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O tablet Microsoft Surface chegou ao mercado (lá fora) com muitas expectativas. Porém, os resultados de vendas não são tão satisfatórios quanto se esperavam. De fato, por causa dessas fracas vendas, a Microsoft decidiu reduzir o preço do seu tablet em 30% no último domingo (14) nos Estados Unidos, com o objetivo de atrair mais consumidores.

Todo esse movimento levanta uma única questão: por que o Surface está fracassando no mercado? Nem vamos levar em consideração que o modelo não está disponível no mundo todo (inclusive no Brasil), mas levemos em consideração que não é normal que um tablet que no seu lançamento custava US$ 499 tenha o seu preço reduzido para US$ 349 apenas alguns meses após a sua chegada ao mercado.

O primeiro fato a ser constatado é: o Surface não correspondeu às expectativas. E isso é muito óbvio.

Todos são muito conscientes sobre a queda de vendas dos computadores pessoais (PCs, notebooks, ultrabooks, netbooks, etc). Hoje, ainda que alguns entendam que o PC tradicional é um produto essencial, a grande verdade é que a maioria dos usuários domésticos estão apostando em outras alternativas de uso mais confortável e adaptado para o seu uso.

Os tablets, por exemplo, tiveram um aumento de volume de vendas de forma exponencial nos últimos anos, principalmente aqueles que contam com os sistemas iOS e Android. Mas… se os tablets são os produtos do momento, por que o Surface não consegue entrar nessa lista de bem sucedidos?

 

Ele chegou ao mercado tarde demais?

A Microsoft está com problemas sérios para entrar de vez no mercado de tablets. Também é verdade que eles chegaram à esse disputado mercado muito tarde, e esse é apenas um fator de dificuldade adicional para o progresso do Surface no mercado. Porém, esses fatores ainda não são os principais culpados.

Para falar a verdade, quando você entra em um mercado já saturado, é preciso entrar para desbancar todos aqueles que já estão estabelecidos. É fundamental que esse novo produto conte com um valor agregado, ou um diferencial que a sua concorrência não possui. Não podemos dizer que a Microsoft não se esforçou para apresentar tais diferenciais, já que o Surface é o único produto que é um autêntico híbrido entre tablet e computador tradicional.

Além disso, o Windows 8 é um bom sistema operacional (na minha opinião), com uma interface renovada, que visa unificar a experiência de uso de todos os dispositivos da Microsoft. E tanto o Surface RT quanto o Surface Pro são tablets que podem despertar o interesse daqueles que querem ter esse ecossistema da empresa de Redmond na sua casa.

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O Surface deveria ter sido lançado antes. Agora, muitas pessoas já possuem um tablet em casa, e custa muito mudar de sistema sem um bom argumento. Imagine o que você teria que fazer com todos os aplicativos que você comprou para o seu antigo sistema (passei por isso recentemente). Ainda que o dinheiro investido não pareça muito, posso dizer sem medo de errar que muitos não mudam de sistema porque já estão acostumados com a plataforma atual.

Muitas vezes, ter uma estabilidade na vida é algo bom, e não é todo mundo que busca mudar de sistema operacional para “testar coisas novas”. Mesmo assim, vale a pena destacar que, por ser uma plataforma muito nova, o Windows 8 carece de alguns aplicativos que são considerados essenciais para muitos usuários.

 

O primeiro produto de uma nova leva de produtos

Vamos ser sinceros. Enquanto os demais fabricantes já contam com produtos ajustados no mercado, com atualizações constantes, a Microsoft lançou apenas o seu primeiro tablet. Logo, tudo é uma questão de confiança, também. Tablets com iOS e Android já são produtos consolidados junto ao consumidor. A Microsoft acaba de chegar a esse mercado, com produtos totalmente novos, e isso sempre gera uma grande dose de indecisão.

Não sei qual é a filosofia da Microsoft nesse aspecto. Eles vão lançar novos tablets? Se sim, como serão esses novos produtos? Esses novos produtos vão apresentar melhorias consideráveis em relação aos modelos de primeira geração? Eles vão desistir do mercado de tablets com o fracasso dessa geração de produtos?

Bom, a resposta da última pergunta, nós já sabemos: NÃO. Até porque a própria Microsoft já informou que eles estão trabalhando na próxima geração de tablets Surface.

Da mesma forma, o Windows 8 apresentou uma grande mudança de interface, e ainda tem muita gente que não se acostumou com isso. Os usuários mais experientes não encontraram problemas com essas mudanças. Porém, aqueles não tão íntimos com tantas mudanças encontram dificuldades na hora de utilizá-lo. Logo, é necessário um bom período de adaptação nesse aspecto também.

 

O que manda, no final das contas, é o preço

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Todos nós sabemos que o preço é um dos fatores que mais influenciam o consumidor na hora de comprar um produto. E se o preço é elevado demais em um produto que não sabemos exatamente como ele vai funcionar em nossas mãos, as chances de não comprarmos o produto aumentam de forma considerável.

Por causa das fracas vendas do Surface, a Microsoft reduziu o preço do produto em US$ 150. O desconto só é válido para os Estados Unidos, por enquanto. O Surface RT passa a custar US$ 349,99 (antes custava US$ 499,99), e o Surface Pro custa agora US$ 449,99 (antes custava US$ 599).

Porém, não sabemos se a Microsoft vai adotar as mesmas medidas nos demais mercados onde o produto está presente. E não sabemos se essa redução de preço será o suficiente para colocar o produto na briga contra a já acirrada concorrência.

Enquanto não temos as respostas, o jeito é esperar. No caso do Brasil, esperar deitado, uma vez que não há qualquer previsão de lançamento do Surface para o nosso país.