
A polêmica punição de 10 segundos a Lewis Hamilton no Grande Prêmio da Cidade do México de 2025 foi considerada excessiva por pilotos, especialistas e boa parte da imprensa esportiva, que questionaram a proporcionalidade da sanção diante do contexto da disputa e do histórico de decisões da FIA.
Não é de hoje que os comissários são criticados por decisões controversas, e conforme o tempo passa, a percepção de que o “efeito Michael Masi” perdura, onde Hamilton mais uma vez é o prejudicado com as decisões.
E não estou aqui defendendo que Lewis não deveria ser punido. O grande ponto de questionamento está nos tais 10 segundos e nas explicações dadas no relatório pós-corrida.
Dois pesos, duas medidas?
A ausência de penalidade para Max Verstappen, que cortou a primeira curva na largada após ser empurrado para fora, aumentou o debate sobre critérios flexíveis da direção de prova, e foi vista por muitos como exemplo de tratamento desigual em situações parecidas.
Há quem diga que Verstappen não merecia mesmo ser punido, já que o piloto holandês não só devolveu a posição, como a saída de pista no caso dele foi algo inevitável. Acontece que George Russell ficou reclamando por um bom tempo, entendendo que Max também deveria ter devolvido a posição para ele.
E a inconsistência de decisões da FIA reforça uma teoria um tanto quanto perigosa, de que os comissários tratam pilotos diferentes com critérios diferentes. Não podemos ignorar o fato de que isso aconteceu no México de alguma forma.
As explicações da FIA não ajudam
A comunicação confusa da FIA sobre os reais motivos das punições, com divergência entre justificativas oficiais durante e após a prova, contribuiu para a insatisfação de equipes, pilotos e fãs, tornando o acompanhamento dos fatos mais difícil para todos.
Historicamente, os relatórios pós-corrida são sempre confusos e, pela confusão, se tornam controversas, sem um cuidado em oferecer uma lógica coerente e racional para as decisões tomadas.
Não há um padrão ou algo pautado no histórico de decisões anteriores, e a linguagem utilizada para explicar as decisões escancara a incoerência decisória. Algo que pode ser mais difícil de resolver do que parece.
Algumas coisas precisam mudar no sistema de punições
O episódio escancarou (mais uma vez) a fragilidade do sistema de análise e divulgação das decisões, tornando imprescindível que a entidade máxima adote um protocolo mais transparente e detalhado para explicar cada julgamento polêmico, especialmente em provas decisivas do calendário.
O histórico da Fórmula 1 mostra que, em casos pontuais, os comissários ganharam um protagonismo desnecessário, com decisões que interferiram nos rumos do campeonato mundial de pilotos, resultado em prejuízos diretos aos competidores.
A pressão por reformas estruturais na FIA — com foco em padronização de critérios, maior clareza e participação de equipes — cresceu após o México, unificando o discurso dos principais atores do campeonato por melhorias que garantam justiça desportiva e previsibilidade para a temporada.
Passou da hora dos critérios serem ainda mais claros e objetivos do que já são, tirando a subjetividade de visão ou interpretação individual. Afinal de contas, pessoas diferentes enxergam de forma diferentes para o mesmo tema, e eu estou dizendo o óbvio.
Logo, as regras existem para colocar todos no mesmo patamar decisório, tirando o viés pessoal das medidas tomadas.
E isso também é o óbvio.
