
Chega de Batman chorando na chuva, graças ao bom Deus!
E digo, logo de largada, que essa era sombria que o “Snyderverso” deixou para todos nós era um autêntico pé no saco para mim.
Já me pronunciei algumas vezes sobre o que eu penso do Zack Snyder: irritante, pedante, prepotente, arrogante. Um ser que só sabe gravar cenas de ação em câmera lenta (porque a ação frenética é gravada por um bêbado, tal e como vimos em “O Homem de Aço”.
Dito isso…
Os filmes de super-heróis estão passando por um banho de loja cromático. Sai a paleta sóbria e melancólica que marcou a era “Snyderverso” e entra um festival de cores primárias, contrastes berrantes e figurinos que não pareceriam deslocados num desfile da São Paulo Fashion Week versão cosplay.
Eu sei que isso está irritando a muitos que são desprovidos de bom senso na vida, mas entendo também que é preciso explicar melhor o que está acontecendo, para a melhor compreensão do coletivo.
Todo mundo se cansou do mundo sombrio

O novo arco-íris cinematográfico não é só frescura de diretor alternativo com filtro de Instagram. Ele responde a algo muito mais profundo — o estado emocional de uma plateia global exausta de tanta tragédia no noticiário.
Pode até ser que você, meu pequeno Enzo que não trabalha, passa mais tempo com a avó porque tem os pais separados e dependeu do cartão de crédito do pai para ter um PlayStation 5, prefira mesmo o tom mais sombrio do Zack Snyder por um gosto estético.
Eu te entendo. E é seu direito pensar assim.
Mas… fato é que… você precisa de terapia para cuidar dessa sua mente problemática, pois eu e o mundo civilizado não aguentava mais isso.
Aquele “Liga da Justiça – Snyder Cut” só é aceitável se você assistir em quatro dias. Por melhor que seja nos aspectos narrativos, ele é visualmente cansativo.
E muito mais do que gostos ou preferências pessoais. Os estúdios se dão ao trabalho de estudar o que o grande coletivo pensa e sente sobre essa questão estética.
De ‘Guardiões da Galáxia’ a um novo ‘Superman’ reluzente feito farol de aeroporto, passando por um ‘Quarteto Fantástico’ com pinta de HQ anos 60, os estúdios estão apostando em visuais mais solares como uma espécie de abraço visual no público.
E isso tem toda a lógica do mundo.
Em tempos de crise climática, guerras intermináveis e boletos que parecem multiplicar, quem quer ver mais um filme cinza com heróis torturados falando baixo?
A resposta hollywoodiana parece ser: ninguém.
Exceto você, meu caro Enzo, que é emocionalmente perturbado por causa dos seus pais problemáticos.
A culpa é do James Gunn?

As viúvas do Zack Snyder começaram uma campanha online para boicotar o novo filme do “Superman” por ser “colorido demais, woke demais… origem do Superman demais”.
E tudo isso tem como alvo principal ninguém menos que James Gunn, que agora comanda a nova fase da DC, e que deixa bem claro que não está pra brincadeira.
Seus filmes são uma ode à estética colorida dos gibis clássicos. Rocket, Groot, trajes em vermelho e azul saturado — tudo meticulosamente pensado para evocar leveza, esperança e, claro, vender bonequinhos.
Ops, desculpa… action figures.
A Marvel Studios sempre apostou nessa paleta de cores mais viva, e sempre funcionou. Tanto no resultado final da grande maioria dos filmes quanto nos aspectos comerciais.
Porque quando o mundo real parece um episódio de Black Mirror dirigido pelo Tarantino, tudo o que a gente precisa é ver alguém voando com uma capa vermelha enquanto uma trilha épica explode ao fundo.
A maioria das pessoas prefere ter um pouco de esperança ao ver um filme sobre heróis porque, no final, queremos acreditar que algum desastre pode se reverter porque alguém decidiu salvar todo mundo.
Simples assim.
As pessoas vão para o cinema para poder se isolar do torturante mundo real por duas horas. Recarregar as energias e até mesmo a fé no impossível.
Sempre comparo a experiência cinematográfica com o “mito da caverna” de Platão. Quando saímos da sala escura, voltamos para a realidade que tenta nos consumir o tempo todo.
Logo, tudo o que não preciso é de um mundo em tons sombrios me dizendo “salve a Martha” como solução para um conflito mortal.
Há quem torça o nariz para essa mudança, chamando de estética pasteurizada ou marketing disfarçado de arte. E pode até ser.
Mas se esse verniz colorido nos ajuda a esquecer — por duas horas — que o mundo lá fora tá difícil, então que venham mais heróis de collant amarelo neon e vilões verdes radioativos.
Eu simplesmente não me importo com quem pensa diferente de mim.
Pois as vozes contrárias sofrem de mommy issues.

