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Definitivamente, o mundo não é mais o mesmo.

Essa onda extremamente conservadora, com as pessoas defendendo valores familiares ao mesmo tempo em que produzem a auto lobotomia cerebral para esquecerem que assistiam a banheira do Gugu todo domingo à tarde com a mãe ou a avó sentada do lado no sofá da sala me irrita profundamente, pois está destruindo valores que eu sempre defendi como serem corretos.

Exemplos: respeito ao próximo, respeito ao diferente, não ser preconceituoso, ser mais tolerante e, agora, o fim dos filmes pornográficos.

A nobre arte do onanismo está seriamente ameaçada, e, quem diria, logo o Pornhub, que foi tão elogiado por estimular o desenvolvimento de tecnologias que tornam a experiência de conteúdos de filmes adultos algo muito mais imersivo, agora vem com essa palhaçada de lançar o primeiro filme não pornográfico de sua história.

 

 

 

Shakedown pode ser o início do fim da pornografia roots

 

Não me levem a mal. Eu consigo entender por que o Pornhub está apostando nessa iniciativa perigosamente nefasta em ser a HBO dos conteúdos adultos às avessas.

Aqui, vou ter que explicar o conceito para quem não entende muito sobre como funciona a filosofia desse mundialmente conhecido canal de TV a cabo premium.

Historicamente, a HBO sempre se notabilizou por ser diferente dos demais canas da TV por assinatura. Por ser um canal premium, ela se permitia a explorar os limites da moral como quase nenhum canal fez até hoje. Foi da masturbação explícita em Tell Me You Love Me (com direito à cena de ejaculação masculina) até o sexo explícito sem limites, em uma cena de orgia em Westworld, passando é claro pelo beijo grego de Girls.

E isso porque eu nem vou falar de Roma, que era tão explícita, que dava para sentir os atores transando no sofá da sala do meu apartamento.

Agora, o Pornhub quer fazer o caminho contrário com Shakedown. Ao oferecer um filme não pornográfico, a plataforma explora os limites da ousadia, o que para o seu perfil de conteúdo seria basicamente apresentar um soft porn pesadíssimo, mas sem as cenas de sexo explícito, elemento essencial para qualificar qualquer conteúdo como pornográfico.

Aí fica difícil defender o Pornhub!

Essa vontade louca de ser a HBO, ou de ser uma Netflix dos sites pornô é algo que incomoda. É claro que esse movimento em lançar um filme não pornográfico tem como principal objetivo aumentar o alcance do site a diferentes perfis de usuários e tipos de público. Porém, a consequência imediata disso é acabar com a alegria dos solitários de plantão, que gostariam de testemunhar uma realidade artificial e previamente fabricada por roteiros fracos e inconsistentes, atuações falsas e satisfação masculina que está bem longe de ser autêntica.

Não é pedir muito, certo?

Não sou exatamente o público alvo do Pornhub. Particularmente, minhas questões relativas ao sexo estão muito bem resolvidas. Mas como um ser humano que defende os direitos das pessoas que não contam com as mesmas habilidades e engenharias sociais para convencer o ser do sexo oposto a acasalar em um ambiente privado ou público, eu clamo aos responsáveis pelo site que repensem essa decisão.

É o futuro da pornografia raiz que está em jogo. Se a moda pega, daqui a pouco vai ter site pornô exibindo episódio de Game of Thrones e cobrando assinatura por isso.


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