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Estreou ontem (08) no Multishow a sitcom nacional Vai Que Cola, que tem alguns objetivos bem específicos. O primeiro (é claro) é cumprir com a cota de programação nacional da ANCINE (apesar do canal já cumprir essa cota com sobras). O segundo é apostar em uma iniciativa que já reverte em audiência para o Canal Viva, que é o teleteatro. As reprises de Sai de Baixo no Viva estão entre as maiores audiências do canal. Logo, por que não tentar a mesma coisa no Multishow, não é mesmo?

Porém, a pergunta mais importante desse post é: “colou”? Vamos tentar descobrir isso a partir de agora.

Vai Que Cola conta a história de uma casa comum no Méier, bairro da zona norte do Rio de Janeiro. Na verdade, não é uma casa apenas. É uma “casa de pensão”, gerenciada pela Dona Jô (Catarina Abdala), mulher honesta, trabalhadora e de bom coração As principais situações da produção giram em torno dela, uma vez que ela é a única ainda centrada na realidade que a rodeia.

Dona Jô é cercada por todo o tipo de habitante que você pode encontrar no Méier, como por exemplo a filha periguete Jéssica (Samantha Schmutz), que acorda todos os dias com o objetivo de ser famosa (a primeira iniciativa é fazendo um viral para a internet), o “namorado” da filha, Máicol (Emiliano D’Avila), que não é nada na vida, mas dá os seus pulos, Terezinha (Cacau Protásio), viúva de um ex-bicheiro, que é “espaçosa”, fala alto e ninfomaníaca, Velna (Fiorella Mattheis), loira/tcheca/gostosa, amiga de Terezinha e golpista profissional, e Ferdinando (Marcus Majella), zelador da pensão, mas que tem o sonho de ser um cantor de cabaré e passa as suas horas vagas fazendo performances de Lady Gaga no banheiro.

Não posso me esquecer de Wilson (Fernando Caruso), amigo de Dona Jô (doido para pegar a coroa), que é mais inteligente que todos eles somados, mas que misteriosamente passa o seu tempo anotando todas as situações que acontecem naquela pensão.

Todos eles eram felizes, até o dia em que o protagonista de toda essa história, Valdomiro (Paulo Gustavo), fugindo da polícia por se envolver em um golpe que deixou um grupo de idosos sem abrigo, acaba caindo na pensão da Dona Jô, tentando ganhar tempo para provar a sua inocência (ou o seu envolvimento de apenas 2% no golpe). Dona Jô vai com a cara dele, e no final das contas, ele passa a ser mais um membro daquela grande e excêntrica família feliz.

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É difícil se posicionar de forma neutra ao piloto de Vai Que Cola. A série criada por Leandro Soares tem como principal virtude não ser um Pé Na Cova com platéia. Só aí temos uma vitória. Além disso, o elenco é recheado de nomes de fácil identificação do público, tanto para quem já assistia os programas Estranha Mente e 220 Volts, quanto para aqueles que começaram a assistir as séries do Multishow na semana passada. Sem falar que o elenco ajuda a fazer com que as situações e piadas se desenvolvam de forma mais ágil e convincente.

O piloto em si é regular. Não posso dizer que é a coisa mais engraçada que você viu na sua vida, mas se você é uma pessoa que tem algum bom humor no coração (e não é o @fabiano_sjc, que é praticamente morto por dentro quando falamos de séries de comédia), você vai aguentar ver o piloto sem sentir o irresistível desejo de mudar de canal. Não excluo a possibilidade de você não gostar da série, uma vez que ela tem os dois pés bem calcados na rotina do subúrbio carioca.

Porém, a principal diferença de Vai Que Cola para Pé Na Cova (imagino que a comparação será inevitável) está justamente na ausência de personagens 100% bizarros, ou com grandes caricaturas de pessoas que, na prática, não existem. Os roteiristas tiveram a inteligência de segurar nos maneirismos linguísticos e nas gírias regionais, mas mantendo as características cariocas nos personagens.

Além disso, o Multishow criou uma estrutura física bem prática, com um palco giratório, permitindo assim que o público acompanhe as diferentes situações que acontecem na pensão, em diferentes cômodos. Isso tira um pouco o aspecto Sai de Baixo de teleteatro, aproximando ainda mais da clássica sitcom que já conhecemos.

Não sei se vou acompanhar o Vai Que Cola depois do piloto. Vou pelo menos me esforçar para ver os próximos episódios (a série será exibida de segunda a sexta, às 22h30, no Multishow), mas mesmo com um piloto que passa na primeira prova, precisa apresentar algo mais para me convencer a continuar a ver a produção. Talvez a série se valha no começo pelo carisma de alguns personalidades, e pela popularidade de seus intérpretes junto ao público.

E principalmente: porque o Multishow colocou Ronalda Cristina de novo na TV! Quem viveu a década de 1980 sabe do que estou falando. E eles ganharam muitos pontos comigo apenas nessa escolha.


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