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Esse senhor aí da foto acima (que poderia muito bem ser candidato de Papai Noel para o shopping center de sua cidade no final do ano) é George R.R. Martin. Ele é o autor dos livros da saga Game of Thrones. Nessa semana, em entrevista para o programa do Conan O’Brien, ele fez uma declaração curiosa: que usa para escrever os seus livros um editor de texto da década de 1980/1990, o Wordstar 4.0, que é gerenciado pelo MS-DOS, em um computador que não está conectado na internet.

Por que ele fez isso?

Eu confesso que sou velho o suficiente para afirmar que já utilizei o Wordstar 4.0. Foi um dos primeiros programas que aprendi a utilizar na minha vida de usuário de tecnologia. Aliás, a base de comandos como CTRL + C e CTRL + V (base para muitos blogueiros preguiçosos que eu conheço) vem do jurássico editor de textos. Como na época não havia um sistema operacional com interface gráfica, e o mouse só foi se popularizar de verdade mais adiante, o Wordstar utilizava vários códigos, como CTRL + KX ou CTRL + KU para as instruções de edição dos textos produzidos no programa.

O Wordstar 4.0 é sim um programa eficiente para aqueles que querem apenas e tão somente escrever. Porém, não é uma solução viável para a maioria dos usuários que dependem de recursos mais avançados para a produção dos textos profissionais de hoje. Mas… quem disse que Martin precisa de todos esses recursos?

O autor de Game of Thrones basicamente usa o computador para produzir os seus livros para… escrever. Logo, não precisa de negrito, itálico, sublinhado ou outros recursos tão populares utilizados por quem escreve textos todos os dias. Além disso, Martin justifica a sua escolha afirmando que não suporta tais recursos, ou todas as distrações que os programas atuais (como o Microsoft Word) criam na hora da redação. Para ele, o Wordstar 4.0 é mais que suficiente, oferecendo tudo muito simples.

Sem falar que, por questões óbvias, esse computador está totalmente desconectado da internet. Ou seja, os textos ficam longe dos hackers (pelo menos até onde sabemos), e nada de inconvenientes como as notificações das redes sociais, ou e-mails que podem ser respondidos em outro momento.

De certo modo, dou uma dose de razão para Martin. Eu mesmo sonho com a possibilidade de um dia sentar diante do computador e simplesmente escrever, sem ter a pressão ou o compromisso de verificar o que está acontecendo no Twitter ou Facebook, ou sem me incomodar com as notificações de e-mails que chegam o tempo todo ao longo do horário comercial. Isso acaba matando a produtividade de qualquer pessoa.

Além disso, para muita gente, “menos é mais”. OK, chega a ser bizarro como Martin pode ser produtivo com tão menos, mas em compensação, ele mesmo tomou a decisão de optar pelo simples. Algo que todos nós que lidamos com tecnologia deveríamos fazer de vez em quando. E é algo que a própria tecnologia deveria nos oferecer como objetivo principal: simplificar as coisas em nossa vida.

Logo, parando para pensar… a partir da semana que vem, usarei o Bloco de Notas para escrever meus posts…. #brincadeira.