
Todo mundo está esperando pelo lançamento do Nintendo Switch 2 ao mercado, algo que vai acontecer em 5 de junho. Bom, quero dizer, todo mundo que possui o dinheiro e a coragem para comprar o console pelo preço que a Nintendo está cobrando por ele.
Uma decisão estratégica que a Nintendo tomou para a concepção do Switch 2 pode ser mais um motivo que explica (mas não justifica) o preço que o produto tem no mercado: ter a Samsung como parceira de fornecimento dos chips do console.
E o que mais dói nessa história é que apenas Nintendo e Samsung vão ganhar com isso. O gamer que pague a conta (mais cara) pela união das duas.
Nintendo ambiciosa com o Switch 2

Para atender à alta demanda projetada, a Nintendo estabeleceu uma parceria estratégica com a Samsung para fabricação dos chips do console.
A expectativa da Nintendo é vender 20 milhões de unidades nos primeiros nove meses após o lançamento, até março de 2026. A escolha da Samsung como fabricante é considerada fundamental para garantir esse ritmo acelerado de produção.
Aqui, não confunda alhos com bugalhos.
O processador que o Nintendo Switch 2 recebe ainda é da NVIDIA. Quem vai MONTAR ou FABRICAR esses processadores é a Samsung.
E você paga a mais no console por causa do trabalho realizado pelos sul-coreanos.
Mas a pior parte vem agora.
Você está preparado?
A Samsung vai ser paga pela Nintendo para montar hardware antigo.
O hardware do Nintendo Switch 2

A empresa japonesa confirmou que o console utilizará um processador NVIDIA personalizado. O chip integrará GPU com núcleos RT e núcleos Tensor, garantindo melhorias gráficas e recursos baseados em inteligência artificial para o novo console.
Segundo informações disponíveis, o Nintendo Switch 2 utilizará o chip NVIDIA Tegra T239. Trata-se de um processador com tecnologia de 2020/2021, cuja GPU possui arquitetura Ampere, semelhante à série RTX 30.
O processo de fabricação do chip será de 8 nanômetros, consideravelmente mais antigo que os 3 nanômetros utilizados em processadores de última geração como o Apple M4, Intel Lunar Lake e Arrow Lake ou Qualcomm Snapdragon 8 Gen 4.
Esta escolha tecnológica terá impacto direto no consumo de energia do console, afetando principalmente a duração da bateria. Um chip de 5 ou 7 nanômetros ofereceria melhor desempenho energético.
Nintendo entregando hardware defasado (de novo)

É a Nintendo confirmando o seu histórico.
O Switch original, lançado em 2017, utilizava o Tegra X1, chip de 20nm anunciado em janeiro de 2015, já defasado na época.
O mesmo ocorreu com o console Wii, cujo chip gráfico era bem menos poderoso que seus concorrentes diretos Xbox 360 e PS3.
A Nintendo demonstra consistentemente que não se preocupa em estar tecnicamente atrás da concorrência, mantendo uma filosofia imutável e até mesmo conservadora demais aos olhos de desenvolvedores e entusiastas dos games.
Por outro lado, nenhuma reclamação importa quando tudo está funcionando.
A estratégia tem se mostrado acertada para a Nintendo, com suas vendas geralmente comprovando a eficácia dessa abordagem. A empresa prioriza a experiência de jogo acima das especificações técnicas.
Foco na jogabilidade e controle de custos

Enquanto concorrentes investem em megaproduções com visual impressionante, a Nintendo mantém sua tradição de desenvolver jogos com jogabilidade extraordinária, deixando os aspectos visuais em segundo plano.
Essa filosofia permite que a empresa crie consoles de qualidade sem necessariamente utilizar os componentes mais recentes ou avançados, reduzindo drasticamente os custos de produção.
Ou melhor… no caso do Nintendo Switch 2, maximize os lucros, já que o preço do novo console saltou para quase o dobro do que custava na época do lançamento do Switch original.
A parceria com a Samsung representa um contrato vantajoso para ambas as empresas.
A fabricante sul-coreana maximizará o uso de suas fábricas, enquanto a Nintendo economizará na fabricação dos componentes ao utilizar chips mais antigos e, consequentemente, mais baratos.
E quem perde nessa história é o cliente, que paga a mais por isso.
Modelo de negócio diferenciado

O Nintendo Switch 2 a US$ 449 levanta dúvidas se os japoneses terão uma lucratividade imediata. Alguns analistas afirmam que a empresa vai perder dinheiro com o hardware, e outros apostam em um equilíbrio maior entre perdas e ganhos.
A Nintendo segue na contramão de Sony e Microsoft, que perdem dinheiro na venda de consoles para recuperar com a comercialização de jogos.
Não dá para ignorar que a decisão da Nintendo também é estratégica do ponto de vista logístico.
Ao fechar uma parceria com a Samsung, a Nintendo evita uma competição direta pela capacidade de produção na TSMC, fabricante que já está sobrecarregada com demandas de empresas como Apple e NVIDIA para chips avançados.
E os rumores mais recentes apontam para um futuro Switch 2 OLED, possivelmente também com fornecimento de painéis pela Samsung, reforçando uma parceria que tem tudo para ser vencedora para ambas.
Só os gamers perdem com produtos mais caros, inclusive pela natureza logística dessa relação.
Sim, eu sei…
Estou trazendo verdades inconvenientes.

