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Dois metros. Esta é a distância mágica de distanciamento social, e os órgãos responsáveis pela saúde e especialistas na área reforçaram esse detalhe por semanas. É o novo normal que temos que viver a partir de agora. Mas… por que? No que se baseia esta recomendação?

Vários países do mundo que estão retomando as suas vidas (algo que, no Brasil, acontece de forma incorreta e irresponsável nesse momento) estão adotando os dois metros para distanciamento social, um pouco mais do que Austrália e Alemanha (150 cm) e França e a OMS (um metro).

Vamos ver o que a ciência diz sobre o distanciamento social.

 

 

 

Ficar próximo é um risco

 

 

Pouco sabíamos sobre as diferentes medidas profiláticas diante de enfermidades respiratórias infecciosas. E convivemos com doenças assim há séculos. A utilidade real das máscaras até recentemente era um deserto de informações, assim como acontece com a distância de segurança.

Mas isso começou a mudar em 2020. No caso do distanciamento social, uma equipe de investigadores da Universidade McMaster do Canadá reuniu 172 estudos de observação em 16 países, analisando qual é a distância mais eficiente para evitar contágios. Eles elaboraram um modelo que foi publicado no The Lancet, que permite entender melhor a dinâmica de transmissão de um vírus.

De um modo geral, se concluiu que o risco de transmissão de pessoas que ficam a um metro d de distância é de 3%. Menos que isso, as chances disparam em 13%. O risco cai pela metade a cada metro de distância que andamos até os três metros de distância.

O estudo também estimou o impacto das máscaras e dos óculos de proteção na exposição da pandemia. As máscaras podem reduzir o risco de infecção em 14%, e os óculos em 10%.

Existem vários outros fatores que precisam ser avaliados para determinar o nível de infecção em uma pandemia, mas os pesquisadores são conscientes que ainda não encontraram dados suficientes para incorporá-los na revisão sistemática. Porém, o resultado é mais que interessante: além do procedimento de lavar as mãos constantemente e por pelo menos 20 segundos, os três elementos abordados no estudo são a base das recomendações sanitárias atuais e os novos dados chegam em um momento muito importante.

Ainda é preciso levar em consideração que a qualidade dos estudos não é a melhor possível, mas a análise permite a geração de um modelo provisório sobre a qual todos podem começar a avaliar as recomendações das autoridades sanitárias. No fundo, a pergunta que persiste nesse momento é: como descongelar a economia e a vida produtiva sem aumentar o perigo de provocar uma nova epidemia?

Na verdade, essa é a grande pergunta de 2020.

 

 

Via The Lancet


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