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Pornhub, a casa da educação digital

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A presença de conteúdo educacional em diferentes plataformas não convencionais tem chamado atenção nos últimos anos, pois funciona como uma forma de fazer o conhecimento chegar até os alunos e demais interessados.

E isso não é algo necessariamente ruim. O bizarro aqui é ver o aprendizado ao lado de “Dona Dulce, 78 anos, recebe o entregador de pizza que estava sem camisa – e olha só o que aconteceu”.

Aulas de matemática, tutoriais de programação e explicações sobre inteligência artificial começaram a aparecer em meio ao material tradicional… de sites adultos, como é o caso do Pornhub.

Professores e criadores de conteúdo descobriram um nicho inusitado para compartilhar conhecimento. O contraste entre educação e entretenimento adulto tem gerado audiências surpreendentes para esse tipo de material.

 

Inusitado, mas funciona

Imagine a surpresa de quem busca entretenimento adulto e se depara com uma aula de cálculo diferencial. Pior: encontrar a sua professora dando essa aula no Pornhub.

Essa situação, que poderia ser um roteiro de comédia, tornou-se realidade na internet. Professores corajosos decidiram levar quadros-negros e fórmulas matemáticas para um dos territórios mais improváveis da web.

A tática ousada está funcionando melhor do que qualquer estratégia de marketing educacional tradicional. Enquanto canais do YouTube lutam por visualizações, educadores estão descobrindo que uma plataforma adulta pode ser o segredo para alcançar milhões de estudantes famintos por conhecimento.

Quem diria que a educação precisaria sair da zona de conforto acadêmica para encontrar seu verdadeiro público?

E essa ironia é simplesmente deliciosa: o local onde as pessoas menos esperam aprender pode ser exatamente onde mais querem estudar.

 

Os pioneiros da educação disruptiva

O Changhsu virou uma lenda na internet sem nem tentar.

O professor taiwanês de 34 anos transformou equações complexas em conteúdo viral, acumulando mais de 200 vídeos de matemática avançada.

Hoje, ele possui uma renda anual que faria qualquer professor universitário repensar a carreira: mais de 250 mil dólares.

O cara literalmente provou que existe ouro escondido onde ninguém imaginava procurar. Enquanto educadores tradicionais brigam por migalhas de verbas públicas, Changhsu descobriu que o público estava faminto por conhecimento – só precisava encontrá-lo onde ele realmente estava.

Já a Zara Dar elevou esse jogo de levar o conhecimento em sites onde se pratica o onanismo desenfreado a outro nível.

Ela conseguiu a proeza de ser simultaneamente modelo e professora de machine learning, criando vídeos com títulos técnicos que parecem dissertações de mestrado. Provou que a combinação explosiva de beleza e cérebro poderia quebrar a internet – e os algoritmos tradicionais.

 

O império dos 100 milhões de cliques diários

Os números de Zara são de dar inveja a qualquer influenciador (de qualquer segmento, e não apenas do setor educacional): ela recebe entre 50 mil e 350 mil visualizações por vídeo. O único problema que ela tem na vida é explicar o uso válido do Pornhub para a educação em uma reunião de pais e mestres: “Bem, minha filha ensina gradiente descendente e tem mais audiência que a TV Escola”.

A plataforma processa mais de 100 milhões de visitas por dia. Para ter uma noção do alcance, isso é mais gente do que a população inteira de muitos países assistindo simultaneamente.

Logo, professores do mundo inteiro estão babando com essa audiência cativa e engajada.

O truque genial está na captura de audiência acidental. Pessoas que jamais procurariam “Curso de Álgebra Linear” no Google de repente se encontram assistindo uma aula completa sobre matrizes.

É o marketing reverso perfeito: em vez de perseguir o aluno, deixe o conhecimento encontrá-lo no lugar mais inesperado.

 

A liberdade dos algoritmos tiranos

Enquanto youtubers educacionais fazem malabarismos para não serem “cancelados” pelos algoritmos, esses professores rebeldes vivem numa terra sem lei digital. Não existe o temido “shadowban” para equações de segundo grau ou explicações sobre redes neurais.

A ausência de segmentação temática virou uma espécie de “superpoder” para esses influenciadores.

Não há robôs digitais decidindo que “conteúdo educacional é chato” ou empurrando apenas vídeos de gatinhos.

É a meritocracia pura: se o conteúdo é bom, ele bomba naturalmente.

Os educadores finalmente podem ser criativos sem medo, dispensando a obrigatoriedade de apelar para títulos clickbait forçados tipo “Você NÃO VAI ACREDITAR nessa fórmula de Bhaskara (INCRÍVEL!)”.

Aqui, um título honesto como “Análise de Fourier – Parte 3” pode render centenas de milhares de views.

 

O “universo paralelo” do conteúdo limpo

A coisa ficou tão surreal, que se formou uma subcultura inteira de conteúdo “inocente” na plataforma de conteúdos adultos. Algo simplesmente inimaginável para os idealizadores desse serviço.

Gameplays de Minecraft, entrevistas sérias com profissionais do entretenimento adulto falando sobre economia, paródias que usam jargões picantes para falar de receitas de bolo.

A criatividade não tem limites quando você quebra todas as regras para subverter o sistema previamente estabelecido.

Isso virou um jogo de expectativas que seria digno de estudo sociológico. É o ultimate plot twist da era digital.

Infelizmente, a festa acabou parcialmente quando o Pornhub decidiu fazer uma limpeza geral nos conteúdos publicados em sua plataforma.

Dez milhões de vídeos não verificados foram pro espaço, levando junto boa parte dessa contracultura educacional única.

Foi como demolir um museu digital por acidente – as intenções eram nobres, mas o patrimônio cultural da internet saiu machucado.

Mas valeu pela história que construiu pelo tempo que durou.

 


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@oEduardoMoreira