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Quero deixar bem claro uma coisa antes de começar esse texto. Independente de qualquer cosia que eu venha a escrever nas próximas linhas, uma coisa não vai mudar: Michael J. Fox, para mim, é um exemplo a ser seguido, uma lição de vida, e a prova viva que existe uma vida funcional para um paciente com o Mal de Parkinson. Acho esse cara fantástico, e sempre vou considerá-lo um dos maiores exemplos de resiliência, tenacidade e amor à vida. Na frente e por trás das câmeras.

Dito isso, e com uma certa tristeza (e um gosto amargo na boca), eu digo que a melhor coisa de The Michael J. Fox Show é, justamente, a volta de Michael J. Fox para a televisão. E nada mais.

A série mostra a vida de Mike Henry (Michael J. Fox), um renomado jornalista da NBC, que ao ser diagnosticado com o Mal de Parkinson, decidiu se aposentar de forma prematura, até mesmo para cuidar da saúde. Acontece que, com o passar dos anos, e com o Parkinson mais controlado, Mike começou a se tornar hiper-ativo… mas em casa. E isso começou a enlouquecer a sua família, já que ele passou a se tornar “útil e funcional” para cada um deles.

Sua mulher, Annie (Betsy Brandt) é, aparentemente, a mais afetada com a melhora de Mike. Não que ela não goste dele se sentir melhor. Porém, uma vez que ele se sente melhor – e, com isso, começa a tentar a ter uma vida normal, como um marido qualquer – ela se depara com um homem que parece que quer abraçar o mundo com braços e pernas. E isso para ela é um grande problema. Assim como os seus três filhos (dois adolescentes e um em plena infância), que não aguentam mais ver o “pai herói” em casa, e acreditam que ele pode ser mais útil fora de lá.

De preferência, de volta à TV.

Para completar a família, tem a irmã de Mike, Leigh (Katie Finneran), que tem os seus próprios sonhos e aspirações, mas vê no irmão um exemplo e ponto de apoio. Mas, no final das contas, acaba mesmo sendo a confidente de Annie. Que mal a escuta, por causa de suas atividades domésticas.

No final das contas, Mike resolve voltar ao seu posto na NBC, onde espera não só ajudar o canal a sair do buraco – tal como acontece no mundo real -, mas também explorar um pouco mais as suas possibilidades, diante de sua nova condição de vida.

The Michael J. Fox Show - Season Pilot

Pelo menos no seu começo, The Michael J. Fox Show é uma série bem fraca. Eu, que elogiei o promo do meio do ano (de 4 minutos), por entender que as piadas eram ótimas, conclui que o tal promo mostravam as melhores piadas do episódio piloto. Aliás, o piloto em si é fraquíssimo, e entendo que até a NBC sacou isso. Tanto, que a premiere foi dupla, e o segundo episódio é um pouco melhor que o primeiro. Mas o piloto é bem fraco.

Vale lembrar que The Michael J. Fox Show foi aprovada pela NBC sem sequer ter um piloto. Foi um projeto que foi disputado à tapa pelos quatro grandes canais abertos norte-americanos, e que o próprio Michael J. Fox só fechou com a NBC por entender que era o canal mais desafiador para fazer a série dar certo. Além disso, o canal do pavão garantiu temporada completa de 22 episódios para a produção. E, de novo: sem ninguém ver nada da série.

Noves fora, o piloto é fraco. Os personagens não são carismáticos, são apenas apresentados, cada um com sua característica peculiar. Aliás, me lembro do próprio J. Fox afirmar que a série não é 100% inspirada na sua experiência pessoal, uma vez que ele mesmo entende que os seus filhos odiariam ser representados daquela forma. É, agora eu entendo o que eu quis dizer.

Os três filhos conseguem ser insossos e desinteressantes. Nem mesmo o filho caçula consegue ser uma criança fofinha. Nem pra isso! Os dois filhos adolescentes de Mike são sem graça com argumentos sem graça para ficarem em cena. De novo, a coisa começa a melhorar para eles no segundo episódio, que é melhor que o piloto. Mesmo assim, a química deles é forçada. Simplesmente lamentável.

Como disse lá atrás: a melhor coisa da série é ver Michael J. Fox em ação. O cara ainda tem timing de comédia, apesar das piadas ruins apresentadas. Sua interação com a irmã (Finneran) e principalmente com a esposa (Brandt) é minimamente aceitável, e pode até render alguma coisa no futuro para a melhora da série. Isso é, se é que ela pode melhorar.

Infelizmente, The Michael J. Fox Show começou mal. Eu torço para que melhore, mas é só uma torcida. É inacreditável como ideias promissoras simplesmente afundam na NBC, ainda mais quando falamos de um mockumentary. Custava essa série ao menos ser uma sitcom para facilitar as coisas? De qualquer forma, essa aqui está difícil de seguir em frente, mesmo que seja pelo Michael J. Fox. Tem que melhorar muito. Caso contrário, será o primeiro grande fracasso do ator de De Volta Para o Futuro na TV.


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