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Ultimamente, os meus posts autorais para os meus blogs estão alcançando a marca de 500 palavras digitadas. Eu considero esse um número bom. Razoável, talvez. Mas eu me pergunto: será que as pessoas estão dispostas a ler 500 palavras nos dias de hoje?

Em uma época onde nos comunicamos com poucas palavras, deixamos mensagens rápidas nos comunicadores instantâneos, mandamos tweets, scraps e pequenas postagens no Facebook, ainda existe espaço para os textos mais longos e elaborados? Aliás, ainda existe espaço para raciocínios mais abrangentes, teorias (conspiratórias ou não) descritas em detalhes, que possam efetivamente levantar uma discussão construtiva sobre um determinado tema?

Ou ficamos limitados ao imediatismo dos 140 caracteres?

Não pensem que estou ficando velho. Eu já sou velho. Mesmo assim, eu gosto de usar as redes sociais de respostas mais imediatas. Adoro o Twitter, estou trocando mais mensagens rápidas no Facebook do que antes, estou utilizando o WhatsApp com maior frequência, e tento ao menos experimentar todas as ferramentas que tornam a comunicação mais rápida, dinâmica e funcional. Ah, e mobile, é claro.

Porém, eu adoro escrever. Adoro escrever nos meus blogs. Acho fascinante e sedutor o poder que o desenvolvimento pleno de um raciocínio pode ter, principalmente quando percorrido por um teclado de um computador. Sabe, o meu gosto pela escrita veio primeiro com o meu pai. Ele era jornalista, e eu via ele digitando por horas e horas em uma velha máquina de escrever Olivetti. Achava aquilo sensacional.

Depois, minha professora de português durante o período do ensino fundamental. Exigente, ela sempre estimulava seus alunos ao desenvolvimento de uma boa escrita. O desenvolvimento das ideias de forma ordenada, uma inteligente distribuição das palavras, e uma ortografia correta. Eu sei que eu cometo alguns erros em posts que eu escrevo, mas se não fosse por ela, eu não estaria escrevendo na internet hoje.

Logo, acho que dificilmente vou abandonar um blog apenas pelo fato dele não alcançar os seus objetivos, ou por não ter visitas e comentários. O meu desejo por compartilhar ideias e informações através de veículos independentes ainda é maior que a indiferença que tais veículos podem ter sobre o olhar dos outros. Talvez um dia eu seja vencido pelo cansaço, ou pela incapacidade motora de digitar. E, mesmo assim, até lá, outros meios de inserção de palavras em um blog WordPress já foram criados.

Aliás, já existem. Só não são tão funcionais assim.

Porém, eu volto para a minha pergunta: será que as pessoas ainda estão interessadas em “ler”?

Muitas pessoas sequer vão ler esse texto pela preguiça de clicar em um link. Em alguns momentos eu penso que vivemos em uma época onde as pessoas deixaram o estágio do imediatismo, e foram para a parte do “sou tecnologicamente preguiçoso”. Não querem ler manuais, não querem ler reviews, não querem sequer ler. Querem a resposta das dúvidas em 140 caracteres, no máximo.

Uma pena. Sempre me disseram que é justamente a leitura que alimenta a alma do ser humano… e estão certos!

E esse post tem exatas 500 palavras.


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