Por que eu sou coralista?

Porque eu amo música desde que eu me entendo como gente nesse mundo. Porque meus pais me ofereceram tanta informação musical, que em algum momento eu sabia que a música seria uma peça fundamental da minha vida adulta. Porque meu pai encheu a casa de música nos finais de semana, e minha mãe me ensinou a amar os Beatles. E eu sou grato aos dois por isso.

Por que eu sou coralista?

Porque o meu melhor presente de Natal na infância foi um rádio AM/FM com toca-fitas (para dois cassetes). Eu não dormi naquela madrugada entre 24 e 25 de dezembro, gravando músicas, montando fitas para ouvir no dia seguinte, e ouvindo rádios de outras cidades e estados. Naquela madrugada, eu me dei conta que era perdidamente apaixonado por música, e que no futuro essa paixão se transformaria em um amor incondicional.

Por que eu sou coralista?

Porque, aos 14 anos de idade, eu vi um coral cantar duas canções que tocaram o meu coração de forma muito profunda: “Canção Para Ninar Gente Grande” e “Gente Humilde”. Eu não tinha a maturidade para compreender discursos tão maduros, mas já compreendia a sensibilidade daquelas palavras e notas. E decidi que eu queria fazer a mesma coisa. Me arrependo por demorar dois anos para entrar em um coral. Em compensação, entrei para nunca mais parar de cantar.

Por que eu sou coralista?

Porque, aos 16 anos, eu comecei a cantar em grupo, mesmo com dúvidas se sabia cantar. Confesso que até hoje eu não me reconheço como um bom cantor, mas sim como um cara que se esforça para acertar as notas sempre. Ao longo desse tempo, compreendi as partituras, as notações musicais, os sinais de expressão e execução. Mas principalmente, eu compreendi que coralista canta mesmo é com o coração.

Por que eu sou coralista?

Porque foi no canto coral que eu conheci algumas das pessoas mais especiais da minha vida. Alguns dos meus melhores amigos, a mulher que mais amei na vida, alguns dos outros amores. O canto coral me ofereceu as melhores coisas que eu poderia receber da vida, e foi responsável por algumas das decisões que me levaram ao momento que vivo hoje.

Por que eu sou coralista?

Porque o cantar em grupo é algo enriquecedor. O trabalho coletivo nos ensina a ser colaborativo. O coral me mostrou a importância do abrir mão de si pelo progresso do coletivo. De novo: eu agora não canto sozinho. Eu não estou sozinho. E sei que, em muitos momentos, eu estou ao lado de pessoas que são tão apaixonadas por música como eu sou.

Por que eu sou coralista?

Porque os meus regentes me ensinaram lições que vou carregar para sempre. As lições musicais e as lições de vida. Me ensinaram a ver música através das partituras, mas a sentir as letras com o coração. Meus regentes construíram o meu DNA musical, mostrando a importância de ouvir e cantar de tudo, com olhos, ouvidos, mente e coração abertos para absorver cada palavra como se fosse a minha realidade mais profunda.

Por que eu sou coralista?

Porque foi em um coral que aprendi que o uníssono é a força total do coral, que a primeira lição que aprendemos em um coral é saber ouvir, que as óperas são para os fortes, que nem sempre o cantor mais preparado canta na frente, que ouvir o colega ao lado é fundamental, e que deixar que as pessoas ouçam a voz do nosso coração é o objetivo final.

Por que eu sou coralista?

Porque o canto coral salvou a minha vida tantas vezes, que eu não consigo mais contar. Literalmente. Se em um dos momentos mais confusos da minha vida eu não tivesse entrado em um coral, esse texto simplesmente não existiria. Nem meus blogs, nem minha página no Facebook. Eu não existiria.

Por que eu sou coralista?

Porque a música e o canto coral me deram voz. Mostraram que o somar a minha voz com a do outro é a construção da força do coletivo para alcançar objetivos maiores. Porque vozes em conjunto viajam mais longe e são ouvidas por mais pessoas. Porque é o que me impede de enlouquecer em um mundo cada vez mais confuso.

Por fim… porque eu sou coralista?

Porque através do canto coral eu compartilhei os meus mais profundos sentimentos com amigos, familiares e desconhecidos. Porque eu cantei “eu te amo” com a mesma coragem e verdade que cantei coisas como “eu não existo sem você”, “se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi” e “Por me deixar respirar, por me deixar existir, Deus lhe pague”. Porque ser coralista faz de mim alguém muito maior do que eu sonhei ser.

É o meu primeiro Dia do Coralista em Florianópolis, cidade onde essa data ganha outro significado. Hoje, eu pensei em toda a minha trajetória como coralista. De tudo o que eu abri mão para continuar a fazer música em grupos de canto coral. Festas, eventos, madrugadas de sono, domingos e feriados. Não me arrependo de nada. Faria tudo de novo. E sou feliz porque fiz tudo isso por amor.

Também pensei em todos os meus regentes. Cada um deles, e em como eles influenciaram na forma em que eu hoje vejo a experiência musical e de canto coral. Agradecer a eles é insuficiente diante de tudo de bom que recebi. Mas, humildemente, agradeço pela paciência e dedicação. Da minha parte, continuo a ser o mesmo cara que se entrega em 110% a cada projeto, a cada arranjo, e em todas as notas.

Eu sou coralista. Vou ser coralista até o fim da minha vida. Porque a vida sem música não faz sentido. E fazer música em um canto coral foi o sentido que eu dei para a minha existência ser essa fantástica experiência que vivo desde os meus 16 anos de idade.

Feliz Dia do Coralista para toda e qualquer pessoa que, com coragem e amor, decide somar a sua voz com o próximo para fazer música, cantar mensagens e levar adiante ideias e pensamentos que podem consertar o coração das pessoas.

Aplaudo de pé cada um de vocês, corajosos cantores!