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Por que o Batman é um problema para James Gunn

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Ser o chefão do DCU passa bem longe de ser uma tarefa fácil.

Seus chefes são problemáticos e adoram se meter nos aspectos criativos dos seus filmes. E os fãs dos personagens que você precisa lidar são tão insuportáveis, que você prefere ter o Coringa como o seu melhor amigo.

Então… pode não parecer, mas James Gunn tem alguns abacaxis para descascar na vida. Ou comer tudo com casca e tudo, e sofrer as consequências depois.

James Gunn está prestes a lançar seu novo Universo DC, iniciando com o filme Superman, e já tem planejado um cronograma completo de séries e longas que apresentarão personagens menos conhecidos ao grande público.

Porém, o maior desafio criativo que enfrenta é a reinvenção de um ícone: Batman.

 

Por que o Batman é um problema?

Diferente da abordagem sombria e introspectiva de versões recentes — como as de Nolan, Snyder e Reeves — Gunn parece interessado em explorar um lado mais humano, equilibrado e até feliz do Cavaleiro das Trevas, inspirado na fase de Tom King nos quadrinhos (2016–2019).

Nessa versão, Bruce Wayne tenta levar uma vida mais leve, convivendo com seu filho Damian, mantendo uma relação saudável com Superman e até cogitando um futuro com a Mulher-Gato.

O grande problema aqui é: os fãs da DC querem mesmo ver um Batman mais humano e colorido, sendo que, historicamente, ele se moldou como um personagem sombrio e problemático?

A proposta de Gunn esbarra em uma resistência cultural: o público que só conhece Batman pelo cinema está acostumado com esse herói sombrio, solitário e traumatizado.

James Gunn reconhece isso como seu “maior problema na DC”, conforme revelou em entrevista à Rolling Stone, e trabalha com roteiristas para equilibrar fidelidade ao personagem com inovação narrativa.

 

Um mundo à parte

A complexidade da questão aumenta com o próximo filme “Os Bravos e os Ousados”, dirigido por Andy Muschietti, que introduzirá Damian Wayne, o filho de Bruce, indicando uma nova perspectiva para o personagem, com o homem-morcego com uma família para proteger.

E tudo isso, sem mencionar que já existe um Batman nos cinemas, mas que está completamente fora do DCU de James Gunn – e eu falo mais sobre isso daqui a pouco.

A questão central é: o público está preparado para um Batman mais flexível emocionalmente, que se conecta com outros heróis de maneira calorosa? Ou preferirá o retorno ao modelo sisudo e isolado consagrado pelo cinema?

Sinceramente?

Nesse momento, sinto que a maioria quer que o Batman fique exatamente onde está. Por outro lado, esses mesmos fãs precisam entender que nem nos quadrinhos o Batman é unilateral no seu comportamento.

Existe um vasta gama de interpretações que o Batman teve em seus 86 anos de história nos quadrinhos, desde o “Batman da Era de Ouro” até “O Retorno do Senhor da Noite”. Ou seja, Gunn tem material de sobra para fazer uma escolha para o personagem no DCU.

Uma possível solução para a DC seria permitir que o Batman do universo principal de Gunn tenha uma personalidade mais “afável”, enquanto a versão mais sombria e depressiva de Bruce Wayne existiria em produções como “The Batman” (fora do DCU principal).

É uma saída. Mas que pode determinar uma certa “confusão” nos mais leigos.

Qual seria o Batman verdadeiro? Os dois?

Multiverso de novo? Não, né?

O dilema de Gunn simboliza o desafio de renovar mitos já consagrados sem alienar os fãs. Ainda que seja possível — como provam os quadrinhos —, romper com o Batman tradicional pode custar caro em um universo onde a expectativa dos fãs pesa tanto quanto a bilheteria.

E boa sorte para ele na hora de achar uma solução. Afinal de contas, ele é muito bem pago justamente para isso.

Resolver os problemas da DC.


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@oEduardoMoreira