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“Pra quê colar, se eu posso alterar a prova do professor de forma remota?”

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Colar na escola na era do ChatGPT virou algo quase irresistível. Com toda a tecnologia ao nosso redor, como convencer um adolescente a não obter vantagens em relação ao CDF que estufou para a matéria durante o final de semana (enquanto o trapaceiro estava na balada)?

Mas… e quando os trapaceiros são adultos que estão na universidade?

O conhecimento tecnológico sobre as plataformas digitais se tornou tangível o suficiente para que esses usuários metidos a espertinhos suplantem com relativa facilidade as plataformas consideradas de código livre, algo que é previsto pela própria natureza desse tipo de software.

Ou seja, copiar a prova por mimeógrafo ou tirar fotos da prova de outra turma se tornaram métodos arcaicos de cola. Hoje, é possível hackear uma plataforma inteira para passar na prova.

 

O que aconteceu?

Recentemente, um grupo de estudantes adultos acessou indevidamente a conta de um professor na plataforma Moodle, alterando as perguntas de um exame programado.

O professor percebeu a fraude ao notar mudanças inesperadas nas questões e, ao investigar os registros de acesso, identificou logins suspeitos de dispositivos e IPs desconhecidos. Ou seja, observou os dados que a plataforma oferece para os educadores, mas que nem todos sabem interpretar corretamente essas informações.

Ou até mesmo não sabem que esses recursos estão disponíveis para combater os casos de fraude.

O Instituto Nacional de Cibersegurança da Espanha (INCIBE) alertou que tal acesso não autorizado pode ter sérias implicações legais, incluindo violação da Lei Orgânica de Proteção de Dados e Garantia dos Direitos Digitais.

Com o aumento das avaliações virtuais, instituições enfrentam dificuldades para garantir a integridade acadêmica. Estudantes têm utilizado diversas estratégias para fraudar exames, desde a alteração de questões até o uso de tecnologias para copiar respostas.

Para combater essas práticas, educadores adotam métodos como a aplicação de mini-testes frequentes e a reformulação das avaliações para exigir habilidades práticas e pensamento crítico.

Mas pelo visto, os alunos estão extrapolando desse precedente para manipular os testes da raiz, no próprio aplicativo gestor da avaliação.

 

Medidas de segurança e prevenção

Não é uma das tarefas mais fáceis do mundo, mas as instituições educacionais precisam fazer alguma coisa, antes que tudo saia de controle.

Os especialistas recomendam a implementação de autenticação em dois fatores e o uso de senhas robustas para proteger contas em plataformas educacionais.

O grande problema é que as plataformas de ensino não estão preparadas neste momento para oferecer essa maior robustez na segurança dos seus sistemas. Será preciso atualizar tudo, inclusive os professores, que precisam ter um maior conhecimento tecnológico para prevenir as fraudes.

Além disso, ferramentas de monitoramento ajudam a supervisionar exames online, identificando comportamentos suspeitos e prevenindo fraudes. E isso envolve (também) um maior investimento por parte das instituições de ensino.

E aqui, as escolas públicas ficam nitidamente defasadas em relação às instituições particulares, que contam com a natural robustez financeira para implementar de forma mais rápida e eficiente esses recursos de prevenção.

A conscientização sobre a importância da ética acadêmica e a adaptação das avaliações às novas realidades digitais são essenciais para preservar a credibilidade do ensino à distância.

Porém, insisto: é muito difícil convencer os alunos a simplesmente estudar para as provas quando existe um arsenal de recursos tecnológicos ao redor oferecendo “atalhos” para alcançar os resultados (e não necessariamente estimular o aprendizado).

 

Via TargetHD.net


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@oEduardoMoreira