Já é de conhecimento daqueles que estão por dentro das particularidades do mundo da tecnologia que os grandes CEOs do setor não deixam os seus filhos e membros de sua família contarem com o livre acesso à tecnologia, algo que, para muitos, poderia ser contraditório.

Mas… nem tanto.

Steve Jobs, Bill Gates, Jack Dorsey, Tim Cook e tantos outros grandes executivos do mundo tech decidiram restringir o uso de smartphones, videogames e outros gadgets pelos seus filhos, com o objetivo de que os mesmos sejam crianças normais, com hábitos e experiências características de sua idade.

Algumas medidas podem parecer um tanto quanto radicais, mas entendo que estão corretas. Hoje, vejo tantos pais com problemas com os filhos no uso de smartphones em qualquer lugar (principalmente na mesa de refeições, local onde as famílias deveriam priorizar a interação entre eles), onde não conseguem mais controlar esse consumo desenfreado dos dispositivos eletrônicos por parte dos mais novos.

Tal controle também faz com que as futuras gerações não sofram da síndrome do “estou perdendo alguma coisa que está acontecendo nesse momento”, que muitos passam em tempos de informação em tempo real. Tem gente viciada no Twitter, Facebook, Instagram, WhatsApp, Messenger, Telegram, Snapchat e tantos outros porque ficam apavorados quando pensam que estão perdendo as últimas novidades divulgadas por seus amigos.

Eu sou membro da (talvez) última geração que cresceu sem a influência da internet, das redes sociais e dos gadgets. E cresci feliz. Cresci com a interação com amigos e familiares, com as típicas experiências da infância e com as particularidades de um tempo onde valia mais a interação pessoal do que a eletrônica.

Confesso que, durante um tempo da minha vida, priorizei muito mais o contato por vias eletrônicas do que as relações interpessoais. Não foi um período tão bom quanto poderia parecer, e voltei a valorizar o ‘olho no olho’. E funcionou muito bem. Eu sempre gostei de me relacionar com as pessoas, e reduzir as distâncias é sempre muito positivo.

Logo, os CEOs do mundo tech estão certos. Até mesmo pelo princípio básico que “os filhos são deles, logo, eles criam como eles querem”. Tudo tem o seu tempo e sua razão de ser, e limitar o acesso à tecnologia pelas crianças pode ser a saída para futuras gerações de adultos menos individualistas e mais saudáveis nos aspectos sociais.

Não vejo nenhum grande pecado nessas restrições. Pelo contrário. Pode ser o fim de adultos que ficam presos no smartphone durante o jantar. E isso é ótimo, pois é nesse momento que precisamos sentar e conversar com a pessoa que está sentada diante de nós, do outro lado da mesa.