Compartilhe

Os filmes da franquia Deadpool (especialmente o primeiro) me surpreenderam. Eu fui ao cinema sem conhecer absolutamente nada sobre o personagem (e lamento decepcionar, amigo leitor nerd, pois não me considero nerd, muito menos um viciado nos filmes da Marvel), e acabei adorando a proposta do filme.

Ter um personagem desbocado, beirando ao delinquente, com um senso de justiça incomum e um ótimo coração beirando o limite do aceitável para um anti-herói é algo divertidíssimo. E Ryan Reynolds soube materializar de forma brilhante a proposta de um personagem que se tornou rapidamente um ícone de uma nova geração de fãs de cinema e cultura pop.

Ou seja, nem chama tanto a atenção topar com Deadpool nas mais diferentes situações.

Pois bem, os protestos do Black Lives Matter se tornaram um assunto importante no mundo todo, pois passou da hora do racismo estrutural desaparecer de vez do nosso planeta. A campanha ganhou ainda mais popularidade quando diversas celebridades e empresas decidiram aderir ao movimento.

Porém, ver a imagem do Deadpool no meio dos protestos é algo que sempre chama a atenção de qualquer pessoa, especialmente para os fãs de quadrinhos.

 

 

 

Da Marvel para os protestos

 

 

É óbvio que não era o próprio Ryan Reynolds que apareceu nos protestos. Estamos falando do personagem Deadpool, aquele mesmo dos quadrinhos e que virou o sonho de consumo nos cinemas para os fãs que desejam ver ele com uma revanche com o Wolverine (principalmente o do Hugh Jackman).

Quem estava desenhando o Deadpool em escala gigante para comparecer aos protestos nos Estados Unidos foi o artista Garrion Gist. Quando ele foi questionado sobre o que o motivou a escolher esse personagem para os protestos, especialmente pelo fato desse singular herói ser caucasiano.

A seguir, a resposta de Gist:

 

“Quando pensamos em Deadpool, pensamos em alguém rebelde, radical, que não se cala para nada. Além de tudo isso, ele desafia todos os limites e ideias que aceitamos quando pensamos em super heróis”.

 

Bom, essa é a opinião de Garrison Gist quando pensa no Deadpool. O personagem foi visto em paredes e avenidas em diferentes cidades norte-americanas, com as siglas BLM (Black Lives Matter) na sua máscara.

 

“Eu realmente queria usar uma metáfora sobre para onde está seguindo a nossa geração nesse momento, cujo movimento está sendo radical e rebelde. Estamos fazendo o que temos que fazer para poder ver que as mudanças que queremos que aconteçam realmente aconteçam”.

 

Não resta a menor dúvida que a escolha desse personagem entrega um representativo muito peculiar, mas não pode ser considerada como uma escolha estranha. Deadpool basicamente consegue representar a uma enorme quantidade de pessoas justamente por causa de sua natureza psicológica e bases morais que assumiu ao longo de uma vida inteira.

Vale também lembrar que Deadpool também é representante da comunidade LGBT+, uma vez que o personagem é pansexual (sério mesmo que você não sabia disso, nerd mais revoltado?). E nesse momento, o que está em jogo não é apenas a representação da vontade da juventude e do sentimento dos protestos como tal, mas também a representatividade dos negros LGBT+, que sofreram diversos abusos ao longo das últimas décadas.


Compartilhe