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Como saí do piloto automático da minha vida.

Eu passei muito tempo da minha vida preocupado com o futuro. Na verdade, ainda me preocupo com ele. Me vejo dependente de planos, sobre o que vou fazer amanhã ou depois de amanhã. Me orgulho de ter uma agenda de compromissos bem organizada, para não me perder com tantas atividades. Sempre pensei que ter o controle de meu tempo era a melhor forma de se viver.
Não. Não é.
Eu ainda sou bem preso ao tempo, aos compromissos, às responsabilidades. Eu sei o quanto isso me custa. Ironicamente, esse tipo de procedimento me rouba tempo. Tempo em que poderia ficar com minha família e amigos, fazendo as coisas que eu gosto, trabalhando no que eu gosto.Mas a boa notícia é que, em 2017, eu decidi mudar muita coisa na minha vida. A começar pelas coisas que me impediam de alcançar aquele espírito livre que eu sempre quis ter. Eu sonhava em ser efetivamente livre na essência, de ter minha consciência tranquila, e em poder dizer que poderia fazer aquilo tudo que eu quisesse, dentro das minhas possibilidades, obviamente.

Posso dizer que foi uma das melhores decisões que eu tomei na vida.

Depois de tanto bater com a cara na parede, e de ter meus erros e fracassos expostos à carne viva, eu perdi o medo de arriscar. Perdi o medo de tentar fazer tudo o que eu queria, pois entendi que, de agora em diante, o NÃO eu já tenho, e que tudo o que eu precisava fazer era buscar o SIM para qualquer projeto que estivesse em minhas mãos.

O primeiro semestre de 2017 chegou ao fim, e eu posso fazer uma profunda reflexão de tudo o que eu já fiz até aqui. E posso dizer que o saldo é positivo. Eu já fiz e conquistei tanta coisa, que mal posso acreditar que tudo isso aconteceu comigo. E tudo isso só foi possível quando eu me permiti viver um pouco. Me desligar um pouco da minha agenda pessoal e profissional, fazer as coisas que eu tinha vontade, viajar mais…

…me priorizar.

Não é egoísmo quando colocamos a nós mesmos como prioridade na vida. É nada menos do que uma forma de cuidar de nós mesmos. Se não fazemos isso a tempo, não só nos tornamos escravos do tempo como também escravos das opiniões alheias.

Aliás, em 2017, eu comecei a viver sem me importar com o que as pessoas pensam e falam a meu respeito. Até porque nenhuma dessas pessoas aparecem na porta do meu apartamento com R$ 100 para me ajudar a pagar as contas. Nesse ano, passei a ouvir ainda mais a voz do meu coração, a seguir a minha intuição, e posso dizer que até agora tem funcionado.

Me mudei de cidade, voltei, reconstruí meu apartamento, adquiri bens dos quais me orgulho, viajei muito a trabalho e também para meu prazer, conheci lugares incríveis e pessoas extraordinárias, me nutri de cultura, melhorei minhas habilidades profissionais e musicais, retomei minhas atividades de canto pela porta da frente, e mais uma vez tenho pleno controle da minha existência.

Acertando, errando, perdendo, ganhando… mas vivendo, que é o que mais importa.

Sim… eu devia sorrir mais sim. Mas eu estou aprendendo a exercitar meus músculos faciais para demonstrar a alegria que sinto hoje em conviver com as pessoas que considero especiais na minha vida. Em 2017, eu estou aprendendo a sorrir de forma mais sincera, com paz e alegria no coração.

Sim… eu devia abraçar meus pais. Eu estou reaprendendo a fazer isso. Estou longe de casa e, por isso, de tempos em tempos, eu viajo para lá. Para abraçar. Mais a minha mãe. Meu pai eu vou ter que reaprender a abraçar ele. Reaprender a olhar para ele com olhos de amor.

Sim.. eu estou aprendendo a viajar e me socializar. Em 2017 eu conheci novas pessoas que fazem parte da minha vida. Pessoas incríveis, com diferentes origens, diferentes culturas e diferentes lições a me oferecer. Isso tem sido uma bênção na minha vida. Muito mais do que apenas ficar na internet falando da vida dos outros.

Sim… eu preciso aprender a reclamar menos e agradecer mais. Na verdade, esse texto é uma forma de agradecer a tudo o que aconteceu até aqui. Eu agradeço, sim, pois eu cheguei a duvidar de mim mesmo, me questionando se eu conseguiria. Bom, eu nunca pedi para as forças superiores que tudo desse certo na minha vida, mas sim para que acontecesse o melhor.

E hoje, sou feliz em ter a certeza que tem alguém lá em cima me ouvindo, olhando por mim.

Então… eu estou aqui. Com o piloto automático desligado. E feliz por ter o pleno controle da minha vida. De uma forma bem melhor do que antes.

Um dia eu vou morrer. Logo, é melhor viver intensamente a tal “vida sem roteiros”. Planejar a sobrevivência, os sonhos, mas sem planejar os rumos.

Um dia eu chego lá. E, enquanto eu não chegar, eu vou aproveitar a viagem. Olhar as paisagens. Permitir que minhas pernas me conduzam para o melhor lugar para mim.

E estou muito feliz por você agora saber disso. Estou feliz porque você me notou nesse texto.

E estou feliz por você agora me conhecer mais um pouquinho.

“Piloto Automático”
(Carol Navarro, Leonardo Ramos, Paulo Vaz, Pedro Toledo Ramos, Raul De Paula)
Supercombo, 2014


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