fabricantes se tornaram força dominante nos poucos países onde a marca ainda estava presente.

E nem foi o caso da HTC lançar smartphones de má qualidade. Pelo contrário. A HTC tem smartphones excelentes que foram apresentados nos últimos anos. Alguns deles se tornaram objeto de desejo de colegas blogueiros que conheço.

Porém, o negócio fatalmente se tornou insustentável para a HTC. De fato, os últimos trimestres não apresentam aumento nas vendas, e os prejuízos se tornam cada vez maiores. Logo, talvez a venda pode ser mesmo a salvação da empresa.

Por outro lado, a Google também pode se beneficiar em ter uma fabricante oficial dos modelos Pixel ao seu lado. Menores custos de produção representam maiores margens de lucro. Não falo aqui de preços mais competitivos, pois acho que a Google deixou essa fase de lado. Mas sim uma maior possibilidade de ver esses produtos renderem lucros maiores para a empresa e, quem sabe, uma eventual expansão internacional em larga escala (essa última parte eu acho difícil).

De qualquer forma, Google e HTC podem se beneficiar se acabarem se unindo. A grande pergunta que fica é: será que a Google vai ficar mesmo com a HTC? Ou vai ficar com as patentes e depois deixar a marca ao léu?

Vamos esperar. Tudo indica que a venda vai acontecer.