Eu deveria estar aproveitando o feriado, de forma tranquila, descansando… mas não. A ausência de internet me preocupa (é dura a vida de quem vive de 3G nessas horas), e minha mente começa a trafegar por outros assuntos que não estão relacionados em tecnologia ou esportes. Começo a pensar efetivamente nos tais finados da minha vida.

Para mim, ainda é difícil conceber a ideia da perda. Ninguém gosta de perder nada: botão de camisa, caneta, óculos, carteira, celular, a casa, o título da Libertadores, parentes, um grande amigo… em via de regra, as perdas materiais, nós podemos recuperar ao longo do tempo, com trabalho e dedicação. Porém, as perdas emocionais, de pessoas que saem da nossa vida pelos mais diferentes motivos, e que nunca mais vão voltar, ainda é algo difícil de processar. Não é dolorido esse sentimento, uma vez que você compreende que a vida segue, que faz parte do curso da vida. Você não sofre mais por aqueles que já partiram.

Mas, de tempos em tempos, pensamos neles como se eles nunca tivessem saído de nossa vida. E a sensação é estranha. As lembranças saudosas começam a ser resgatadas, invadindo a mente e o coração. Você sente um certo pesar ao respirar, uma dificuldade de puxar o ar, uma certa angústia. E percebe que, de fato, essas pessoas não voltam mais, e é seu dever, obrigação, missão ou seja lá como você vai chamar essa fase de sua vida… enfim, você tem que se manter firme, feliz e saudável.

Não é fácil. Como tudo nessa vida.

Por outro lado, essas mesmas lembranças me fazem lembrar do quão foram boas as situações vividas. De como esse tempo junto com essa pessoa foi bem aproveitado. Que muitas coisas boas ficaram, entre ensinamentos, alegrias, comemorações, desafios, dificuldades e até desencontros. Você conclui que a cada encontro, a cada evento, cada telefonema, carta, e-mail, mensagem de texto ou até mesmo uma troca de olhar, você ajudou a fazer parte de um legado pessoal com aquela pessoa, que mantém ela viva da melhor forma. Da forma mais alegre e intensa possível.

Algumas pessoas já saíram da minha insignificante existência nos últimos 33 anos. Boa parte delas foram especiais, e no dia de hoje, além de descansar, ver minhas séries, os jogos de futebol americano atrasados e esperar a minha internet voltar, eu me pego pensando naqueles que não estão mais compartilhando do meu círculo de amigos e familiares. Hoje, levo um pouco minha mente para os momentos especiais que tive com essas pessoas, e não para ter dificuldades para respirar. Mas sim para ter aquela sensação reconfortante, que tudo o que foi vivido com eles se converteram em histórias únicas, que carregarei pelo resto da vida.

Enquanto isso, eu fico esperando minha internet voltar. Não dá pra viver de 3G aqui em Araçatuba!