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Por que o próximo iPhone pode ser mais difícil de comprar (e mais caro)

Sinal de alerta ligado.

A gente está acostumado com a Apple lançando seus produtos com uma certa pompa e, mesmo com filas, a sensação é de que sempre dá pra conseguir um. Mas, pelo que tudo indica, a linha iPhone 18, especialmente os modelos mais tops de linha, vai chegar com uma pegada de “quem pegou, pegou”.

E o pior: pode vir com um preço que vai fazer a gente suar frio só de olhar.

A raiz do problema não é uma simples questão de “a Apple não fez o suficiente”, como alguns podem pensar. Na verdade, o que está pegando é a tal da cadeia de suprimentos, que parece ter virado um verdadeiro pesadelo logístico para a gigante de Cupertino.

O problema é técnico e, na minha opinião, mostra como a dependência de componentes específicos pode atrapalhar até a maior das empresas.

 

A dança dos chips: um problema de memória (e não é da sua)

O cerne da questão está no novo processador que deve equipar os iPhones mais caros, o tal do A20 Pro. Ele está sendo fabricado com uma tecnologia de ponta, de apenas 2 nanômetros, pela TSMC.

Isso é impressionante em termos de desempenho, mas trouxe um desafio enorme. Diferente do que a Apple fazia antes, a memória RAM (a DRAM) agora precisa ser integrada ao chip de uma forma muito mais complexa, praticamente soldada junto durante o processo de fabricação.

É tipo querer fazer um bolo e descobrir que o forno só funciona se os ovos e a farinha forem colocados juntos em um momento específico.

O analista de semicondutores Tim Culpan trouxe a informação de que a Apple está tendo dificuldades para conseguir DRAM suficiente.

O resultado disso?

Existem chips A20 Pro “quase prontos”, parados nas fábricas, esperando esse componente que não chega. É uma paralisação que afeta toda a linha de produção, criando um gargalo imenso.

A gente precisa lembrar que isso não é um problema de demanda, mas sim de oferta. A Apple não está conseguindo fazer os chips, independentemente de quantas pessoas queiram comprar.

E não para por aí.

Além da DRAM, a memória flash NAND, usada para o armazenamento interno do celular, também está sofrendo com o aumento de custos e a alta demanda global.

Essa combinação de fatores está elevando o custo de produção do iPhone 18 Pro Max em algo em torno de US$ 300, segundo estimativas. E, como a Apple não é uma instituição de caridade, esse custo extra certamente vai ser repassado, pelo menos em parte, para o consumidor final.

A grande questão é saber o quanto.

 

Um lançamento partido ao meio

Aqui a coisa fica ainda mais interessante e, confesso, um pouco frustrante para quem não quer desembolsar uma fortuna.

Os rumores mais fortes apontam que a Apple vai quebrar o ciclo anual de lançamentos. Em setembro de 2026, a expectativa é que a empresa apresente apenas o iPhone 18 Pro, o 18 Pro Max e o primeiro iPhone dobrável.

O modelo padrão, aquele mais “acessível” da linha, pode ser adiado para o primeiro semestre de 2027.

Eu particularmente acho que essa é uma decisão que, se confirmada, mostra uma estratégia bem clara, consciente e até racional da Apple.

A empresa está enfrentando uma escassez de componentes e, para não atrasar o lançamento dos seus produtos mais lucrativos (e com maior margem de lucro), ela está sacrificando o modelo de entrada.

É uma escolha fria e calculada, mas que faz sentido do ponto de vista de negócios:

  • Prioridade aos tops: Com a DRAM e a NAND escassas, é mais vantajoso usar esses componentes para fabricar um Pro Max de US 900. A margem de lucro é muito maior.
  • Evitar a “canibalização”: Se o modelo padrão fosse lançado junto com os Pro, ele poderia roubar vendas do iPhone 17, que ainda seria uma opção para quem quer gastar menos. Ao adiar o 18, a Apple estende o ciclo de vida do 17.
  • Aposta no dobrável: A estreia do iPhone dobrável é um evento gigantesco para a marca. Ao concentrar os holofotes apenas nos modelos premium, a Apple garante que o lançamento do dobrável seja o grande destaque do evento.

 

Quanto vai custar esse “privilégio”?

Agora, a pergunta que não quer calar: o quanto tudo isso vai pesar no preço final?

Bom, os números variam bastante, e é aqui que a confusão reina. Nenhuma dessas estimativas é oficial, então vamos por partes.

Analistas de diferentes casas de pesquisa têm feito suas projeções.

O Jeff Pu, da GF Securities, é o mais pessimista, com um aumento estimado de US$ 250 a US$ 300 nos modelos Pro. A Counterpoint Research fala em um número um pouco menor, por volta dos US$ 200.

Já o famoso Mark Gurman, da Bloomberg, é mais otimista, acreditando em um reajuste entre US$ 100 a US$ 200. Outros analistas do JP Morgan, por exemplo, acreditam que a Apple tentará absorver parte desse custo para não assustar os consumidores.

Traduzindo para números:

  • iPhone 18 Pro: O preço inicial pode saltar de US$ 1.099 (do iPhojne 17 Pro) para algo entre US$ 1.349 e US$ 1.399.
  • iPhone 18 Pro Max: O valor pode subir dos US$ 1.199 para algo entre US$ 1.449 e US$ 1.499.

É importante deixar claro que esses valores são para o mercado americano e não incluem impostos. Se a gente pensar na realidade brasileira, com ICMS, PIS/COFINS e a nossa querida taxa de importação, o preço final pode ser ainda mais assustador.

Um aparelho de US$ 1.500, com os nossos tributos, facilmente chega aqui custando o triplo em reais.

E o que isso significa na prática?

  • Para quem quer o topo de linha: Prepare o bolso e a paciência. Além do preço mais salgado, o estoque será limitado, e pode ser que você tenha que esperar semanas para receber o seu aparelho.
  • Para quem quer um “iPhone mais barato”: A boa e velha dica de esperar o lançamento do novo para comprar o antigo com desconto pode ser ainda mais válida este ano. O iPhone 17 deve continuar sendo a melhor opção para quem quer um ótimo celular sem pagar os olhos da cara. Caso contrário, a espera pelo iPhone 18 padrão vai ser longa, até 2027.

 

Será que a Apple vai conseguir dar a volta por cima?

Diante desse cenário, a grande incógnita é se a Apple vai conseguir resolver o problema a tempo.

No fim das contas, tudo é especulação até o dia do evento oficial. A empresa tem um poder de barganha imenso com seus fornecedores e pode conseguir novas cotas de DRAM e NAND para aliviar a pressão.

Também não dá para descartar a possibilidade de a Apple rever a estratégia de preços, principalmente se a concorrência (como a Samsung) não aumentar tanto os valores dos seus produtos. Se o aumento for muito abusivo, a empresa pode acabar perdendo mercado para os tops de linha Android, que estão cada vez mais robustos.

A verdade é que a Apple está navegando em águas turbulentas. A crise dos chips é global e atingiu em cheio a sua cadeia de produção. Como a empresa vai se sair nessa, a gente só vai descobrir nos próximos meses.

Mas uma coisa é certa: se você está de olho em um iPhone 18 Pro, já pode ir guardando dinheiro… e rezando para dar sorte na fila de espera.

 

Via: TecMundo, Canaltech, TecMundo, MacRumors, Vietnam.vn