Por que a CES 2021 não aprendeu nada com 2020?

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Talvez você não tenha percebido, pois você é um daqueles que não visita o TargetHD.net todos os dias. Mas em 2021, eu pouco escrevi sobre a CES. O que antes era considerada por mim uma das feiras de tecnologia mais importantes do ano se tornou algo quase desapercebido por mim.

Explico o motivo: meu foco de publicação de artigos mudou.

Na verdade, vem mudando ao longo dos últimos meses, onde estou apostando mais nas dicas e macetes de tecnologia e menos nos lançamentos, pois percebi que os meus leitores querem saber como usar melhor os dispositivos que já possuem, e não tanto comprar novos dispositivos.

Agora, olhando especificamente para a CES 2021, tudo leva a crer que ela não aprendeu com as lições deixadas por 2020. Tudo bem, ela foi para o virtual, um caminho inevitável e que entendo que será o novo normal. Mas não conseguiu ser realmente inovadora e atraente para os fãs de tecnologia.

Por que isso aconteceu?

 

 

 

A CES não viveu o 2020 como deveria

 

A CES não entendeu o que aconteceu em 2020. E não podemos culpá-la, pois, afinal de contas, foi difícil entender tudo o que aconteceu no ano passado. Mas a não compreensão dos eventos e mudanças do ano passado se refletiu em uma CES 2021 que não foi ao foco que realmente importava.

Tudo bem que, historicamente, a CES é uma feira que sempre deu muito foco às telas e TVs. Os principais lançamentos desse segmento são apresentados nessa feira, e é natural que o grande foco dos fabricantes esteja voltado para aquilo que eles sempre fizeram ou apresentaram.

O problema é que esta foi a primeira CES depois de 2020, ano em que tudo mudou, e novas necessidades ou prioridades apareceram para os usuários. Quem sabe deixar de lado as propriedades de telas que só vão chegar na casa dos usuários daqui a cinco anos para apresentar soluções inovadoras que podem estar disponíveis no segundo semestre de 2021.

Um exemplo do “pensar fora da curva” em 2021 foi a Samsung, que basicamente antecipou em um mês o lançamento dos smartphones da sua família top de linha Galaxy S21, para também marcar posição no mercado (para ser a referência dentro do seu segmento), mas também para se fazer presente no mercado por mais tempo para, quem sabe, aumentar o volume de vendas.

Não que lançar um smartphone premium supercaro com uma caneta apontadora seja algo inovador (é bom deixar isso bem claro).

 

 

 

Onde estão as webcams melhores?

 

Considerando que boa parte das pessoas ainda vão passar mais algum tempo trabalhando e estudando em casa, seria natural que os fabricantes aproveitassem o momento para apresentar produtos e soluções pensando nas necessidades pontuais e de momento que apareceram depois do 2020 nada normal.

Mas isso não aconteceu.

Webcams, microfones, headsets, teclados e mouses… todos esses produtos que, para muitos, eram meros acessórios, se tornaram itens indispensáveis para o dia a dia ao trabalhar e estudar em casa. E os fabricantes deixaram a desejar neste aspecto durante a CES 2021.

Tudo bem, recebemos TVs incríveis e notebooks muito potentes. Porém, são produtos que vão chegar apenas no futuro e, ainda assim, com preços proibitivos para a maioria das pessoas.

O que aconteceu em 2021 é mais um indício que a CES não está se conectando com as necessidades reais e imediatas dos usuários. E até mesmo perdeu o foco de inovação, já que os produtos realmente inovadores só poderão ser usufruídos em um futuro a médio e longo prazo. E, neste momento, os usuários contam com necessidades reais e imediatas.

Me questiono se fabricantes e responsáveis pela CES entenderam o que aconteceu em 2021 e nos últimos anos. Mas essa falta de interesse pelo evento, que é algo que eu como produtor de conteúdo já detectei a algum tempo, se tornou mais evidente depois de um ano caótico, já que a maioria esperava por inovações que já estivessem ao alcance de todos, com produtos que poderiam ajudar os usuários a resolver os problemas de hoje.

Quem sabe no ano que vem…


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