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Por que o NexPhone existe?

O NexPhone representa uma nova tentativa de criar um smartphone capaz de funcionar como computador desktop completo, algo que fabricantes tentaram sem sucesso nos últimos dez anos.

E todo esse fracasso deveria indicar para esses mesmos fabricantes que praticamente ninguém quer isso. Nem mesmo a Samsung com o DeX (que só agora está bem integrado e funcional) conseguiu fazer a proposta vingar.

A nova iludida da vez é a empresa Nex Computer, conhecida por produzir docks para laptops desde 2016, que acredita que o momento atual é propício para esse tipo de dispositivo devido aos avanços tecnológicos recentes.

Será mesmo?

 

Três sistemas operacionais em um único dispositivo

O diferencial do aparelho está no suporte simultâneo a três sistemas operacionais distintos: Android 16 como plataforma móvel padrão, Debian Linux disponível como aplicativo dentro do Android, e Windows 11 em configuração de boot duplo.

Até consigo imaginar um programador multiplataforma ou um usuário heavy user adotando a proposta para fins específicos. Mas não consigo imaginar (de forma alguma) esse produto conquistando o grande público apenas e tão somente por existir desse jeito.

O processador Qualcomm DragonWing QCM6490, originalmente desenvolvido para dispositivos IoT Enterprise, possui suporte oficial da Microsoft, embora ainda não se saiba exatamente como os sistemas operacionais vão performar neste hardware específico.

 

Por que esse dispositivo existe neste momento?

A proposta ganha relevância pelo fato de smartphones modernos apresentarem especificações superiores em processamento e memória RAM, muitas vezes superando notebooks convencionais.

OK, esse é um ponto. Mas quem já possui um smartphone que pode se transformar em PC já faz isso, e ainda é um público residual. A maioria só quer mesmo ter um smartphone com uma única plataforma, pois em muitos casos, o iOS ou o Android é mais do que suficiente.

Sem falar nas iniciativas que aproximam os sistemas operacionais tradicionais de dispositivos ultraportáteis dedicados ao trabalho (aka notebooks ultrafinos), com potência superior para as tarefas mais elaboradas.

Por exemplo, a Microsoft portou recentemente seu sistema operacional completo para arquitetura ARM, permitindo que dispositivos móveis executem o Windows 11 de forma nativa, ainda que não oficial em alguns casos.

Eu imagino os usuários mais exigentes procurando um dispositivo completo para essas necessidades de trabalho do que dependendo de um monitor e um teclado de terceiros para realizar as mesmas tarefas.

 

Não sabemos tudo sobre o NexPhone

Questões práticas permanecem sem resposta clara, especialmente sobre o funcionamento das chamadas telefônicas enquanto o dispositivo opera com Windows 11 ativo. E não adianta pensar demais no dispositivo sem o sistema operacional da Microsoft funcionando para atender ao grande público que não consegue se livrar do sistema operacional.

A empresa sugere que usuários acostumados com especificações topo de linha considerem o NexPhone como segundo aparelho, dada sua configuração intermediária de hardware. E aqui, temos um argumento minimamente plausível.

Muitos usuários só contam com um computador em casa. E se esse equipamento der algum tipo de problema que exige o envio para uma assistência técnica, o NexPhone chega para não deixar o usuário completamente desamparado.

O Android e Debian podem operar em modo desktop sem necessidade de reinicialização, oferecendo flexibilidade maior que o Windows nesse aspecto. A experiência desktop do Android evoluiu consideravelmente nos últimos anos, tornando-se mais viável para uso produtivo com teclado e mouse.

Moral da história: descobrimos por que o NexPhone existe no final de um artigo com 559 palavras.

De nada (562).

 

Via Liliputing