Press "Enter" to skip to content

Preta. Preta. Pretinha…

A arte que acredito é uma forma de mostrar que todos somos iguais, independentemente das diferenças. E vou acreditar em toda e qualquer pessoa que carrega essa bandeira como lema de vida.

Acredito também em mulheres fortes, que lutam pelos seus sonhos e, por tabela, pelos direitos de outras mulheres.

Que acreditam que a essência de alguém é a sua maior força, e que a fé e a sua maior verdade. Acredito em pessoas que abraçam como missão a transformação do mundo através da arte.

Música é alma. Coração é voz. E a nossa voz precisa ser a voz de quem não consegue se expressar.

A minha vida é uma história de superação e aprendizado. Por isso, acredito nas pessoas que cantam para o povo, para as ruas e para a vida.

Acredito em artistas que defendem que a música é uma mensagem de amor, de paz e de inclusão.

Acredito que ser livre é ser feliz, independente do que pensam. Acredito no amor, na liberdade e na igualdade.

Que a minha voz é a voz de quem não tem voz.

Com o tempo, passei a acreditar também nas pessoas que não desistem dos seus sonhos. Em pessoas imperfeitas, únicas e autênticas.

Em pessoas que transformam a arte em uma forma de protesto e resistência.

Aprendi que a vida é uma escola, e que estou aqui para aprender e crescer, sempre cantando a verdade e a justiça.

Quero me inspirar pelo meu amor pela vida e pelas pessoas, pois só fui entender que a música que eu canto ajuda a outras pessoas depois de um período em que eu autoafirmei minha existência, resistência e minha liberdade.

A cada pessoa que se libertar através de uma atitude ou canção que eu cantar, eu também me conheço mais como pessoa e, com alguma sorte, me amo mais.

Que essa corrente de empoderamento se torne cada vez maior a partir de agora.

Preta Gil nos deixou. Estou surpreso com isso. Não com a morte, já que todo mundo sabia a batalha que ela estava enfrentando com o câncer.

Surpreso porque eu não esperava a perda hoje. 20 de julho. No dia do amigo.

Apenas 50 anos. Eu, com 46, penso: “tão nova”.

Não era fã de Preta Gil. Não sabia uma música dela.

Mas sabia que ela era uma força da natureza que, com o tempo, foi conquistando o meu respeito pela pessoa que se revelou.

Pelas causas que abraçou.

Pela luta que enfrentou.

Preta Gil não foi derrotada por uma doença.

Só se transmutou.

Para que suas palavras agora se tornem eternas.

 

Descanse em paz.