
A vitória de Oscar Piastri no Grande Prêmio da Arábia Saudita de 2025 pode ser considerada como uma medida para “restabelecer a ordem das coisas”. Para muitos, o australiano é o melhor piloto da temporada (com exceção de Max Verstappen – talvez), e está no seu lugar de direito na disputa.
Agora, Piastri tem 10 pontos de vantagem em relação ao mais do que desesperado Lando Norris, que se recuperou do desastre dos treinos de sábado, mas sofreu as consequências do próprio erro na batida no treino. Terminou a prova ciente de que poderia vencer a corrida hoje.
Enquanto isso, Max Verstappen minimiza prejuízos maiores, chegando em segundo com uma corrida sólida, em modo “estou fazendo o que posso sem o melhor carro”.
Punição no começo definiu trajetória da corrida

Os fãs mais enfáticos do Verstappen afirmam que a punição de cinco segundos que ele recebeu retirou as chances de vitória dele. Já eu digo que ele poderia vencer se tivesse devolvido a posição para Piastri.
Não há muito o que discutir aqui: a punição para Verstappen foi justa, e isso decidiu a vitória a favor de Piastri. É claro que o australiano poderia superar Verstappen em pista por ter um carro melhor, mas seria muito mais difícil.
Por outro lado, era bem provável que a McLaren executasse o undercut em cima de Verstappen, o que resultaria em uma vitória do mesmo jeito.

Lando Norris, mesmo com o desastre no treino do sábado, fez uma competente corrida de recuperação, minimizando ao máximo o prejuízo. Mas ele sabia que era um 1-2 da McLaren na Arábia Saudita, e sua batata começa a assar ao perder a liderança do mundial para o companheiro de equipe.
Verstappen foi outro que trabalhou com gerenciamento de danos hoje, mesmo chegando em segundo e mostrando que tinha condições de vencer.
Com a ascensão de Piastri, ele não só sabe que o inimigo agora é outro, como também entende claramente que Oscar não vai dar o mesmo mole que Norris está oferecendo até agora.
Ou seja, o holandês precisa se coçar um pouco mais, e cobrar da Red Bull um carro melhor para disputar o campeonato. Caso contrário, ou é o tal “ano sabático” que estavam comentando hoje no grid, ou é “olá, Aston Martin” a sério.

O terceiro lugar de Charles Leclerc é mais uma vitória do monegasco na sua construção de narrativa junto à Ferrari, já que seu desempenho é flagrantemente melhor que o de Lewis Hamilton.
Com direito a ultrapassagem em cima de George Russell, Leclerc entrega desempenho sólido para justificar sua posição de primeiro piloto na Ferrari.
O contraponto disso é o apagado Lewis Hamilton, que até se mostrou competitivo em algumas disputas de posição. Porém, passa bem longe do que poderia se esperar dele após cinco etapas. Seu tempo de adaptação à Ferrari está terminando, e as críticas vão aumentar a partir de agora.
E o que mais aconteceu?

Pierre Gasly e Yuki Tsunoda acabaram com suas respectivas corridas logo na largada. Liam Lawson complicou ainda mais a sua vida ao receber 10 segundos de punição ao ganhar vantagem em uma disputa de posição com a outra carniça chamada Jack Doohan, que só não chegou em último porque a Kick Sauber ferrou ainda mais com a corrida do Gabriel Bortoleto, que pilota um ônibus neste campeonato.
A Williams colocou os dois carros nos pontos, se recuperando do que aconteceu no Barhein, e até Fernando Alonso saiu “relativamente feliz” com o 11º lugar com a Aston Martin. O espanhol quase bateu com Bortoleto em uma tentativa de ultrapassagem, e o brasileiro deve ficar sem carona no avião do seu empresário para se deslocar para Miami.

E essa prova “mais ou menos” (ainda assim, acima da média) rendeu um feito histórico do Piastri ser o primeiro piloto australiano a liderar o campeonato mundial de Fórmula 1 nos últimos 15 anos.
Curiosamente, o último a conseguir tal feito foi Mark Webber, atual empresário de Piastri. E eu sei que coincidências não existem. Não podem ser encaradas como meros sinais.
Próxima etapa: Miami, já na semana que vem.
Via Formula1.com
