Renovar e inovar no mercado de smartphones é o grande desafio dos gigantes do setor, e a saída pode ser os dispositivos com tela flexíveis.

Não é a primeira vez que tentam isso, mas… temos claro realmente este conceito?

Apenas para esclarecer: um smartphone flexível é aquele que conta com uma tela que pode ser dobrada total ou parcialmente, sem apelar para uma dobradiça ou segmento diferenciado.

Não é uma tecnologia nova. Os gigantes do setor já contam com ela a algum tempo, e protótipos funcionais já poderiam ter chegado ao mercado.

Mas… então… por que não lançaram antes?

Simples: o preço e o impacto sobre o usuário.

Para um novo produto ter sucesso, ele deve ter um preço competitivo e chamar a atenção do usuário, seja pelas novas funções que agregam valor ou com um design chamativo e inovador. Sem esses dois pontos, as chances de qualquer produto novo fracassar são enormes.

Os primeiros smartphones flexíveis não contavam com um design atraente e o custo de fabricação era muito alto. Logo, gigantes como Huawei e Samsung decidiram adiar o lançamento de suas propostas com o passar dos anos.

 

 

Uma tela dobrável não será o suficiente

 

 

Os primeiros smartphones flexíveis serão bem caros, com preços estimados na casa dos US$ 2.000. Será o smartphone mais caro do mercado com certa facilidade. E a tela dobrável não será suficiente para justificar o alto preço. Outros diferenciais precisam agregar valor ao produto, e aqui está uma tarefa bem complexa para qualquer fabricante.

Precisa ser um produto muito surpreendente para alguém pagar US$ 2.000. Hoje, já está difícil convencer as pessoas a superar a barreira psicológica dos US$ 1.000. Que dirá mais do que isso.

Hoje, a linha que divide os dispositivos de linha média de um top de linha está mais tênue do que nunca, e o Xiaomi Pocophone F1 chegou a apagá-la. Lançar smartphones que custam até quatro vezes mais que esse modelo pode ser um erro de proporções épicas, condenando o futuro produto ao fracasso.

 

 

Qual o caminho que os smartphones flexíveis devem seguir?

 

 

Estudos indicam que, em 2021, os smartphones flexíveis representarão um mercado de US$ 8.9 bilhões, com 63 milhões de unidades vendidas.

Não resta dúvidas que essa é uma inovação interessante, que pode fazer a diferença. Aos poucos, o setor de smartphones está ficando sem ideias, e a melhor estratégia no momento é lançar um dispositivo com uma boa relação custo/benefício. Mesmo que a Apple vá na direção contrária.

A padronização dos smartphones flexíveis acabará sendo uma realidade a longo prazo, mas os custos de produção precisam cair. Para que esses dispositivos estejam ao alcance da maioria dos consumidores, precisam custar menos que US$ 1.000.

E para isso acontecer, acredite: vai demorar um bocado.