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Por que a Apple demorou tanto para abraçar os smartphones dobráveis?

Quando a Samsung desembrulhou o primeiro Galaxy Fold em 2019, o mundo tech parou para observar ao novo produto com a máxima atenção.

Afinal de contas, não era apenas mais um lançamento de mais um smartphone para deixar o mercado ainda mais entulhado e saturado. Era a promessa de uma nova categoria, algo que parecia saído de um filme de ficção científica.

E, de fato, a Samsung conseguiu. Mesmo com erros e problemas no começo dessa jornada, a empresa alcançou um ponto de maturidade inquestionável nas linhas Z Fold e Z Flip, se tornando uma das referências no setor.

Ao longo dos anos, outras empresas (principalmente as chinesas) lançaram suas propostas de smartphones dobráveis, o que ajudou a povoar o mercado de produtos muito interessantes, impulsionando um segmento que, neste momento, é um dos mais cobiçados entre os usuários que estão dispostos a pagar o que for por um telefone com formato diferenciado.

Enquanto isso, a Apple assistia de camarote, como sempre faz.

E a pergunta que não quer calar: por que a empresa que revolucionou o mercado de smartphones com o iPhone demorou tanto para entrar nessa dança?

Agora que estamos muito próximos de testemunhar o lançamento do iPhone Ultra, penso que vale a pena ter uma conversa sobre o assunto.

 

O DNA conservador que poucos enxergam

A verdade é uma só, goste você ou não: a Apple nunca foi uma empresa de pioneirismo tecnológico. E isso não é necessariamente um defeito, tá?

A gigante de Cupertino não tem no seu DNIA histórico entregar ao mercado novas categorias de produtos. Desde o seu primeiro dia de vida, incluindo o lançamento do Apple I (obviamente), ela SEMPRE foi a empresa que melhorava conceitos já existentes, revolucionando por entregar dispositivos melhores, com uma experiência de uso diferenciada.

Agora, falando de forma específica sobre os telefones dobráveis…

Enquanto a Samsung se aventura em territórios desconhecidos com a coragem de quem tem muito a provar, a maçã mordida prefere esperar o barco balançar, entender as marés e só então construir um navio à prova de tempestades.

A história já nos mostrou isso diversas vezes.

O iPhone não foi o primeiro smartphone com tela touchscreen. O iPod não inventou o player de música portátil. O Apple Watch não criou o smartwatch.

Mas todos eles redefiniram suas categorias.

Por quê?

Porque a Apple entende que não se trata de ser o primeiro, mas de ser o melhor – ou pelo menos, o mais polido.

 

Os perrengues dos pioneiros

Vamos combinar que os primeiros dobráveis eram um verdadeiro teste de paciência.

Eu lembro de ver as primeiras análises do Galaxy Fold e deixar meus pensamentos explícitos em alguns artigos que escrevi ao longo dos anos:

“Isso aqui… está muito mais para protótipo que produto final. É muito otimismo da Samsung em lançar um produto desse jeito…”

As telas apresentavam vincos que pareciam cicatrizes, as dobradiças faziam barulhos estranhos e o preço era obscenamente caro.

Não tinha absolutamente nada para dar certo daquele jeito.

Os problemas eram tantos que parecia uma lista de compras de supermercado:

  • Telas que riscavam com a força de um olhar
  • Dobradiças que acumulavam poeira como um aspirador de pó
  • Espessura que faria qualquer smartphone convencional se sentir magro
  • Peso que lembrava os tijolos dos anos 90
  • Vincos que pareciam vales no meio da tela
  • Aplicativos que se perdiam no meio do caminho entre uma tela e outra
  • Preços que competiam com notebooks de última geração
  • Manutenção que custava quase o valor do aparelho

E, sinceramente? Quem em sã consciência pagaria quase dois mil dólares para ser uma cobaia de laboratório?

Bom, o tempo mostrou que a resposta era “muitas pessoas”. Tanto, que a Samsung não desistiu, e seguiu lançando dobráveis ano após ano.

 

O mercado falou (mas não tão alto assim)

Aqui está o pulo do gato: mesmo depois de seis anos de evolução, os smartphones dobráveis ainda são um nicho.

Não me entenda mal. Eles cresceram em volume de vendas e participação de mercado, e o conceito está mais do que validado.

Mas quando você olha para os números, percebe que estamos falando de cerca de 19,6 milhões de unidades em 2025, o que representa apenas 1,6% do mercado global.

É ou não é uma fatia minúscula?

Para uma empresa como a Apple, que vende centenas de milhões de iPhones por ano, entrar num segmento que mal arranha os 2% do mercado não parece um movimento inteligente. Não quando você tem a margem de lucro que eles têm.

Por outro lado, quem olha para o copo meio cheio entende que existe um enorme mercado a ser explorado.

A sobrevivência dos telefones dobráveis por si mostra que existem muitos interessados nesse tipo de produto. E a Apple pode sim explorar isso. É competente o suficiente para isso.

De quebra, pode estimular uma competição por preço e qualidade no resultado final que, até pouco tempo atrás, era inexistente. Praticamente a Samsung estava sozinha no segmento.

Com Apple, Honor, Huawei, OPPO, Motorola e Xiaomi fabricando telefones dobráveis, a Samsung será obrigada a seguir melhorando cada vez mais as suas soluções.

Com sorte, os preços vão FINALMENTE começar a cair.

E todo mundo ganha com isso de alguma forma.

 

A estratégia “come quieto” de Cupertino

O que pouca gente percebe é que a Apple provavelmente já tinha protótipos de dobráveis em seus laboratórios secretos muito antes de qualquer rumor surgir.

Não é difícil pensar que a Apple levou, no mínimo, os últimos cinco anos de sua existência se preparando para esse momento. Considerando seu histórico, a tendência é que a empresa investiu (talvez) bilhões de dólares em indústria e desenvolvimento para lançar o seu primeiro iPhone dobrável.

A diferença real aqui é que a Apple nunca precisou mostrar suas cartas antes do tempo. Simplesmente porque isso não era necessário.

Enquanto a Samsung queimou etapas para ser a primeira, a Apple queima neurônios para ser a definitiva.

A empresa quer um dobrável que não apenas funcione, mas que faça sentido dentro do ecossistema.

E isso significa:

  • Uma tela que não pareça ter sido amassada
  • Uma dobradiça que inspire confiança, não medo
  • Um peso que não transforme seu bolso em um campo de batalha
  • Aplicativos que abracem o formato, não que lutem contra ele
  • Um preço que, mesmo alto, faça você sentir que está levando algo especial

 

O que podemos esperar do primeiro iPhone dobrável?

Especulações à parte (e aqui estou eu, especulando como todo mundo), o que parece claro é que a Apple não vai lançar um dobrável só para dizer que tem um. Se isso acontecer depois de tantos anos de rumores e vazamentos, seria algo simplesmente ridículo.

A Apple esperou com muita paciência por todo tempo do mundo, até que a tecnologia alcance um patamar que justifique o preço premium que eles sempre cobram.

Nunca esteve tão próximo para esse lançamento. E uma coisa é certa: quando a gigante de Cupertino lançar seu dobrável, não será para ser mais um no meio da multidão.

Será para redefinir o que um dobrável pode ser.

E as demais que lidem com isso.

Você, que esperou até agora, está disposto a esperar mais um pouco?