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Por que o polêmico teste que colocou um Tesla contra a parede tem uma certa dose de sentido

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A última polêmica “inútil” da internet é um vídeo que viralizou nas últimas horas, envolvendo um youtuber que decidiu, por livre e espontânea vontade, bater com um carro Tesla contra uma parede falsa.

Não… eu não estou falando de um protesto contra as posturas de Elon Musk como parte do atual governo norte-americano. E eu coloquei aspas na palavra “inútil” porque, por incrível que pareça, esse teste faz muito sentido para algumas pessoas.

Não podemos nos esquecer que estamos diante de um carro que, mesmo com todos os seus recursos avançados, conta com uma tecnologia que ainda não está perfeitamente ajustada: a condução autônoma.

 

O Tesla Model Y e o teste da parede falsa

Imagine estar a 64 km/h, com o piloto automático ativado, e seguir em direção a uma estrada que, de repente, desaparece. Foi exatamente isso que Mark Rober, engenheiro da NASA e YouTuber com mais de 65,8 milhões de inscritos, fez para testar os limites do sistema autônomo da Tesla.

O experimento consistiu em dirigir um Tesla Model Y em direção a um muro pintado para simular a continuação da estrada. O objetivo disso foi comparar a tecnologia baseada apenas em câmeras da Tesla com um Lexus RX equipado com o LiDAR, tecnologia que emite pulsos de luz para mapear o ambiente em 3D.

A Tesla abandonou radares e sensores em 2022, apostando exclusivamente em câmeras. A empresa garante que seu software pode interpretar o ambiente com a mesma precisão que o LiDAR. Mas o teste mostrou outra realidade.

Nos desafios propostos, o Lexus com LiDAR conseguiu detectar crianças na pista, obstáculos em condições adversas, como neblina e chuva forte, e, claro, a parede falsa. Já o Tesla Model Y falhou em todos esses cenários, seguindo em frente sem reconhecer a ilusão da estrada.

 

A polêmica: o teste é justo?

O vídeo gerou óbvia discussão. Caso contrário, eu nem me daria ao trabalho de escrever esse artigo.

Muitos questionaram se o experimento realmente reflete situações do mundo real. Afinal de contas, quando um motorista encontraria uma estrada falsa pintada?

Outro ponto polêmico do teste: Rober ativou o piloto automático poucos segundos antes do impacto, e a gravação mostra que o sistema se desativa no momento da freada.

Ele foi acusado de manipulação, mas divulgou versões completas do vídeo para se defender.

Críticos também argumentam que ele comparou tecnologias diferentes. O Lexus usava o LiDAR, enquanto o Tesla estava apenas com piloto automático ativado, sem o Full Self-Driving (FSD), o sistema autônomo mais avançado da Tesla.

 

A resposta dos defensores da Tesla

Para rebater Rober, o YouTuber Kyle Paul, especialista em Tesla, refez o experimento com um Cybertruck. No seu teste, o carro reconheceu a parede e freou a tempo. Mas há um detalhe: ele realizou o experimento à noite.

A iluminação fraca pode ter ajudado as câmeras do Tesla a perceber o obstáculo, ao contrário do teste diurno de Rober, onde a luz intensa confundiu o sistema.

Esse fator levanta outra dúvida: o Cybertruck realmente detectou a parede ou apenas as condições favoreceram o reconhecimento?

Toda essa polêmica escancara uma questão maior: qual é o melhor caminho para a direção autônoma?

Enquanto a Tesla insiste nas câmeras, outras montadoras investem no LiDAR para maior segurança. E, ao que tudo indica, a segunda tecnologia é mais eficiente que a primeira.

O teste de Rober pode não representar um risco real nas ruas, mas levanta um alerta: sem sensores adicionais, os Teslas podem estar mais vulneráveis a situações inesperadas. E para os motoristas dos carros da empresa do Elon Musk, o melhor conselho neste momento é manter as mãos no volante, só para ter certeza de que tudo vai dar certo.


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@oEduardoMoreira