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“A humanidade não é ruim. Só é desinformada.”
Professor Charles Xavier, de X-Men

 

Prometi para mim mesmo que deixaria os dedos correrem para escrever sobre o dia do professor, pois dessa forma evitaria cair naquela regra de ser um “mais do mesmo” no texto de hoje. Mas quero refletir por alguns minutos sobre essa frase acima.

Uma frase absurdamente verdadeira nos dias de hoje.

Acaba sendo inevitável agradecer aos meus professores por me oferecerem valores, conhecimentos e habilidades que jamais teria alcançado se eu não tivesse conhecido, convivido e aprendido com cada um deles. E, traçando um paralelo com o autor da frase, o meu processo de aprendizado ao longo da vida foi, na prática, um processo de mutação, o que resultou na absorção de poderes incríveis que hoje ajudam a transformar o mundo.

Meus professores me entregaram o poder de olhar mais longe e para os detalhes que a maioria dos mortais não conseguem ver. Hoje, ter uma visão mais ampla sobre os acontecimentos é algo fundamental para sobreviver em um mundo tão caótico e com pensamentos rasos. Ter esse tipo de poder cobra um preço, eu sei. Mas também sei que treinar meus olhos cobrou um alto preço dos meus mestres.

As pessoas não são inteligentes. São curiosas. Meus professores me ensinaram isso. E, por causa disso, virei um obcecado pela informação e pelo querer saber. Meu desejo constante por querer aprender mais e mais é uma fuga do Alzheimer e, ao mesmo tempo, um poder incrível para combater injustiças, corrigir erros e desenvolver perspectivas melhores.

Estou diante de um computador escrevendo este texto improvisado graças a vários professores que me influenciaram na informática e na vida. Mas, principalmente, na minha forma de me expressar. Minha vida está pautada na comunicação de massa, e não poderia ser mais feliz com isso. Porém, compreendo perfeitamente que tenho em minhas mãos o poder de construção e destruição ao utilizar este teclado (que hoje é retro iluminado em azul). E meus mestres me ensinaram a diferença entre uma coisa e outra.

Mas o que mais me inspirou na minha convivência com professores ao longo da vida foi a coragem de vários deles afirmarem que “a verdade está lá fora”.

Para qualquer ser humano, é muito difícil dizer frases impactantes como “não acredite em mim” e “a verdade está lá fora”. Porém, apenas os professores tinham o poder de derrubar as paredes da sala de aula para me motivar a buscar essas verdades nas bibliotecas, no estudo individual em casa, na imprensa séria e responsável e até mesmo com as minhas experiências com os fatos e acontecimentos.

Meus mestres foram além de ensinar. Apontaram os caminhos onde eu poderia encontrar as verdades necessárias, por mais que essa realidade fosse triste, revoltante e dolorosa. Tiveram a coragem de mostrar o mundo como ele era, e não como eu gostaria que fosse.

E no meio desse processo, eles me entregaram poderes incríveis para pelo menos tentar transformar o mundo em algo não mais próximo do que sonho, mas pelo menos um pouco mais justo para todos. Me entregaram as habilidades para não ficar no chão a cada derrota, não aceitar os fatos que me machucavam e, quem sabe, mudar a rota da história. Mesmo que fosse apenas a minha história.

Informação é poder. E meus mestres usaram dos poderes deles para me transformar em um herói de mim mesmo.

No final das contas, Charles Xavier está certo. Mais uma vez. Nem poderia ser diferente.

Feliz dia do professor.


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